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A InstaCasa oferece projetos de casas pré-prontas para quem acabou de adquirir um terreno

- 8 de janeiro de 2019
Os sócios da InstaCasa no escritório em São Paulo: Odilon Castriota, Mauricio Carrer, Denis Cossia e Alexandre Hepner.

Mais da metade dos brasileiros já construiu ou reformou uma casa alguma vez na vida. Deste total, somente 15% utilizaram os serviços de um arquiteto ou engenheiro. Os números, apresentados em uma pesquisa de 2015 do DataFolha, encomendada pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, inspiraram a criação de uma startup que busca reverter este cenário: a InstaCasa quer “democratizar a arquitetura”, tornando o serviço mais acessível.

A ideia foi do arquiteto Mauricio Carrer, 34. Ele trabalhava na loteadora Alphaville Urbanismo, quando viu que havia oportunidade para criar um negócio de nicho, voltado para pessoas que compravam terrenos em loteamentos mais econômicos e não sabiam o que fazer depois. “Eu queria criar o ‘decorado do lote’”, referindo-se aos apartamentos decorados como modelos em prédios recém construídos. Ele prossegue:

“Quando a pessoa compra um terreno em um loteamento, tudo o que ela vê é um quadradinho verde em uma maquete. Eu queria permitir que elas enxergassem a casa dos sonhos”

A pesquisa de 2015 serviu como validação de que a ideia tinha potencial. Em meados de 2016, Mauricio, que sempre foi mais voltado para a parte de gestão do que a de projetos em si, falou do projeto para dois colegas de faculdade, Denis Cossa, 36, e Alexandre Hepner, 33. A proposta era conectar os compradores de terrenos em loteamentos em condomínios e bairros planejados a arquitetos que poderiam fazer o projeto das casas. A boa e velha vontade de se tornar o “Uber” de algo — neste caso, da arquitetura.

COMO ATRAIR UM PÚBLICO QUE NÃO VÊ NECESSIDADE NO SEU PRODUTO?

Colocaram o negócio em prática na virada para 2017, com o investimento de cerca de 500 mil reais, mas logo perceberam que não daria certo. Afinal, estavam lidando com um público que não tinha o hábito de contratar arquitetos. De nada adiantaria conectá-los a um serviço que nem pensavam necessitar. Resolveram mudar para uma estratégia mais criativa: criar uma base de dados de projetos pré-prontos feitos sob medida para terrenos de loteamentos e oferecê-los aos donos dos empreendimentos como um recurso de venda, consolidando aquela vontade de possibilitar a visualização da “casa dos sonhos”.

Ao cadastrar o número do lote na plataforma da InstaCasa, o comprador pode ver as opções de projetos adaptados ao local e, depois, receber o plano completo para download com as especificações técnicas.

O objetivo era tornar o serviço da InstaCasa parte do custo de comunicação para alavancar as vendas — algo já previsto no orçamento dos empreendedores e que, graças à experiência na Alphaville Urbanismo, Mauricio conhecia e sabia que poderia se tornar a chave para monetizar o negócio.

A lógica era criar algo para o empreendedor oferecer como um bônus aos compradores. “O projeto de uma casa, seguindo os padrões técnicos exigidos por cada prefeitura, custa cerca de 5.400 reais”, diz Mauricio. Com a InstaCasa, ele é oferecido como parte do pacote de compra.

Ainda em 2017, lançaram a plataforma online. Funciona assim: o usuário (comprador do lote) insere o número do terreno e vê as opções de projetos que se encaixam no local.

Ao escolher a opção, que permite poucas ou nenhuma alteração (cerca de 30% dos clientes pedem alterações e, para isso, pagam um valor adicional), e assinar um termo de confidencialidade para evitar a “pirataria” de projetos, ele recebe o plano completo para download, já com as especificações técnicas e a previsão de orçamento. Erguer uma casa de 150 metros quadrados, com duas suítes, por exemplo, sai cerca de 160 mil reais com acabamento de baixo padrão.

Também há uma ferramenta que permite a visualização do projeto em realidade aumentada. Para cada loteamento, a InstaCasa oferece de 150 a 200 projetos personalizados e compatíveis com o empreendimento. Este ano, eles pretendem faturar 2,5 milhões de reais. Mauricio afirma:

“Nosso primeiro cliente vendeu 90% dos lotes na primeira semana, o que evidenciou o valor gerado pela InstaCasa”

Ele conta que o negócio é remunerado por lote vendido, a uma taxa de cerca de mil reais. Para fechar o contrato, há um valor mínimo de lotes, em geral 100. Mas, até o momento, a maioria dos 14 empreendimentos que contrataram o serviço ofereceram a opção a todos os compradores.

UM DESAFIO: MANTER A QUALIDADE EM PROJETOS DE LARGA ESCALA

Do ponto de vista da empresa, o negócio é rentável graças a uma cadeia produtiva organizada. Alexandre e Denis estavam acostumados a produzir projetos em larga escala para uma grande rede de farmácias paulistana. Com uma equipe enxuta, de dez pessoas, mais alguns terceirizados no setor jurídico e na área de tecnologia, eles levam de dois a três meses para desenvolver a base de projetos. É quase uma linha de montagem arquitetônica. “É graças a essa inteligência de processos que conseguimos oferecer uma arquitetura de boa qualidade em larga escala”, conta Mauricio.

A ferramenta de realidade aumentada oferecida pela InstaCasa permite a visualização de como a casa ficará pronta.

Entre as soluções encontradas está o estudo prévio das legislações de diversas cidades, permitindo a criação de uma espécie de padrão próprio da InstaCasa. Isso porque cada local tem suas próprias regras de tamanho de portas, pé direito, número de janelas, entre outros. Ao criar o padrão, os arquitetos não precisam se preocupar em estudar toda a legislação de cada nova cidade para desenvolver o projeto, correndo o risco de ter que atualizar e refazer possíveis restrições ou problemas.

Isso também ajuda na escalabilidade do negócio. Hoje, a InstaCasa atua principalmente em São Paulo, mas há empreendimentos no Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Maranhão que contrataram o serviço. Como tudo é feito digitalmente, não há fronteiras nem barreiras para a atuação. Talvez por isso eles sonhem grande e pensem em, um dia, se tornar um canal de conexão para a construção civil, cobrindo todas as etapas e conectando serviços desde o financiamento até a obtenção do material e a mão de obra.

O objetivo principal, porém, segundo Mauricio, sempre vai ser o de fornecer arquitetura de qualidade ao menor custo e para o maior número de pessoas possível. Um futuro a ser construído, um tijolo por vez.

DRAFT CARD

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  • Projeto: InstaCasa
  • O que faz: Projetos de arquitetura pré-prontos para loteamentos
  • Sócio(s): Mauricio Carrer, Denis Cossia, Alexandre Hepner e Odilon Castriota
  • Funcionários: 10
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2017
  • Investimento inicial: Cerca de R$ 500 mil
  • Faturamento: R$ 2,5 milhões (previsão para 2019), 14 empreendimentos contrataram o serviço.
  • Contato: [email protected]
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