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A In3citi alavanca transformações sociais investindo em startups dispostas a testar soluções no Ceará

- 4 de junho de 2019
Haroldo Rodrigues, fundador e CEO da In3citi.

O vestibular do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), é um dos mais concorridos do país. Nessa prova, a performance dos cearenses chama atenção. Em 2018, 40% dos aprovados eram naturais do Ceará. Em oito dos últimos dez anos, Fortaleza desbancou todas as cidades do país no ranking de aprovação do ITA. O Ceará tem conseguido destaque na educação, mas o baixo desenvolvimento econômico joga contra a absorção de talentos – o estado tem apenas o 11º PIB entre as unidades federativas.

Mudar este paradigma é a missão da In3citi (lê-se “intrêsciti”). Fundada por Haroldo Rodrigues de Albuquerque Jr., 48, a gestora de investimentos capta recursos de pessoas físicas e jurídicas sensíveis à causa dos negócios de impacto e aplica o dinheiro em startups baseadas em soluções digitais para adensamentos urbanos, dispostas a realizar MVPs em solo cearense com o propósito de gerar transformações sociais, ambientais e econômicas.

O ciclo de investimento dura quatro anos, com a expectativa de que as startups se tornem escaláveis nesse intervalo. Ao fim do período, a In3citi devolve o capital aplicado, mas não os dividendos, que são monetizados na forma de indicadores. Haroldo explica:

“Eu troco dinheiro por indicador social. Não devolvo os juros, eu cobro resultado do empreendedor em termos de impacto social, ambiental ou econômico”

Ele diz que precisou “romper algumas bolhas”, como abrir mão de uma carreira acadêmica para empreender em uma idade mais madura, buscando atrair parceiros e empresas normalmente concentrados nas regiões Sudeste e Sul do país. Tudo pela vontade de construir um ecossistema de inovação no estado nordestino. “Eu quero colocar o Ceará no mapa dos negócios de impacto social”, diz.

DA TEORIA À REALIDADE, UM MERGULHO NA VIDA DO CIDADÃO CEARENSE

Quem ouve Haroldo saca que ele é professor, mas não adivinha sua formação: Odontologia. Após concluir o mestrado pela Unicamp, ele começou a trabalhar na Universidade de Fortaleza (Unifor), onde passou quase 20 anos. Acumulou experiência em gestão, estruturando o programa de mestrado em Odontologia e montando a Diretoria de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação.

Em 2010, movido pelo ímpeto de ir além da vida acadêmica, Haroldo passou a conciliar a universidade com o cargo de conselheiro e, depois, presidente da Agência Reguladora do Estado do Ceará (Arce), autarquia responsável pelos serviços de gás, eletricidade, saneamento básico e transporte intermunicipal do estado.

Foi o encontro — o choque, para ser preciso — entre a teoria e a realidade: “Eu estava no mundo acadêmico e virei um ‘engenheiro’ regulador. Fui entender economia, como se define o valor de uma tarifa de serviço público”, recorda.

O mergulho numa agência encarregada de serviços e decisões que impactam diretamente o cotidiano do cidadão cearense forneceu insights importantes. “Comecei a me entender nesse processo de formação”, diz Haroldo. “E em qual processo de transformação eu poderia me engajar futuramente.”

Dois anos depois, ele deixou o cargo na Arce e assumiu a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), onde aprofundaria conhecimentos sobre as relações entre educação e economia em seu estado natal.

“Quando eu comecei a orquestrar a aplicação de recursos em prol de uma matriz de desenvolvimento, comecei a perceber que meu estado tinha algo caro a se preservar: o capital humano”

Com 8,4 milhões de habitantes, o Ceará ocupa a quarta posição no ranking atual do Índice Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), de 2017. Sobral, a 230 quilômetros de Fortaleza, apresenta o melhor ensino fundamental do país (a despeito de suspeitas de fraude que surgiram em 2018). Segundo Haroldo, porém, esse capital humano é mal compreendido do ponto de vista do investimento e da economia.

NA VOLTA DOS EUA, A DECISÃO DE SE DEMITIR E EMPREENDER

Cansado de ver “a fuga de cérebros cearenses” para outros estados, ele tornou a questão objeto de estudo e partiu para o pós-doutorado na Eller College of Management, na Universidade do Arizona, nos Estados Unidos. “Fui estudar como adaptar o desenvolvimento econômico, colocando inovação na pauta, em regiões desiguais em função das questões ambientais”, diz.

