SPONSORS:

A Flapper permite fretar jatos executivos e comprar assentos em voos compartilhados. Tudo pelo app

- 23 de abril de 2019
Da esq. à dir.: Arthur Virzin, Iago Senefonte e Paul Malicki são sócios da Flapper (que tem ainda Willian Oliveira na sociedade).

 

Lançar mão do aplicativo para chamar um carro se tornou um gesto quase automático de tão habitual para milhões de pessoas pelo mundo, Brasil incluído. Bem menos comum, claro, é o ato de usar o app para conseguir um lugar em um jato executivo. Essa é a experiência proposta pela Flapper, que vende assentos em voos compartilhados da aviação privada. Com sede em Belo Horizonte, a empresa faturou 6 milhões de reais em 2018 — e planeja expandir ainda este ano para outros países da América do Sul.

“A Flapper nasce como uma resposta à falta de acesso a serviços de primeira classe e aviação executiva”, diz Paul Malicki, CEO. “Por um lado, vimos que é muito difícil voar para aeroportos do Brasil que não têm aviação sistemática e, por outro, que era muito moroso contratar um serviço de táxi aéreo.”

A startup oferece dois tipos de serviços: o fretamento de aeronaves completas (helicópteros e aviões de pequeno porte) e a venda de assentos em voos fretados. Só no ano passado, a Flapper transportou 4 000 passageiros. A meta, em 2019, é dobrar este número.

“Pelo volume [de passageiros], 80% se trata de compartilhamento. Mas pelo faturamento, estamos 60% no charter e 40% no compartilhado”, diz Paul. “Ficamos bem surpreendidos com a demanda para voos fretados, mas considerando que não tem uma empresa na America Latina que agrega todas as opções de aviões e helicópteros, o mercado está muito quente para esse tipo de solução.”

Polonês radicado no Brasil desde 2013, o CEO da Flapper tem alguns negócios digitais na bagagem: atuou em startups em países tão díspares como Suécia e Filipinas, foi sócio da Easy Táxi e atuou como conselheiro do Nubank e do e-commerce de moda de luxo Farfetch. Em 2016, ele topou a aventura de embarcar na Flapper a convite dos sócios-fundadores: Arthur Virzin, 35, CTO; Iago Senefonte, 24, Full-Stack Developer; e Willian Oliveira, 28, Head de Infraestrutura.

O trio se conheceu na Qiwi, uma operadora de sistemas de pagamentos eletrônicos online (onde Arthur liderou a equipe de tecnologia para o IPO da empresa, em 2015). O fato de nenhum dos sócios ter vindo do mercado de aviação é uma vantagem, na visão de Paul:

“Para criar uma solução nova é bom ser de fora do mercado porque você acaba sendo um pouco mais objetivo”

Antes de fazer a Flapper decolar, os sócios pesquisaram marketplaces e linhas aéreas em moldes semelhantes nos Estados Unidos e Europa, como Blade, JetSuite e Boutique Air. E, claro, foram pesquisar o mercado brasileiro de aviação. “Descobrimos que o Brasil é o segundo maior mercado de aviação executiva no mundo e São Paulo é o número um quando se fala em helicópteros”, afirma o CEO.

FRETAMENTOS QUE VÃO DE RIO-ANGRA ATÉ VOOS TRANSCONTINENTAIS

Os números do mercado interno impressionam. O país tem a segunda maior frota de aviação executiva do mundo (atrás apenas dos Estados Unidos). Em São Paulo, afirma Paul, há mais de 200 helipontos ativos, 40 deles usados diariamente, e a maior frota de helicópteros do mundo, com 500 unidades, quatro vezes mais do Nova York, que vem no distante segundo lugar. Rio de Janeiro (4º) e BH (6º) também integram o top ten.

Tela do app da Flapper: 100 mil usuários cadastrados.

Hoje, a Flapper conta com 200 aeronaves e 100 mil usuários cadastrados na plataforma. O preço de um fretamento pode variar de 3 mil reais (no trecho entre Rio de Janeiro e Angra dos Reis) a bem mais de 500 mil reais para voos transcontinentais — segundo o CEO, a empresa já realizou voos que custaram mais de um milhão de reais.

O preço dos assentos em voos compartilhados, com horário marcado, custam a partir de 950 reais. O ticket médio de compra é de 1.500 reais — e vem crescendo, segundo o CEO. “Em média, um cliente compra mais de um assento”, diz Paul. “E a recorrência é de quatro voos por cliente.”

Para usar o sistema, é preciso se cadastrar no aplicativo, escolher o voo, o assento e estar no aeroporto no horário agendado. O cadastro na plataforma é gratuito, tanto para os donos de aeronaves quanto para os passageiros.

O modelo de negócio prevê uma margem de 8% sobre o frete das aeronaves fechadas e de 20% sobre a venda de assentos, caso sejam vendidos todos os lugares. E aqui está um desafio da empresa: a venda completa não acontecer. O CEO explica:

“Quando não vendemos todos os assentos, ficamos com o prejuízo. Caso a gente venda, ficamos com 20% de margem”

E acrescenta: “A solução para não perdermos dinheiro a longo prazo é o crowdsourcing, uma ferramenta que vamos tentar lançar no final do ano, em que os clientes poderão lançar os próprios voos e compartilhar os custos entre si.”

