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A “grandiosa simplicidade” de São Francisco em cartaz na Casa Fiat de Cultura

- 14 de agosto de 2018
A partir da esquerda, o cônsul da Itália em Belo Horizonte, Dario Savarese., o presidente da FCA para a América Latina, Antonio Filosa e o presidente da Casa Fiat de Cultura, José Eduardo de Lima Pereira,

Desde o dia 08 de agosto a Casa Fiat de Cultura, em Belo Horizonte (MG), abriga uma grande exposição. Trata-se de um conjunto de 20 obras que datam dos séculos XV a XVIII, selecionadas de importantes coleções italianas, que traduzem as fases mais relevantes da representação de São Francisco de Assis, do Renascimento ao Barroco. Além das pinturas, a mostra oferece um passeio virtual à Basílica Superior de Assis, na Itália, onde se localizam o túmulo do santo e várias outras obras.

A curadoria é dos italianos Giovanni Morello e Stefano Papetti. Morello, que integra a comissão permanente de tutela dos monumentos históricos e artísticos da Santa Sé, é especialista em História da Arte e já idealizou e curou exposições de arte antiga na Itália e outros países. Papetti é diretor da Pinacoteca Civica Di Ascoli.

Com exceção de uma que vem de Nova York, as pinturas da exposição vêm de 15 importantes museus de sete cidades italianas, chegando pela primeira vez ao Brasil. Entre as obras, há quadros de mestres do Renascimento e do Barroco italianos, como Ticiano Vecellio, Perugino, Orazio Gentileschi, Guido Reni, Guercino e os Carracci. O painel “San Francesco riceve le stimmate”, de 1570, é de Ticiano, mestre que influenciou Tintoretto e Veronese em Veneza. Do mestre de Rafael Sanzio, Perugino, a obra “San Francesco d’Assisisi e quattro disciplinati” (1499) também compõe a mostra, juntamente com “San Francesco sorretto da un Angelo” (primeira metade do séc. XVII), de Orazio Gentileschi, “San Francesco confortato da un angelo musicante” (1607-1608) e “Francesco riceve le stimmate (frente); San Francesco predica ai confratelli (verso)” (séc. XVII), ambas de Guido Reni, “San Francesco riceve le stimmate” (1633), de Guercino, e 15 outras de equiparável importância.

 

O quadro “St. Francis Contemplating a Skull” (1604-07), de Cigoli, que veio de Nova York para a exposição.

“A exposição foi projetada para mostrar a evolução da imagem de São Francisco”, explica Papetti. Por meio de obras que marcaram a cultura local de toda uma época e ainda encontram espaço na cultura ocidental por seus altos valores artístico, histórico e simbólico, os visitantes poderão contemplar as diferenças nas fases mais relevantes da representação iconográfica do santo católico mais retratado na história da arte. “O simbolismo de Francisco é universal”, observa Morello.

“O culto da imagem não começou agora, na era da internet, mas na Idade Média, com São Francisco”, brinca Papetti, referindo-se à abundância de representações da figura do santo. “Os próprios franciscanos zelavam muito pelo que deveria ser representado”, conta.

“São Francisco chega à Casa Fiat de Cultura com sua grandiosa simplicidade”, anuncia o presidente da Casa Fiat de Cultura, José Eduardo de Lima Pereira. “Francisco foi moderno, revolucionário. Um homem simples e frágil, que rompeu com o passado e deu origem a uma grande reforma na Igreja Católica. Sua história se faz atual com valores de amor ao próximo, humildade e respeito à natureza. Uma imagem que passou por transformações ao longo da história da arte com obras-primas dos grandes mestres italianos que os brasileiros poderão apreciar nessa exposição”, declara.

