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A VIK encontrou sua vocação ao criar desafios que incentivam a prática esportiva entre colaboradores

- 4 de setembro de 2019
Pedro (à esq.) e Tomás, os sócios da VIK, que já engajou mais de 30 mil participantes.

Pedro Reis já disputou duas vezes o IronMan, oito meia-maratonas e dez triatlos. Tomás Camargos faz atividades variadas, como jiu-jitsu e mountain bike. A competição, porém, não é entre eles. Tomás, 32, e Pedro, 31, são os sócios-fundadores da VIK, startup baseada em Belo Horizonte que se anuncia como uma plataforma de saúde corporativa e engajamento dos colaboradores por meio de desafios de corrida e outras modalidades.

Os participantes têm acesso às informações relativas às provas por um app ou pelo site, disponíveis apenas para os colaboradores. Cada atividade tem uma meta mínima, diária. Para corrida e caminhada, são 4 quilômetros; bike, 10 km; musculação, 45 minutos. A performance é comprovada por dados de GPS e pelo input manual do próprio usuário, incluindo o envio de fotos.

A saúde da força de trabalho não é o único resultado positivo da atividade. “O impacto que a gente causa na empresa é grande. A relação das pessoas fica mais leve no dia a dia”, diz Tomás. Mais de 30 mil pessoas já passaram pela plataforma, disputando provas em cerca de 300 cidades do país (e outras 20 de fora, como Buenos Aires, Londres e Nova York).

NO COMEÇO, UM MARKETPLACE COM PERSONAL TRAINERS COMO VENDEDORES

Tomás trabalhava no departamento comercial da Fundação Dom Cabral em BH, na área de captação de patrocínios. Pedro era gerente de marketing da Prodap, empresa do agronegócio com frentes em tecnologia, software e nutrição animal. Conheceram-se num encontro profissional e descobriram em comum a paixão pelo esporte e a vontade em empreender.

“O Pedro trouxe a ideia de criarmos algo relacionado a atividade física em julho de 2015 e, naquele momento, começamos a pesquisar o mercado. Em novembro, abrimos a empresa e conseguimos o CNPJ”, diz Tomás. 

Desenharam um primeiro modelo de negócio: uma plataforma de venda de produtos esportivos (de roupas a suplementos e marmitas fitness), uma espécie de marketplace em que os vendedores eram personal trainer. A ideia era que o profissional ganhasse uma comissão de cada vendas para seus alunos. Em pouco tempo, a VIK já tinha mais de 100 profissionais cadastrados e R$ 10 mil mensais de faturamento. Mas o modelo falhou.

“Em meados de 2016, faturamos R$ 70. O modelo travou e percebemos que não iria sair do lugar. De lá pra cá, pivotamos completamente. Mantivemos o nome, VIK, e a paixão por esportes. De resto, mudamos tudo”

Além do personal trainer nem sempre ter o “tino comercial” para as vendas, havia um conflito delicado: o profissional muitas vezes se sentia desconfortável ao oferecer o produto, pois o aluno poderia supor que ele só estava fazendo a indicação para receber a comissão.

NO MEIO DO CAMINHO, MUDANÇA DE RUMO E UM NOVO MODELO DE NEGÓCIO

Nessa altura, além de investir uns R$ 15 mil, cada, do próprio bolso, Pedro e Tomás já tinham conseguido um investimento total de R$ 400 mil, com o aporte de três pessoas físicas, incluindo um tio do Tomás e Paula Laudares, executiva líder da consultoria alemã Kienbaum no Brasil.

Quando perceberam que a ideia original não daria certo, eles guardara, o estoque de produtos no porão da avó de Tomás e partiram para outra ideia. Já tinham identificado que eventos esportivos estavam em alta. Assim, em dezembro de 2016, criaram uma plataforma com um desafio de corrida. Para entrar na brincadeira, bastava se inscrever (pagando R$ 19,90) e sincronizar com apps como o Strava ou num GPS. Ganhava quem somasse a maior quantidade de quilômetros percorridos.

