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A Nexo e o Prosas conectam quem investe e quem capta recursos na área social

- 30 de novembro de 2018
Thiago Alvim (à esq.) e Bruno Barroso, sócios da consultoria Nexo e da startup Prosas

“Existe um Brasil que é invisível para quem está aqui em São Paulo, onde estão concentrados os recursos para a área social. Tem tanta coisa legal acontecendo, iniciativas que a gente vê e pensa: pôxa, um projeto desses não pode morrer. É o que acontece muitas vezes. Morre, paralisado. Ou sobrevive, mas gerando um impacto muito aquém do que poderia.”

Dar visibilidade a esse Brasil invisível é uma das propostas dos empreendedores mineiros Bruno Barroso e Thiago Alvim. A dupla está à frente de dois empreendimentos que iluminam o setor de investimentos sociais, conectando patrocinadores e organizações na luta para captar recursos. Com sede em Belo Horizonte, a consultoria Nexo e a startup Prosas fincaram os pés na capital paulista e são residentes do Civi-co, o pólo de negócios de impacto cívico-social instalado em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo.

Bruno e Thiago se conheceram quando trabalhavam no Instituto Inhotim, o centro de arte contemporânea e jardins verdejantes em Brumadinho, a 60 km de BH. O trabalho deles era elaborar projetos e prospectar patrocinadores.

“E começamos a notar que havia muito recurso subutilizado nas empresas”, diz Bruno. “Porque as estruturas, as equipes com as quais conversávamos, eram muito enxutas, frequentemente eram ‘eu-quipes’, com uma única pessoa olhando para o tema na organização e que não conseguia se manter atualizada sobre mudanças de legislação, não sabia como lidar com incentivos fiscais, selecionar projetos, monitorar a execução…E vimos que havia aí uma oportunidade.”

Transformar essa oportunidade em um negócio ainda levaria cerca de um ano (período em que Bruno engatou um trainee na área comercial da Unilever, em São Paulo, enquanto Thiago se dedicava ao mestrado em Administração Pública). Mas naquela percepção estava contida a semente da primeira empresa da dupla:

“A Nexo surgiu em 2011 com a missão de otimizar e sistematizar o investimento social corporativo”, diz Bruno. Ele e Thiago rapidamente perceberam que existiam demandas concretas nas duas frentes: de um lado, as empresas e os institutos que investem na área social; e na outra ponta, do outro lado da “mesa”, instituições culturais e organizações da sociedade civil em busca de recursos para sua sustentabilidade financeira.

“Inicialmente, estávamos mirando os investidores. Mas quem nos ‘cutucava’, em bom ‘mineirês’, eram os proponentes. Começamos a trabalhar com a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, o Grupo Corpo, o Museu de Arte do Rio (MAR), que estava surgindo na época….”

Ampliar o foco para além da cultura ajudou a Nexo ganhar robustez. Em 2013, a consultoria começou a desbravar a área de saúde, impulsionada pelo lançamento do PRONON e do PRONAS (programas de incentivos fiscais que visam, respectivamente, o apoio à assistência oncológica e aos cuidados das pessoas com deficiência) e, posteriormente, com o Fundo do Idoso.

“A área da saúde tem muita demanda, grandes players, hospitais filantrópicos que dependem dessa captação de recursos. Esses incentivos abriram uma janela de oportunidade que antes não existia.”

Hoje, a Nexo ajuda a mobilizar cerca de R$ 50 milhões por ano para as áreas de Saúde, Cultura, Esporte e Assistência Social. Em alguns casos, apoiando o trabalho dos investidores sociais e, em outros momentos, trabalhando com as organizações.

Um exemplo prático: em parceria com a Vale, a Nexo apoiou a APAE de Eldorado dos Carajás, no Pará, a ser a primeira organização contemplada pelo PRONAS no Norte do país. Os recursos investidos contribuíram para reduzir a fila de espera dos pacientes na região e na ampliação dos atendimentos gratuitos. A Nexo apoiou ainda a formalização de uma parceria com a Embaixada do Japão, que permitiu a construção da nova sede da entidade.

Captar recursos, porém, é um processo exaustivo, de longo prazo. Há cerca de 800 mil ONGs no país, um número que impõe restrições ao alcance de uma consultoria.

“Todo dia tocava o nosso telefone com alguma ONG ligando, perguntando: ‘Me ajuda a captar recursos?’ “Muitas vezes, o problema está no acesso. Você conta nos dedos quantas dessas organizações de fora do Rio e de São Paulo conseguem pegar um avião para conversar com uma empresa – ou mesmo saber com quem falar.”

