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A Pablita cria anéis, brincos e colares com pastilhas de vidro reaproveitadas da construção civil

- 13 de maio de 2019
A arquiteta Lígia Massabki lançou a Pablita em 2018 e trabalha com o conceito de upcycling ao reutilizar pastilhas de vidro para produzir suas peças.

“Nunca tive vontade de ter meu próprio negócio”, diz Lígia Massabki, 35. “Mas quando cheguei aos 30 anos, tive uma crise e comecei a pensar que não queria ficar a vida inteira trabalhando para alguém, batendo ponto e tendo horário.”

Lígia é arquiteta de formação. Antes de empreender, atuou em escritórios e construtoras de Curitiba e Balneário Camboriú (SC). Hoje, ela é dona da Pablita, uma marca curitibana que se apoia no conceito de upcycling (a reutilização criativa de produtos que já estão no mercado) para produzir anéis, brincos e colares a partir de revestimentos descartados pela construção civil, principalmente pastilhas de vidro.

A marca nasceu em 2018. Lígia já sondava o funcionamento de e-commerces e foi pesquisar que tipo de produto poderia vender pela internet. Chegou assim à ideia dos acessórios, algo que ela já consumia e que poderia “conversar” com a linguagem da arquitetura.

O nome foi inspirado no cachorro da arquiteta, o Pablo, um pug de 2 anos. “Eu o chamo de Pablito. Como queria algo forte, marcante e com significado pra mim, cheguei em Pablita, que tem tudo isso e ainda tinha domínio e redes sociais disponíveis.”

SEM QUERER, O UPCYCLING SE TORNOU UM VALOR FUNDAMENTAL

Lígia busca a matéria-prima em obras da cidade, a partir do contato com arquitetos que ela conhece, e no setor de mosaico das lojas de material de construção, que vendem a preços baixos pastilhas de mostruário e itens que apresentam pequenos defeitos.

“As pastilhas de vidro são comercializadas em telas de 10×10 metros. Se uma peça da tela estiver lascada ou riscada, já não é usada pelos arquitetos. Para mim funciona porque posso descartar a pastilha com defeito e usar todas as outras.”

Os acessórios da Pablita são vendidos pelo site, em feiras e lojas conceito de Curitiba.

Os colares, brincos e anéis são criados a partir do material que ela tem em mãos. A combinação de formas e cores resulta no estilo geométrico e escultural da Pablita, que Lígia criou para se aproximar da sua área de formação. O preço das peças varia de 49 reais (anel) a 89 reais (colares).

O reaproveitamento de materiais surgiu porque as primeiras peças foram feitas usando pastilhas de mostruários antigos e restos de obras que a arquiteta já tinha em casa.

“A marca não nasceu porque eu queria fazer upcycling. Isso veio quando eu já estava criando as peças e acabou se tornando um valor fundamental e nosso principal conceito”

Lígia acabou estendendo o conceito às embalagens, que podem ser reaproveitadas pelos clientes: uma caixa de MDF personalizada com o logotipo da marca e uma ecobag, usada para embalar as peças nas feiras.

EMPREENDER EXIGIU FOCO E A AQUISIÇÃO DE NOVOS APRENDIZADOS

Para lançar a Pablita no mercado, Lígia precisou de seis meses de planejamento, período em que se dividiu entre o emprego e a construção da marca.

O investimento inicial foi de 10 mil reais, que ela usou para construir o site, comprar material para as primeiras peças e ter uma consultoria especializada em marketing digital e e-commerce. “Precisava organizar as minhas ideias, que estavam muito largadas.” Um mês depois de lançar o site, Lígia teve de deixar o emprego para se dedicar integralmente ao novo negócio:

“Achei que com o e-commerce rodando, o negócio ia andar sozinho e eu poderia continuar com as minhas funções de arquiteta por um tempo. Mas tudo aconteceu rápido demais e eu precisei escolher onde focar para não fazer as duas coisas mal feitas.”

