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Buzina, Rádio Vozes, Estante Virtual: saiba como foi o debate que abriu o Perspective Hub!

- 22 de agosto de 2017
Da esq. à dir., Márcio Silva e Jorge Gonzalez (Buzina Food Truck), André Garcia (Estante Virtual), Adriano Silva (publisher do Draft) e Patricia Palumbo (Rádio Vozes): debatendo o empreendedorismo cultural
Da esq. à dir., Márcio Silva e Jorge Gonzalez (Buzina Food Truck), André Garcia (Estante Virtual), Adriano Silva (publisher do Draft) e Patricia Palumbo (Rádio Vozes): debatendo o empreendedorismo cultural

 

“Como viver da sua arte?” Na última quarta, 16, essa pergunta-chave deflagrou o debate de lançamento do Perspective Hub, na Unibes Cultural, em São Paulo. O programa multidisciplinar pretende fomentar a inovação e o empreendedorismo entre profissionais de setores criativos na forma de mais de 200 eventos até o fim do ano, de encontros literários a cursos de desenvolvimento de games, passando por um festival de curtametragem em celular com engajamento de alunos da rede pública do estado.

A ideia é alavancar o surgimento de negócios inventivos, descolados, corajosos e com CNPJ, que emitam nota fiscal. “O​ ​empreendedor​ ​cultural​ ​não tinha​ ​um​ ​Cubo​ ​pra​ ​chamar​ ​de​ ​seu,​ ​mas​ ​agora​ ​a​ ​Unibes​ ​Cultural passa​ ​a​ ​ser​ ​o​ ​nosso​ ​Cubo,​ ​o​ ​nosso​ ​Google​ ​Campus”, disse Adriano Silva, publisher do Draft e mediador do debate, promovido pela Academia Draft. “​Estamos fundando​ ​aqui​ ​a​ ​nossa​ ​comunidade.”

Mas, voltando à pergunta do primeiro parágrafo: como viver da sua arte? “Arte”, bem entendido, é um conceito elástico que aqui abrange todo o amplo espectro da produção cultural. Para elaborar uma resposta, empreendedores da gastronomia, música e mercado editorial subiram ao palco do teatro da Unibes para compartilhar suas trajetórias e visões de mundo e de negócios com uma plateia de 100 pessoas.

Cozinha com ‘cojones’

Os primeiros a falar foram Márcio Silva e Jorge Gonzalez, a dupla na direção do Buzina Food Truck. Pioneiros entre os “truckeiros” em São Paulo, eles lançaram moda e ganharam as ruas em 2013 – “quando não havia nem lei que regulasse esse negócio”, como explicou Jorge, um filho de cubano nascido em Nova Jersey.

Ex-publicitários, os dois amigos largaram as carreiras para abraçar a liberdade e o amor pela cozinha, inaugurando aqui o filão dos food trucks. Agora, porém, admitem que encontram pouco tempo para cozinhar, focados que estão em tocar a expansão do negócio. Hoje, eles também vendem bonés e camisetas com a marca Buzina e estão prestes a abrir a primeira casa “estática”, ou loja física, no bairro de Pinheiros.

Os limites entre a labuta e o lazer são fluídos, na visão dos sócios (que nesse sentido ecoam uma geração bem mais jovem, a dos Millenials). “Não​ ​sei​ ​a​ ​diferença​ ​entre​ ​trabalho​ ​e​ ​vida social”, disse Jorge. “Meus​ ​amigos​ ​ficavam​ ​surpresos:​ ​depois​ ​de​ ​passar​ ​o​ ​dia ​cozinhando​ ​eu​ ​ainda​ ​fazia​ ​churrasco​ ​para​ ​eles.”

A mensagem mais contundente que brotou da conversa foi a de que um negócio só avança se vier das “entranhas”. Ou, como disse Jorge, dos “cojones”. Traduzindo: é necessário que ele seja fruto de uma verdade interior, visceral.

Questionado se o empreendedor criativo precisa ter um sócio que “saiba fazer contas”, o paulista Márcio deu um contra-exemplo e contou que teve como sócia justamente uma pessoa saída do mercado financeiro. Isso não impediu que sua primeira empreitada gastronômica engordasse as estatísticas: o restaurante Oryza fechou em 2012, após um ano e meio.

“O melhor sócio que pude encontrar é exatamente o Jorge, que é também o pior, pois ele ama cozinhar tanto quanto eu”, disse Márcio, que recentemente foi um dos co-pilotos do reality show Food Truck – A Batalha, exibido no GNT.