“A gente respondia muito mais ‘não’ do que ‘sim’. Mas e aí? Será que não existe outro caminho para ajudarmos essas organizações? Isso começou a nos incomodar demais”, diz Bruno. Dessa inquietação nasceria uma segunda empresa. “O Prosas foi a forma que achamos para escalar essas conversas entre quem investe e quem capta recursos na área social.”

O Prosas é uma ferramenta que conecta investidores sociais e os realizadores de iniciativas na área social, sejam organizações da sociedade civil, negócios de impacto ou mesmo pessoas físicas.

Por um lado, é uma ferramenta específica para que empresas, institutos e governos façam a seleção e monitoramento de projetos na área social, além de se conectarem à uma ampla rede de proponentes. A lista de clientes que contratam o Prosas para gerenciar seus processos inclui marcas como Ambev, Cielo, Itaú, Fundação Roberto Marinho, Gerdau, Basf e Canal Futura.

Na outra ponta estão empreendedores e organizações em busca de recursos, que fazem uso gratuito da plataforma (há algumas funcionalidades pagas, como o alerta de editais). Esses usuários acessam a plataforma em busca de informações detalhadas sobre mais de 4.000 editais que já foram divulgados ou que tiveram inscrições pela plataforma desde 2015. O Prosas tem hoje 45 mil usuários cadastrados, e o número chega a crescer 10% ao mês: sempre que uma empresa, uma fundação ou algum órgão do governo lança um edital no Prosas, quem se inscreve passa a fazer parte da base.

Essa rede “acoplada” é um dos muitos trunfos do Prosas. Outra vantagem: com a plataforma na nuvem, o histórico dos processos não se perde caso o responsável pela área de investimentos sociais deixe a companhia – além de ajudar em processos de compliance, que tem sido cada vez mais comuns nas empresas. E a ferramenta de seleção é personalizável, permitindo configurar critérios e agilizar a triagem das propostas e o acompanhamento da execução:

“Hoje, na plataforma, você consegue ter um diário de bordo, que pode ser público ou compartilhado apenas entre quem patrocina e quem recebe o recurso. Também pode parametrizar as metas, a periodicidade de monitoramento e o prazo que o patrocinador e o empreendedor pactuaram para o envio de relatórios.”

A consultoria Nexo e a plataforma Prosas funcionam de forma independente, com estruturas separadas. Não há a necessidade de contratação de ambas as empresas, ainda que haja sinergia entre elas. Alguns investidores sociais usam a Nexo como um braço técnico, mas conduzem a seleção e o monitoramento dos projetos internamente. Ou vice-versa, lançando mão do Prosas, porém recorrendo a outras consultorias.

“Nosso grande valor é ser um intérprete. Tanto a Nexo quanto o Prosas ocupam esse lugar de convergência, de conexão entre quem investe e quem capta. Temos tido sucesso na conexão entre essas pontas que hoje, muitas vezes, não conversam.”

Somadas, as duas empresas têm 41 pessoas contratadas, em regime CLT. As equipes se dividem entre BH e São Paulo, com presença no Cubo, espaço de startups do Itaú, e também no Civi-co:

“Estar no Civi-co nos dá essa dupla possibilidade: interagir com grandes empresas que estejam abrindo os olhos para o fato de que existe um ecossistema de inovação social no Brasil; e conviver com empreendedores, ‘esbarrar e tomar um café’ para discutir parcerias com pessoas que têm desafios semelhantes aos nossos.”

Democratizar as oportunidades em prol de um Brasil melhor é o que motiva o empreendedor:

“Sabe aqueles ‘nãos’ que a gente respondia? ‘Pôxa, não consigo te ajudar…’ Agora já conseguimos, facilitando a captação de recursos com informação organizada e gratuita.”

Desde que o Prosas foi criado, em 2015, mais de 800 iniciativas sociais foram financiadas por meio da plataforma, totalizando mais de R$ 40 milhões em recursos aportados.

O próximo grande desafio é ampliar a utilização do Prosas por organizações públicas, como acontece com a Secretaria de Estado de Cultura do Espírito Santo, que hoje é realizado de maneira gratuita:

“A adoção por organizações públicas é o caminho que vislumbramos para dar uma escala ainda maior para nossa rede, para consolidar o Prosas como uma das principais bases de dados sobre a área social no país. É ao mesmo tempo um desafio, fazer negócios com o setor público, mas também uma oportunidade, tendo em vista algumas exigências impostas pelo Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC).”

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