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As Boas Novas completa 5 anos e apresenta sua nova empresa: Simpli.city

- 8 de setembro de 2014
Novos tempos para As Boas Novas: com a saída de Ruy Drever da sociedade, Igor e Carol reestruturam o negócio e focam em consultoria
Novos tempos para As Boas Novas: com a saída de Ruy Drever da sociedade, Igor e Carol reestruturam o negócio e focam em consultoria

Carol Romano tem 32 anos e um sorriso aberto e acolhedor. Carol está à frente de As Boas Novas – cuja linha fina é “Conteúdo Positivo/Comunicação Engajada” –, um site que se dedica desde junho de 2009 a publicar boas notícias. Não se trata de bom mocismo ou de polianagem, segundo Carol. “Mas de notícias inspiradoras, que espalhem boas ideias e iniciativas sustentáveis. Os jornalistas demoraram a entender esse conceito. As empresas entenderam rápido”, diz ela.

As Boas Novas divide uma casa charmosa na Vila Madalena com o grupo Spix Macaw Discovery Company, de Helder Araújo, outro protagonista da nova economia brasileira, que toca empresas como WebCitizen e NewsMonitor. Atrás da casa, há um bonito quintal que eles chamam de Digital Garden. É comum ver alguém atirado sobre a grama, descansando entre uma e outra sessão de trabalho ou simplesmente gestando uma nova ideia.

E Carol tem uma boa nova para dar: As Boas Novas está redesenhando sua operação. A empresa vai se transformar em três novos negócios, a partir das atividades que já vem desempenhando. A reestruturação pretende organizar melhor as entregas a partir das entregas nas quais a empresa pretende focar a partir de agora.

O site As Boas Novas segue sendo um portal de conteúdo inspiracional para quem deseja se instruir sobre ideias e ações que constroem um mundo melhor. O portal tem por volta de 300 mil unique visitors por mês (além de 97 mil fãs no Facebook e 1,7 mil seguidores no Twitter). A meta é seguir publicando um post por dia. E também expandir seu conteúdo para outras plataformas, como a televisão. Mas a empresa As Boas Novas aos poucos deixará de atuar como uma agência de conteúdo, fornecendo brand content para clientes, serviço que vinha prestando desde a sua estreia.

Em 2013, as receitas de As Boas Novas vieram metade da produção de conteúdo para clientes e metade das atividades de consultoria. Em 2014, a consultoria já está contribuindo com 60% do faturamento. Com a reestruturação, a meta é faturar 6 milhões de reais em 2015, um crescimento substancial sobre as receitas de 2014, que já cresceram 50% sobre o resultado de 2013.

“Vamos apostar em consultoria. E vamos abrir mão do conteúdo, como foco de prospecção. Somos uma agência de inovação e marketing. Não somos um veículo. O portal As Boas Novas sempre foi uma vontade, antes de ser um negócio. O site é uma vitrine que carrega a nossa visão de mundo e que nos possibilita manter uma pesquisa constante. E a nossa visão é que agora ele se torne multiplataforma”, diz Carol.

Um casal com a cara da Nova Economia.

Um casal com a cara da Nova Economia.

A atividade de consultoria, que se transformou no carro chefe de As Boas Novas, será consolidada numa nova empresa, que terá dois braços. Um deles focado no estudo das cidades, um interesse e uma demanda crescentes de empresas e governos. E outro focado no estudo de marcas (branding) e em transformação organizacional (cultura).

A primeira iniciativa já tem nome – Simpli.city – e será desenvolvida junto com Ariel Kogan, sócio do wine truck Los Mendozitos, membro da Open Knowledge Foundation, e um especialista em cidades com atuação como pesquisador na Rede Nossa São Paulo e no Programa Cidades Sustentáveis. O logotipo ainda não saiu do forno. Mas a empresa já está atuando. Hoje desenvolve, em parceria com o grupo TV1, de Sérgio Motta Mello, um projeto junto à Secom, a Secretaria de Comunicação do Governo Federal, em Brasília, um projeto para tornar a atuação dos ministérios mais digital.

A segunda iniciativa, que se dedicará a estudar a estudar a vocação de empresas e marcas, ainda não tem o nome decidido e contará com Cláudia Pires, ex-diretora de Sustentabilidade da Pepsico. Os projetos de consultoria hoje prestados por As Boas Novas, para clientes como Basf e Nestlé, migram para esse braço especializado.

Em ambas as frentes, a nova empresa de consultoria pretende seguir com sua abordagem de identificar e definir desafios e, a partir daí, criar e propor soluções sustentáveis. “Não queremos nos aprisionar em uma metodologia proprietária, mas adaptar os melhores métodos disponíveis no mundo, como a investigação apreciativa, a psicologia positiva ou o design thinking”, diz Carol. “Queremos avançar da fórmula de diagnóstico/imersão, análise/planejamento e implementação/plano de ação para que nossos estudos tenham aplicabilidade, para que nossos projetos abordem problemas concretos e que gerem soluções factíveis”.

