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Ao descobrir que estava grávida, ela gestou também a Nós e o Davi, empresa de fraldas ecológicas

- 2 de janeiro de 2019
Laís de Oliveira se sentia incomodada com o lixo gerado pelas descartáveis. Resolveu, então, criar uma versão de pano que pode ser usada 800 vezes. Outro diferencial do negócio é contratar apenas mães.

O final de 2012 foi decisivo na vida da catarinense Laís de Oliveira, 27. Ela conta que trabalhava em uma multinacional no departamento de Tecnologia da Informação, “ganhava bem para quem tinha ensino superior incompleto” e o futuro era promissor, mas a um custo muito alto: não sobrava tempo para mais nada além do próprio trabalho.

Ela já tinha decidido que, mesmo ganhando menos, estaria mais feliz mantendo um estilo de vida mais simples, e resolveu pedir demissão. Só que, um mês depois, veio a notícia, “no susto” de que estava grávida do primeiro filho, o pequeno Davi.

Não bastasse o combo gravidez-desemprego-recomeço, ela descobriu que a criança sofria da chamada APLV, que é a Alergia à Proteína do Leite de Vaca. Era um convite urgente para que Laís se dedicasse integralmente à maternidade, o que não significava que a vida profissional seria deixada de lado.

Ela ainda não sabia, mas o embrião no ventre não era apenas de Davi, mas do empreendimento que viria a criar em 2013: a Nós e o Davi, empresa de fraldas ecológicas de pano, que surgiu dos questionamentos da própria mãe diante do lixo que produzia com as opções descartáveis.

COMO CRIAR FRALDAS QUE PODEM SER USADAS 800 VEZES

O que, de fato, foi o ponto de virada para empreender produzindo fraldas? “Principalmente a gestação. Engravidei jovem e esse mundo de filhos estava totalmente fora da minha realidade, então, fui para a internet me envolver nesse universo. Encontrei, entre outros temas, depoimentos de famílias que faziam o uso de fraldas ecológicas, que foram minha primeira chamada”, conta Laís. Mas o maior impacto, mesmo, aconteceu nas primeiras semanas de vida do filho:

“Ficava apavorada com a quantidade diária de lixo produzida apenas pelas fraldas. Pensava em todos os bebês do planeta e aquilo fez com que eu buscasse uma solução”

A partir do contato com outras mães na internet, a futura empreendedora decidiu criar um blog para compartilhar suas experiências, já com essa visão dos danos que as fraldas comuns causavam ao meio ambiente. O produto, segundo uma pesquisa encomendada pela Nós e o Davi, demora de 400 a 500 anos para se decompor e, normalmente, um único bebê consome cerca de 5 500 fraldas descartáveis durante os primeiros anos de vida.

As fraldas da Nós e o Dabi são feitas de pano e podem ser usadas até 800 vezes.

A fundadora garante que as fraldas que comercializa podem ser reutilizadas cerca de 800 vezes, graças ao tamanho regulável por meio de 12 botões frontais e elásticos nas pernas e nas costas, permitindo que sejam usadas desde o nascimento até o desfralde da criança (e ainda podem ser reaproveitadas por outros bebês, se for o caso).

Mais precisamente sobre a composição do produto, elas são feitas com duas camadas de tecido (sendo uma externa, com estampa impermeável, e outra que protege o bebê do molhado). Podem ainda ser lavadas na máquina – sendo que a sugestão da própria fabricante é utilizar pouco sabão e não colocar amaciante.

Antes de desenvolver um produto com essas características, Laís foi costurando, literalmente, o modelo ideal. “Inicialmente, investi muito pouco. Foram 5 mil reais que recebi ao sair da empresa de TI. Além disso, ganhei tecidos da minha mãe e da minha tia.” Com isso, ela conta que conseguiu manter o negócio operando por um ano.

ALÉM DE GERAR MENOS LIXO, A EMPRESA FORTALECE OUTRAS MULHERES

Toda a matéria-prima é nacional, desenvolvida pela empresa em parceria com uma indústria têxtil do sul do país. Já o maquinário e a fábrica foram montados a partir da experiência da família de Laís, que trabalha há 30 anos no ramo de confecção.

O diferencial, no entanto, está na mão de obra: mulheres que vivenciavam na pele a maternidade (e também o medo de serem descartadas pelo mercado de trabalho por causa da gravidez). A empreendedora afirma:

“Quem compra da Nós e o Davi está levando para casa um produto que fortalece mães no mercado de trabalho”

Ela prossegue: “Para nós, não importa apenas não gerar lixo no planeta. Acreditamos que um produto sustentável é aquele que beneficia todos os envolvidos”. Hoje, a empresa opera em um escritório em Florianópolis, onde trabalham cinco mulheres, armazenando o estoque de fraldas prontas, fazendo o despacho das encomendas, atendimento ao cliente, marketing e operações financeiras.