A temporada nos Estados Unidos rendeu uma visita à Califórnia, incluindo o Vale do Silício e a Universidade de Berkeley, permitindo um contato que intensificou nele o encanto pelas startups com propósito. Assim, em 2016, seis meses após retornar ao Brasil, Haroldo pediu demissão da Unifor com a ideia de empreender, mas ainda sem saber como.

Pelos anos de academia, ele sabia que sua força estava na construção de parcerias. Além disso, tinha amadurecido a ideia de que a iniciativa privada pode ser o caminho para investir em negócios justos e sustentáveis. Assim, mergulhou no Sistema B, movimento global que busca construir um ecossistema de empresas com foco em solucionar problemas ambientais e sociais.

“Há uma cultura extremamente esquizofrênica de que o desenvolvimento só se dá às custas do poder público. Eu estou à frente de uma investidora de impacto social, investindo na base da pirâmide. Sem dinheiro público”

Fundada em 2017, a In3citi é a primeira empresa cearense com certificação B. Haroldo abriu o negócio com 100 mil reais do próprio bolso. Enquanto ainda batia na porta de potenciais investidores, lançou naquele ano a primeira chamada para startups, com apoio da Pipe Social.

ENTRE AS STARTUPS, UMA FERRAMENTA CONTRA O ASSÉDIO NOS ÔNIBUS

Além do propósito comum de promover transformações sociais, ambientais e/ou econômicas, os empreendedores precisavam estar dispostos a realizar o MVP (Minimum Viable Product, ou Mínimo Produto Viável) em solo cearense. Dos 58 projetos inscritos, quatro foram selecionados e estão sob a gestão da In3citi: Wise Go, Be Cause, FazTudu e Nina. Todas são plataformas digitais em fase de validação e têm seu impacto mensurado pela metodologia da Teoria da Mudança.

Tela do aplicativo Meu Ônibus com a ferramenta da Nina, um botão para denunciar casos de assédio.

O Wise Go nasceu como guia auditivo para deficientes visuais e está sendo pivotado para atender turistas em geral. O FazTudu conecta clientes e prestadores de serviço (pintores, pedreiros, encanadores etc.) e antecipa capital de giro a esses empreendedores por meio de parcerias com fintechs.

Criada em São Paulo e de “malas prontas” para o Ceará, a Be Cause é um app que dá match entre consumidores e empresas de produtos e serviços com propósito social.

Desenvolvida pela recifense Simony César, a Nina é uma ferramenta embarcada no aplicativo “Meu Ônibus Fortaleza” para denunciar casos de assédio dentro do transporte coletivo.

A solução começou a ser testada em março e foi tema do Jornal Nacional, que registrou mais de 200 denúncias em menos de um mês. Com base nas notificações e nas imagens do circuito interno, as autoridades podem processar os assediadores pelo crime de importunação sexual.

A plataforma Nina, diz Haroldo, pode ser acoplada a qualquer app corporativo.

“Um indicador de relevo é o número de downloads [que cresceu 30%] do aplicativo Meu Ônibus após a interface com a Nina. Isso significa que as passageiras percebem-se mais seguras com a ferramenta”

Hoje, a In3citi conta com 14 investidores. Metade dos recursos (foram captados 2 milhões de reais) vão para um fundo; os juros custeiam a empresa e alguns investimentos estratégicos. Os outros 50% são aplicados nas startups como investimento-anjo. Uma vez validados os MVPs, a empresa tem preferência na oferta de recursos, convertendo o capital em equity (participação acionária).

Há dois escritórios, um no Civi-co, polo de negócios de impacto em Pinheiros, São Paulo, e outro no bairro Aldeota, em Fortaleza. O dia a dia é tocado por Haroldo e cinco funcionários. Parceiros como o Quintessa ajudam a acelerar as startups e dar o suporte necessário durante os ciclos de investimento.

A In3citi atua ainda como consultora do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) num projeto que prevê desenvolver uma modelagem de economia inteligente para resíduos sólidos em Sobral. O foco, porém, é a atuação como investidora social — uma nova rodada de seleção de startups está programada para o segundo semestre de 2019.

“Podemos produzir riqueza no Ceará. O meu papel é ser indutor nisso”, diz Haroldo. “Não tem lógica trabalhar como uma investidora de impacto sem bons empreendedores e sem empresários sensíveis que percebam que é possível diversificar o conjunto de investimentos”.

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  • Projeto: In3citi
  • O que faz: Fomenta investimento e crédito para startups de impacto social
  • Sócio(s): Haroldo Rodrigues e Alexandre Frota
  • Funcionários: 5
  • Sede: São Paulo e Fortaleza
  • Início das atividades: 2017
  • Investimento inicial: R$ 100.000
  • Faturamento: R$ 2 milhões (2018)
  • Contato: [email protected]
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