Hoje As Boas Novas conta com 12 profissionais. Seis são fixos, incluindo os sócios, uma editora e uma gerente de projetos. Outros seis talentos orbitam a empresa, atuando na produção de texto e em pesquisa, distribuídos entre São Paulo, Rio, Curitiba e Sorocaba. Além disso, há prestadores de serviço – um contador, um assessor jurídico e dois profissionais da área financeira. “A gente gosta de estimular as pessoas que trabalham conosco a manterem projetos paralelos também”, diz Carol.

COMO TUDO COMEÇOU

As Boas Novas estreou em junho de 2009. O empresário Ruy Drever, fundador da Pretorian, marca de equipamentos para artes marciais, um consumidor voraz de notícias, teve a ideia de publicar as informações que gostaria de ler e que não encontrava nos veículos jornalísticos tradicionais. Ele chamou os jornalistas Dado Abreu e Maria Clara Vergueiro e investiu por volta de 300 mil reais para colocar no ar um portal com a missão de publicar experiências inspiradoras, projetos inovadores e ideias criativas – um conteúdo focado na metade cheia do copo.

Carol, à época, trabalhava no instituto Data Popular, com jovens da classe C e foco na emergência da nova classe média brasileira. Maria Clara a chamou para começar a colaborar com As Boas Novas. Em 2010, Carol entrou de vez para o barco e o projeto paralelo virou atividade principal. Dado e Maria Clara acabaram saindo do projeto em seguida. Carol, ao contrário, caiu dentro: ia a campo captar patrocínio para o portal, munida de um PPT, e cuidava do conteúdo.

“Queremos clientes comprometidos estrategicamente com a inovação – e não só com a comunicação disso, que deve vir depois. Antes de construir a imagem da coisa, é preciso construir a coisa em si. A verdade é que, daqui para frente, quem olhar só para o lucro estará construindo as bases da sua própria destruição”

Carol bateu na porta de empresas que já tinham uma atuação em sustentabilidade e em branding. A iniciativa começou a virar um negócio quando As Boas Novas começou a produzir conteúdo de sustentabilidade para marcas como Santander, Natura, Fundação Telefonica, Taeq, Basf e Petrobrás. Carol se tornou sócia no primeiro ano, com 30% da empresa. E no ano seguinte, em 2011, passou a ter 50% da empresa, por ter batido as metas combinadas com Ruy.

À medida que trabalhava com as marcas, e a participar das reuniões sobre sustentabilidade, a atuação de As Boas Novas foi naturalmente se ampliando, nos clientes, de um trabalho específico de produção de conteúdo para uma atividade mais ampla de consultoria em sustentabilidade. No começo, Carol tinha três pessoas no time. Ao final do primeiro ano, em 2010, a empresa já contava com nove pessoas.

UM CASAL COM A CARA DA ECONOMIA CRIATIVA

No fim de 2012, Igor Botelho, 32 anos, marido de Carol, saiu da Mandalah, consultoria de “inovação consciente” que havia fundado em 2006 com Lourenço Bustani, e virou sócio de As Boas Novas. A empresa ganhava um reforço importante no atendimento a demandas mais estratégicas dos clientes. As Boas Novas virou uma sociedade dividida em três partes iguais entre Carol, Igor e Ruy Dreves. Ruy está deixando o Brasil e até o final do ano deixará a sociedade – Carol e Igor dividirão as quotas da empresa.

Carol e Igor namoram há 12 anos e estão casados há seis. Eles se conheceram no cursinho pré vestibular. Carol foi fazer RTV (Rádio e Televisão), na Fundação Armando Penteado (Faap), e Igor foi fazer Publicidade na Universidade Metodista. Igor concluiu em 2014, aqui no Brasil, um mestrado em Reflexive Social Practice, da London Metropolitan University. E Carol fez, em 2008, um curso de marketing em Londres, na London School of International Business Studies. Foi lá que ela descobriu o alcance da sustentabilidade – embora Carol considere esse um termo “morto”, dado o uso excessivo que tem se feito dele. “O movimento dos orgânicos em Londres mexeu muito comigo. Assim como ver as hortas surgindo nos bairros e os artistas reinventando a cidade”, diz.

Como separar casa e trabalho, marido e sócio? “É muito bom trabalhar com o Igor. A vida pessoal e profissional se misturam no empreendimento, de qualquer jeito. No nosso caso, tentamos não levar trabalho para casa. Trabalhamos mais ou menos das 9h30 às 20h e respeitamos nosso tempo desconectados. E ajuda termos, na empresa, funções bem definidas”, diz Carol que cuida mais da parte financeira, enquanto Igor cuida mais da parte comercial.

“Queremos clientes comprometidos estrategicamente com a inovação – e não só com a comunicação disso, que deve vir depois. Antes de construir a imagem da coisa, é preciso construir a coisa em si. A verdade é que, daqui para frente, quem olhar só para o lucro estará construindo as bases da sua própria destruição. Todos precisamos cuidar da sobrevivência, e administrar os riscos do negócio, mas precisamos também olhar para o novo, para aquilo que faz sentido, e para o propósito do trabalho”, diz Carol.

Aparentemente, ela, Igor e o pessoal de As Boas Novas – e, agora, também da Simpli.city – não apenas vendem essa visão a seus clientes, mas também se empenham para operar assim em seus próprios negócios.

 

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