Trabalhando sozinha, ela corria atrás de matéria-prima, produzia as peças, fotografava, colocava no site, vendia, emitia nota fiscal e ia ao correio.

“Como meu trabalho como arquiteta sempre foi mais técnico e eu ficava atrás do computador, aprender a vender, negociar e me relacionar com os clientes foi, e ainda é, o maior desafio dessa jornada”

Ela diz que está curtindo a experiência de trabalhar por conta própria, sem carteira assinada: “Acordo muito mais motivada por estar correndo atrás de uma marca que eu inventei. É diferente de correr atrás do sonho de outra pessoa, de uma empresa. E as coisas estão dando certo, o que me motiva a continuar”.

EXPONDO OS ACESSÓRIOS EM FEIRAS, LOJAS E MUSEUS

Em 2018, Lígia levou a Pablita para feiras de produtos artesanais em Curitiba. Foi uma forma de ter um contato mais próximo com os clientes, ouvi-los e entendê-los.

Este ano, porém, ela mudou a estratégia. O foco, agora, é colocar os produtos em lojas conceito. Em Curitiba, as peças são vendidas nas lojas do Museu Oscar Niemeyer e da Ópera de Arame, dois dos principais pontos turísticos da cidade, e também no Espaço Moko, no Shopping Estação, e na Balaio de Gato Brechó, no Centro.

Agora, a empreendedora busca estabelecimentos parceiros em outras cidades, principalmente São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, mercados que pretende conquistar ainda este ano.

“Já estou nos principais pontos de Curitiba. Agora tenho o desafio de estruturar uma operação para levar a Pablita a outras capitais”

Para atender à nova demanda, Lígia contratou três pessoas que trabalham de casa e são remuneradas por peça produzida. Com isso, das 70 peças mensais que ela fabricava sozinha, a produção saltou para 200 unidades por mês. “E ainda não estamos operando com a capacidade toda. Podemos produzir mais, gradualmente.”

COMO CRESCER SEM ABRIR MÃO DO VALOR CENTRAL DA MARCA

A jornada empreendedora de Lígia mostrou que o e-commerce, sua ideia inicial, não era o melhor canal para o seu negócio. Hoje, as vendas pelo site representam pouco para o faturamento do negócio (de 7 mil reais por mês, em média).

Ecobags e caixas em MDF são os dois modelos reaproveitáveis de embalagem da Pablita.

Em 2018, a maior parte das transações se deu em feiras. Hoje, cerca de 80% do faturamento vem das parcerias com lojas de Curitiba. Estar em dois pontos turísticos importantes, o Museu Oscar Niemeyer e a Ópera de Arame, espaços conhecidos pela arquitetura arrojada (com a qual a marca se identifica), contribui para o sucesso das vendas.

Por outro lado, um obstáculo para a comercialização online é justamente a dificuldade de se produzir peças iguais, devido ao uso de matéria-prima reaproveitada.

“Isso é um diferencial, mas é também um dos motivos pelos quais minha loja virtual não é a principal fonte de receita. É demorado e trabalhoso colocar a foto das peças no e-commerce e não compensa muito porque não tenho estoque. Então, a maioria dos acessórios não está online, mas nas lojas.”

Essa limitação imposta pelo upcycling é um ponto a ser avaliado quando Lígia pensa em como escalar o seu negócio. A empreendedora quer que a Pablita cresça, mas sem abrir mão da sua essência:

“Vai chegar um momento em que não vai ter tanta peça de reaproveitamento para suprir a minha demanda. Se eu começar uma mini fábrica para produzir pastilha de vidro, perco o meu conceito.”

DRAFT CARD

Draft Card Logo
  • Projeto: Pablita
  • O que faz: Acessórios com pastilhas de vidro de descarte da construção civil
  • Sócio(s): Lígia Massabki
  • Funcionários: 3 parceiras na produção das peças
  • Sede: Curitiba (PR)
  • Investimento inicial: R$ 10.000
  • Faturamento: R$ 7.000 por mês, em média
  • Contato: contato@pablita.com.br
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