Playlist contra o ‘jabá’

Caiçara de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, daquelas que “pegava seu próprio berbigão no mangue” durante a adolescência, a radialista Patricia Palumbo trilhou uma longa carreira em emissoras de rádio convencionais antes de se lançar no empreendedorismo à frente de sua própria rádio digital, a Rádio​ ​Vozes​.

Lançada no fim de 2015, a Vozes iniciou suas transmissões em 2016, tocando 70% de música brasileira. Seu slogan – “A rádio que você sempre quis ouvir e a gente sempre quis fazer!” – expressa a fé de Patrícia no “poder transformador” do veículo. “Maria Bethânia e Luiz Melodia se formaram ouvindo rádio.”

Em contraste, a empreendedora identifica um “poder emburrecedor” associado às rádios convencionais brasileiras de hoje. “Elas têm no máximo 800 músicas em seu playlist. A Vozes, com um ano, já tinha 3 mil. E agora estamos chegando aos 5 mil.”

Patrícia vê as emissoras submetidas às lógicas do “jabá” (pagamento para execução de música) e dos interesses políticos que regem o sistema de concessões públicas. Para não falar da asfixia das minguantes verbas publicitárias. Rádio, como se sabe, é o primo pobre da mídia. Com a Vozes, ela acredita ter seguido para o polo oposto. “Estou​ ​mostrando​ ​que​ ​é​ ​possível​ ​sim​ ​fazer​ ​rádio​ ​com​ ​ética​ ​e responsabilidade.”

Aplaudida duas vezes ao longo de sua fala, Patrícia “sintonizou” a Vozes com seu aplicativo (Frejat estava cantando naquele momento) e confessou seu orgulho da plataforma tecnológica que utiliza, por não comprimir o som como acontece em outras rádios digitais. Um diferencial que pode vir a calhar na hora de sensibilizar investidores e anunciantes:

“Pedem minha audiência do Ibope, mas o Ibope não mede a gente. Dizem que é preciso se reinventar, mas eu precisei inventar.”

De Freud ao JavaScript

O último case da noite foi o de André Garcia, criador da Estante Virtual, site de vendas de livros usados (e também novos, desde 2014). Carioca, formado em administração, ele passou por empresas de gás e telefonia, mas sentia-se deslocado num meio corporativo que visava apenas ganhar mercado sobre a concorrência, sem mover uma palha para “mudar o mundo”.

A Estante Virtual nasceu em 2004 da própria dificuldade de André em conseguir livros para o curso de pós-graduação de psicologia social na PUC. “Apenas seis sebos tinham sites de venda, três deles toscos e os outros três com livros muito caros”, contou. Outra centena de sebos mantinham uma homepage que apenas indicava um endereço de e-mail para quem quisesse encomendar algum volume.

Sozinho, aprendeu a programar. “Passei de Freud para o JavaScript.” Mesmo tendo criado um negócio reconhecidamente pioneiro e seminal, que fortaleceu uma enorme rede de donos de sebo e pequenos lojistas antes excluídos do e-commerce, André é rápido em relativizar a sacada que deu à luz sua empresa. Para ele, “ideia é 1%, o resto é transpiração”.

Hoje, a Estante Virtual tem 65 funcionários, vende um livro a cada dois segundos (um ritmo muito melhor que a OLX, segundo André) e atinge alguns objetivos a que o empreendedor se propôs lá no início: o incentivo ao reúso, a difusão do consumo consciente e da democratização do acesso à cultura. “Há livros que vendemos por três reais.”

Depois de contratar um executivo para tocar a operação, André vem abrindo mais espaço em sua agenda para desfrutar o ócio criativo. Mas faz questão de divulgar sua história (a cada dois meses, mais ou menos) para espalhar inspiração.

“Tenho​ ​uma​ ​responsabilidade​ ​política. Não​ ​no​ ​sentido​ ​partidário,​ ​mas no​ ​sentido​ ​de​ ​ter​ ​uma​ ​missão​ ​no​ ​mundo,​ ​de​ ​levar​ ​inspiração. Quando​ ​me​ ​lancei​ ​lá​ ​atrás,​ ​já​ ​tinha esse​ ​propósito​.”

Inspirar também é o propósito do Perspective Hub. Acompanhe o site do projeto e fique ligado nas novidades!

 

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