Os 15 museus italianos que cederam suas obras são: Galleria Corsini, Palazzo Barberini, Musei Capitolini, Museo di Roma, Museo Francescano dell’Istituto Storico dei Cappuccini (Roma); Pinacoteca Civica, Sacrestia della chiesa di San Francesco, Convento Cappuccini (Ascoli Piceno); Museo Nazionale d’Abruzzo (L’Aquila), Galleria Nazionale dell’Umbria (Perugia); Istituto Campana per l’Istruzione permanente (Osimo); Museo Civico (Rieti), Pinacoteca Nazionale (Bolonha) e Duomo di Novara (Novara). A obra que vem de Nova York é de Ludovico Cardi (conhecido como Cigoli): “St. Francis Contemplating a Skull”, que é propriedade do colecionador e ator ítalo-americano Federico Castelluccio.

“Temos orgulho de trazer esta importante exposição para Belo Horizonte, porque a arte é imortal e o aspecto religioso acompanha as crenças humanas”, declara o presidente da FCA para a América Latina, Antonio Filosa. “São 20 obras dos mais importantes pintores do Renascimento e Barroco italianos, como Ticiano, para contemplação de todos. E sou italiano, então é sempre um motivo de orgulho poder trazer um pouco da cultura italiana para o Brasil.”

A exposição é dividida em três núcleos. O primeiro apresenta quatro obras influenciadas pela primeira fase de representação do santo, com sua aparência simples e sofrida, que transmitia as privações às quais ele se submetia com sua enorme força espiritual. O segundo núcleo ilustra, com 12 obras, a segunda fase da representação, influenciada pelos trabalhos de Giotto (1267-1337), que revolucionou a iconografia do santo. Em vez de aparecer com seu corpo franzino, Francisco é mostrado com rosto angelical e, um ícone de beleza também física, e não apenas espiritual. O terceiro e último núcleo apresenta então a terceira fase da representação de São Francisco, após se tornar grandioso no imaginário da época, passando então a estar associado à iconografia de outras figuras religiosas como a Virgem Maria, o Menino Jesus e também outros santos franciscanos. Quatro obras compõem este último núcleo.

Além das pinturas, a mostra também conta com uma sala de Realidade Virtual, com óculos que “teletransportam” o visitante direto da Casa Fiat de Cultura para a Basílica Superior de Assis (1228), na Itália. No passeio visual por uma das mais belas e importantes basílicas do país, é possível ainda conhecer as obras-primas de Giotto (1267-1337), artista símbolo dos períodos medieval e pré-renascentista.

 

Parte do segundo núcleo da exposição, com a sala do terceiro núcleo ao fundo.

“Esta mostra é uma iniciativa inédita e altamente relevante por seu alcance e valor cultural, entre as que realizamos nos últimos anos”, afirma o embaixador da Itália no Brasil, Antonio Bernardini. O cônsul italiano em Belo Horizonte, Dario Savarese, diz que esta é “a iniciativa cultural mais importante dos últimos anos, pois este é um tesouro italiano, com uma iconografia que atravessa vários séculos”.

Como para todas as atrações da Casa Fiat de Cultura, a entrada para esta exposição é gratuita. O Programa Educativo oferece ainda visitas mediadas com historiadores e artistas visuais, em dez horários diários, de terça a sexta-feira, durante todo o tempo da exposição. Para os visitantes interessados, há mediação em Libras, peças em 3D para apreciação tátil, audiodescrição e circulação descritiva ao vivo (descrições de obras e do espaço da exposição com acompanhamento de mediador). Confira no site oficial da Casa Fiat de Cultura a programação paralela relacionada ao tema principal, minicursos, percursos temático e ateliês divididos por faixas etárias, abordando desde a construção de passarinhos de papel, desenho e colagens até construção de iconografia pessoal e análise das obras expostas a partir de intervenções em reproduções reduzidas.

A exposição na Casa Fiat de Cultura vai até o dia 21 de outubro. O horário de funcionamento é de terça a sexta das 10h às 21h e sábados, domingos e feriados das 10h às 18h.

Esta matéria pode ser encontrada no Mundo FCA, um portal para quem se interessa por tecnologia, mobilidade, sustentabilidade, lifestyle e o universo da indústria automotiva.

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