Já em Tijucas, no litoral catarinense, fica a fábrica. “É lá que recebemos a matéria prima, cortamos, costuramos, fazemos o acabamento e revisamos.” Lá, trabalham outras nove mulheres.

SENSIBILIZAÇÃO DO CONSUMIDOR: UM DOS DESAFIO DOS NEGÓCIOS SUSTENTÁVEIS

Uma fralda da Nós e o Davi custa, em média, 60 reais (isso no caso dos modelos diurnos). Mas há também as opções do modelo Aio, que custam 70 reais e já vêm prontas para vestir o bebê. Todas as fraldas têm estampas infantis exclusivas, sendo que a loja online também vende acessórios como absorventes e babadores.

As fraldas da Nós e o Davi  têm estampas exclusivas e custam a partir de 60 reais.

Segundo Laís, o cliente paga pela mão de obra remunerada de forma justa, já que o fato de só empregar mulheres com vivência no próprio produto fabricado (ou seja, mãe) faz com que seja possível “dar todo suporte para que as famílias consigam manter esse novo estilo de vida”.

A empresa fatura, atualmente, 90 mil reais por mês (em 2017, faturou 1,5 milhão de reais), e o principal desafio das vendas é sensibilizar o consumidor para entender o que está por trás dos itens. “Querer gerir uma empresa e equipe com um pensamento diferente cria muitos conflitos, questões a serem dialogadas. Além de tudo, é preciso fazer isso caber em um molde de venda que seja financeiramente sustentável para o crescimento da empresa.”

A mãe da ‘Nós e o Davi’ elege, todo ano, qual foi o grande desafio do período — aquele problema que demandou mais tempo e energia e gerou aprendizados. Ela conta que eles foram mudando conforme a empresa foi crescendo. “Em 2018, foi manter nosso propósito e modo de trabalhar em sintonia com o crescimento da equipe”, diz. E continua:

“Teve um ano em que oferecemos muitas promoções e ainda estamos nos recuperando. Isso fez com que o cliente parasse de enxergar o valor do produto”

Apesar dos desafios, Laís tem noção de todos os aspectos positivos que a empresa trouxe para sua vida, como a união e a torcida da família para que o negócio desse certo. “Minha mãe e minha tia deram todo suporte, com o conhecimento delas como empresárias no ramo de confecção e com mão de obra. Já meu pai, por um ano, colocou todos os botões nas fraldas”, relembra.

Ela também conta que a mãe e a avó foram muitas vezes “um banco”, emprestando dinheiro sem juros quando a empresa, trocadilho à parte, ainda engatinhava. Além disso, as amigas da empreendedora e também a sócia dela na Nós e o Davi, Ana Letícia Deolindo, 26, “seguraram a onda nos desafios que surgiram”.

O PROTAGONISTA DO NEGÓCIO PARTICIPA DA JORNADA EMPREENDEDORA DA MÃE

Um ponto interessante na trajetória da Nós e o Davi é que o crescimento da empresa acompanha o crescimento do próprio bebê de Laís. A empreendedora, que está grávida de sete meses do segundo filho (uma menina), se derrete ao falar da relação de Davi com o negócio. “Ele entende dos produtos porque respira isso comigo, me vê gravando vídeos, explicando para as pessoas. Acho que agora, com a vinda da irmã, ele vai entender ainda melhor”, conta. A experiência de outras crianças que consomem os produtos também dá fôlego para que Laís continue empreendendo:

“Os relatos que mais me emocionam são os das famílias que fazem o chá de bebê e envolvem todos os amigos e familiares na mudança de mentalidade”

Ela complementa: “Penso que nós, como humanidade, temos uma longa dívida com a natureza, mas acredito também que nossa força de transformação é gigante. Isso eu vejo no dia a dia, lendo as histórias das nossas clientes, conhecendo outras iniciativas que também estão voltadas para essa nova visão de mundo”.

A Nós e o Davi fechou 2018 com cerca de 1,9 milhão de reais de faturamento e tem expectativa de que, em 2019, alcance 2,5 milhões de reais. Dá para notar que há um tempo a empresa deixou de engatinhar e agora corre com as próprias pernas.

DRAFT CARD

Draft Card Logo
  • Projeto: Nós e o Davi
  • O que faz: Produz fraldas ecológicas e outros itens sustentáveis para bebês
  • Sócio(s): Laís de Oliveira e Ana Letícia Deolindo
  • Funcionários: 14 (com as sócias)
  • Sede: Florianópolis
  • Início das atividades: 2013
  • Investimento inicial: R$ 5.000
  • Faturamento: R$ 1,5 milhão (em 2017)
  • Contato: [email protected] ou (48) 99838-6549
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