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“Cinco lições – de vida e de negócios – que aprendi conversando com 150 pessoas admiráveis”

- 15 de dezembro de 2017
Alexandre Waclawovsky, o Wacla, compartilha o que aprendeu em 150 conversar com CEOs e empresários que admira. É mais simples do que parece.
Alexandre Waclawovsky, o Wacla, compartilha o que aprendeu em 150 conversar com CEOs e empresários que admira. É mais simples do que parece.

 

por Alexandre Waclawovsky

No início deste ano, saí de uma multinacional, onde três anos antes havia sido contratado para liderar sua Transformação Digital. Era mais um fim de ciclo profissional, como outros que já tinha vivido, mas dessa vez veio acompanhado de uma pergunta que me tirava o sono: “Estou há 25 anos trabalhando em multinacionais. Já passei pelos segmentos de Serviços, PayTV e Bens de Consumo. Nos últimos 15 anos, liderei transformações digitais de negócios, mas… E agora? O que eu gostaria de fazer?”

Essa pergunta, recheada de inquietação, disparou uma vontade enorme de acessar pessoas que eu já conhecia e outras que admirava. O “eu” na pergunta tinha um significado importante.

Eu não queria mais ser levado pela maré. Queria entender e compartilhar pontos de vista sobre o mundo e o mercado e, como resultado, fazer minha escolha

Queria acessar outras opiniões, conhecer outras realidades e, nesse processo, me conhecer ainda melhor. Acredito que vivemos num momento de inflexão no mundo, com a tecnologia tendo um papel transformador e empoderador das pessoas. Bauman chamou isso de “modernidade líquida” e essa instabilidade e velocidade sempre me empolgaram. Por outro lado, a dificuldade das organizações mais tradicionais de entender e incorporar esses novos comportamentos e práticas me desmotivavam.

Já fazia tempo que eu tinha vontade de explorar e entender com profundidade as organizações nativas digitais e a nova economia com profundidade. Minha atividade profissional não permitia, assim encontrei nesse momento, a oportunidade de fazer essa jornada.

Tinha dois caminhos possíveis: o mais introspectivo, lendo livros e indo a um grande número de eventos, ou um mais interativo, fazendo um mergulho real e conhecendo pessoalmente lideranças em diferentes segmentos do nosso mercado. Para mim, era importante conversar com pessoas de diversos pontos de vista. Sempre tendemos a buscar pontos de vista que reforcem os nossos, e eu buscava exatamente o oposto: diversidade.

Optei, portanto, pela jornada interativa, que consistiu em encontros pessoais e em profundidade com mais de 150 lideranças da velha e, principalmente, da nova economia – tive conversas incríveis com fundadores de Scale-Ups, lideranças de organizações de Venture Capital (ou Family Funds), de veículos, anunciantes e organizações de mídia, além de influenciadores e head-hunters.

Qual o tema das conversas? Aprender e trocar! Repartir e ouvir pontos de vista sobre o mundo, a economia, as organizações, o presente e o futuro. Simples assim! Eu não levava um script para a conversa, mas me preparava para cada uma delas (basicamente, lendo e conhecendo a trajetória pessoal e profissional de todos com quem conversaria — obrigado Linkedin, Google e Facebook!).

É difícil expressar apenas nesse artigo o quanto aprendi, questionei e cresci nesse processo. Conquistei uma amplitude de assuntos e questionamentos que jamais conseguiria sentado atrás de uma mesa de escritório. Abaixo, compartilho cinco aprendizados principais que tive nessa jornada:

1) Seja generoso e o mundo será generoso com você.
Aprendi a ser mais generoso observando pessoas que, mesmo com tempo limitado, me receberam para conversar, mesmo sem termos uma pauta de negócios em comum. Não teve uma conversa sequer em que a troca não tenha sido valiosa. E foram mais de 150 delas. Somos sugados pelas nossas agendas pessoais e profissionais. Reservar algum tempo por semana ou por mês para conversas com pessoas diferentes do nosso dia a dia, pode ser muito valioso e enriquecedor. Acredite!