O serviço de fretamento de aeronaves pode ser feito para todo o planeta, a depender da negociação com as empresas. No caso do compartilhamento, existem, por ora, poucas rotas disponíveis: São Paulo x Janeiro; São Paulo x Angra dos Reis (nos fins de semana) e Rio de Janeiro x Búzios (nos feriados); além de voos para 14 cidades de Minas Gerais saindo do aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte.

A CRISE PODE TER SIDO UM EMPURRÃOZINHO NECESSÁRIO

Paul conta que foi dureza começar o negócio em 2016, ano em que o Brasil entrou em forte crise financeira. Convencer as pessoas, naquele momento, a gastar mais dinheiro para viajar não era uma tarefa simples.

Por outro lado, a crise ajudou a fazer com que as empresas de táxi aéreo vissem na Flapper uma oportunidade:

“Com a crise, a demanda da aviação executiva caiu 30% no Brasil. E a gente estava com uma solução que permitia oferecer o mesmo serviço para várias pessoas por um preço reduzido”

Com recursos próprios, os sócios fretaram uma aeronave e colocaram assentos à venda. O objetivo: provar a viabilidade do modelo de negócios de compartilhamento para o mercado de aviação.

O bimotor King Air B200 é uma das aeronaves cadastradas na Flapper.

“Em torno de 20% a 30% de voos no mercado de táxi aéreo no Brasil voltam vazios, o que a gente chama de ‘empty legs’. Para convencer a operadora a aceitar esse tipo de solução tivemos que bancar o custo inteiro para vender dois ou três assentos. E provamos que esse modelo fazia sentido.”

Em três anos, um milhão de reais foram injetados na startup, entre recursos próprios e de investidores. No início, os sócios se dividiam entre a Flapper e atuando como consultores em outras empresas, para garantir uma renda enquanto construíam o negócio.

O antídoto contra o desânimo vinha da análise dos números do mercado de aviação. “Víamos que havia demanda, operadoras, clientes e rotas. Acreditávamos na solução porque todos os dados mostravam que havia demanda para isso”.

A alardeada facilidade do brasileiro para adotar serviços compartilhados teria ajudado a ideia a sair do chão. Paul diz:

“Acreditamos que o Brasil é o único país onde, com facilidade, você pode criar um serviço compartilhado de táxi aéreo. Países como México e Colômbia, por exemplo, ainda não têm tantas pessoas de classe média alta que aceitam se juntar em um voo”

Na comparação com outros países latino-americanos, o CEO da Flapper destaca uma combinação de fatores favoráveis do Brasil. Entre eles, uma classe média de mais de 100 milhões de pessoas, ávida na adoção de ferramentas digitais, e a concentração atual dos voos privados num raio de 1 000 km de São Paulo (facilitando o desenvolvimento da aviação privada, que privilegia trajetos curtos.

O FUTURO SERÁ A BORDO DE DRONES AUTÔNOMOS

A Flapper conseguiu se estabilizar e oferecer mais regularidade nas rotas compartilhadas a partir de 2018. Agora, a empresa começou a aceitar pagamentos em Bitcoins. Os sócios acreditam que as criptomoedas se tornarão mainstream e assumem a missão de ajudar a popularizar as novas tecnologias e formas de pagamento.

O futuro da Flapper aponta para o transporte de passageiro com drones autônomos — na opinião de Paul, a única forma de fazer com que os voos fiquem mais acessíveis e ganhem escala. A startup planeja oferecer uma rota entre São Paulo e Guarulhos até 2022.

“Atualmente, 40% de preço de um voo executivo é gasolina e não há espaço para diminuir este custo. Isso só vai acontecer com uma nova tecnologia, como drone autônomo com bateria elétrica”

Dubai, por exemplo, já testa a alternativa dos táxi-drones. Paul acredita que a operação pode vir a ser mais simples do que a de carros autônomos, porque em tese não requer tantos algoritmos para controlar elementos externos, como semáforos, sinalizações, outros motoristas e pedestres atravessando a rua. “No caso do drone, ele sobe, voa e desce, ou seja, é muito mais fácil desenvolver um algoritmo do que no caso de um carro.”

Uma vez consolidada a tecnologia, diz, será apenas uma questão de conectar uma plataforma de venda de voos autônomos com a empresa responsável pelo desenvolvimento do drone homologado. E a infraestrutura já estabelecida de helipontos nas grandes metrópoles brasileiras deve ser uma vantagem a mais.

Faltam só três réveillons até 2022. Para o CEO do Flapper, o céu parece mesmo o limite — e o futuro está logo ali.

1851 Total Views 7 Views Today

DRAFT CARD

Draft Card Logo
  • Projeto: Flapper
  • O que faz: Vende assentos em voos fretados e compartilhados
  • Sócio(s): Paul Malicki, Arthur Virzin, Iago Senefonte e Willian Oliveira
  • Funcionários: 14
  • Sede: Belo Horizonte
  • Início das atividades: 2016
  • Investimento inicial: R$ 1 milhão
  • Faturamento: R$ 6 milhões (2018)
  • Contato: [email protected]
Veja também:

Fundada por amigos de infância, a chapecoense PackID monitora em tempo real a temperatura dos alimentos

- 16 de julho de 2019

A Netza fechou departamentos, engajou startups e agora lança sua aceleradora para afinar a sinergia

- 4 de julho de 2019