Após a primeira prova, começaram a receber vários e-mails dos participantes agradecendo pelo evento. Junto com as mensagens pipocou na cabeça deles a sacada de que tinham descoberto um nicho interessante:

“Logo neste primeiro teste, tivemos uma adesão de umas 400 pessoas, que consideramos boa. Foi então que percebemos que nós tínhamos tocado as pessoas e as motivado”

Com esse novo foco, a dupla organizou, em 2017, para a rádio BandNews e para lojas franqueadas da Adidas, em BH, e também para a Polar, em São Paulo. Esses eventos engajaram aproximadamente 20 mil pessoas. E os produtos guardados na casa da avó do Tomás viraram prêmios para os participantes, uma forma de escoar o estoque da primeira fase do projeto.

O NOVO FOCO: INVESTIR EM DESAFIOS CORPORATIVOS ENTRE FUNCIONÁRIOS

A VIK virou uma startup de eventos esportivos. Os eventos eram contratados pelo departamento de marketing dessas empresas clientes, uma forma de se relacionarem com seus seu públicos-alvo. Pedro e Tomás, porém, concluíram que o modelo poderia ter limites de escala. “Nossa pergunta era: por que não levar diretamente essa proposta para dentro das empresas, como um desafio corporativo entre os funcionários?”, diz Tomás.

No fim de 2017, realizaram um teste entre as equipes da consultoria Kienbaum. Os quatro escritórios da empresa no Brasil (São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Jaraguá do Sul, em Santa Catarina) competiram entre si. “Cada escritório era um time. Nós focamos em estimular a mudança do hábito e a diminuição do sedentarismo.”

No ano seguinte, a startup conquistou os dois primeiros clientes pós-pivotagem. A Prodap, que tem mais de 200 funcionários, e a Forno de Minas, da qual cerca de 600 colaboradores participaram do desafio. Segundo Tomás, manter os participantes engajados ainda era difícil:

“Nesse momento, ainda estávamos testando e errando muito… Demos muita ‘canelada’. Nós mantínhamos o desafio por seis ou sete meses e as pessoas começavam o animadas mas, aos poucos, iam perdendo a motivação”

Os sócios foram realizando ajustes e incorporando atividades, como bike e musculação. As competições, que duravam apenas 30 dias, ganharam duração mais longa. Hoje há rankings por equipe e individual, por modalidade, sexo e faixa etária.

UM DESAFIO DE MEDITAÇÃO TERÁ APOIO DE UM SENSOR EMBARCADO NO APP

O engajamento varia; em alguns casos, supera 90% do time. Antes de “topar a missão”, o atleta-funcionário preenche um teste com cerca de 50 perguntas sobre saúde, sono, alimentação etc. Automaticamente, um gráfico informa sua condição física numa escala de zero a dez. Segundo os sócios, 40% dos participantes deixam de ser sedentários após encarar o desafio.

O aplicativo da VIK também funciona como rede social: os funcionários podem curtir, fazer comentários e compartilhar informações entre si:

“Quando vimos, o desafio estava não só ajudando as pessoas a deixarem de ser sedentárias, mas aumentando a interação entre os funcionários. A gente tem caso de clientes que renovaram por causa dessa maior interação”

A taxa de renovação de contratos, por sinal, gira em torno de 70%. A mensalidade é cobrada conforme o total de colaboradores: quanto mais funcionários, menor o valor unitário, que pode ficar abaixo de R$ 1/mês. Em 2018, a VIK conquistou 20 clientes, como Localiza, Itambé, Falconi, Grupo Dasa, BHIP, Aliança Energia. O faturamento atual está em R$ 1 milhão.

A nova empreitada é um desafio de meditação. Em parceria com a clínica Neuroglia, a VIK encomendou o desenvolvimento de um sensor para medir, a partir de imagens capturadas pela câmera do celular, a sincronia entre batimentos e respiração que acompanharia o estado meditativo. A previsão é incorporar essa funcionalidade ao app em janeiro. “É algo novo, não encontramos nada parecido no mundo”, diz Tomás.

 

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  • Projeto: VIK
  • O que faz: Plataforma de saúde corporativa e engajamento dos colaboradores por meio de desafios de atividade física.
  • Sócio(s): Tomás Camargos e Pedro Reis
  • Funcionários: 13
  • Sede: Belo Horizonte
  • Início das atividades: 2015
  • Faturamento: R$ 1 milhão (2019)
  • Contato: [email protected]
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