2) Tenha sempre um plano B, mesmo quando o plano A estiver funcionando.
Impressionante como nos movemos muito mais pela DOR do que por iniciativa própria. Reclamamos, mas adoramos uma bela zona de conforto.

Ter um plano B, ou até um plano C, não é mais questão de idade, seu emprego ou seu conhecimento podem ficar obsoletos num futuro próximo

Antes, eu acreditava que plano B era algo que se construía após os 50 anos. Hoje, já trabalharia nele a partir dos 30. Posso ser investidor anjo em uma startup, enquanto trabalho numa empresa. Posso dar aulas ou escrever artigos, repartindo meus conhecimentos e aprendizados. Pense sempre em possibilidades, logo!

3) Networking é algo que se cultiva, se nutre.
Logo que você perde seu crachá e benefícios, a verdade vai chegar como um raio! Você vai descobrir quem se relacionava com você-pessoa e quem se relacionava com você-posição-crachá. Feliz daqueles que descobrem terem construído e nutrido redes de relacionamento poderosas, baseadas em verdade e autenticidade. Isso vale também para os head-hunters, pois geralmente só os procuramos nas horas difíceis. Minha dica é: mantenha contatos e conversas sempre. Com o tempo, você vai construir mais afinidade com alguns e será acessado para dar referências e opiniões. Invista nisso! Na dúvida volte e releia o 1º aprendizado.

4) Reaprenda a aprender!
É incrível como as organizações e mercados nos aprisionam em celas de conhecimento e ali gravitamos egocentricamente por meses, anos ou mesmo décadas. Somos, muitas vezes, especialistas em mundos tão pequenos e limitados, acreditando que isso nos dá alguma vantagem competitiva ou talvez sobrevivência.

Meu aprendizado, aqui, é o de aprender incansavelmente! Aprender a observar o mundo sem vícios, sem críticas, sem julgamentos… Aprender a apenas observar

Parece fácil, mas garanto que vai tomar algum tempo. Fomos educados a estudar, atingir um MBA e estamos prontos. Isso numa era de escassez poderia ser suficiente, mas numa era de abundância, essa que vivemos, não é mais. Precisamos reaprender a aprender! Há muito mais poder em saber fazer as boas perguntas, do que imaginar que sabe todas as respostas.

5) Cuidado com os estereótipos!
Eu tinha vários! “A Nova Economia está repleta de gente transformadora”, “CEOs sempre sabem para onde ir”, “O mercado valoriza os profissionais super inovadores”, “Em empresas da Nova Economia você faz o que quiser, é liberdade pura”. Se você também acredita em algum desses, sinto te informar que todos são meias verdades ou mesmo incorretos.

Qualquer organização é formada por seres humanos, portanto medo e insegurança são parte do jogo

Transformação ou inovação têm seu preço: para cada 100 startups que nascem, poucas vencem a barreira da escala que as manterá saudáveis e em crescimento (recomendo ler o livro Crossing the Chasm). Mais que tentar provar qualquer crença ou ponto de vista, meu aprendizado aqui é o de manter uma cabeça aberta e em constante aprendizado, sempre questionando e desafiando estereótipos. Na dúvida investigue, converse, pergunte.

Espero que esses aprendizados sejam úteis e possam gerar ao menos uma reflexão na sua cabeça. Esse foi um processo ou jornada pessoal de aprendizado, questionamento e autoconhecimento.

Dividir esses aprendizados é, para mim, uma forma de repensar, refletir, amadurecer e contribuir, de alguma forma, para você que leu esse artigo. Adoraria ouvir suas reflexões!

 

 

Alexandre Waclawovsky, 46, é formado em Administração pela PUC-SP com especializações na FGV, Stanford University e Hyper Island. Trabalhou durante 25 anos em multinacionais nos segmentos de Serviços Financeiros, PayTV e Bens de Consumo. Foi presidente do comitê de mídia da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), colaborador dos portais ProXXIma e Jornal Meio & Mensagem e professor convidado da Fundação Dom Cabral (FDC).

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