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Com a Preta Pretinha, as irmãs Joyce, Lucia e Cristina incentivam a reflexão sobre a diversidade

- 14 de Março de 2018
O sonho de infância das irmãs Venâncio acabou se tornando um bom negócio, capaz de transformar a sociedade e contribuir para um mundo mais igualitário.

 

Ainda na infância elas sentiram na pele a falta de representatividade por não encontrarem bonecas negras para brincar. O vazio dessa representação, contudo, não se traduziu em baixa autoestima, mas sim na força motivadora para que as irmãs Antonia Joyce, Lucia e Maria Cristina Venâncio criassem um negócio inovador.

“Há alguns anos percebemos que essa ausência de bonecas negras no mercado, sobretudo de peças feitas à mão, era um nicho promissor. Este foi o ponto de partida para idealizarmos o projeto do que viria a ser a ‘Preta Pretinha’, conta Joyce.

“Investimos na ideia de preencher essa lacuna e o sonho de infância acabou se transformando em um bom negócio, capaz de transformar a sociedade e contribuir para um mundo mais igualitário”

Inspire-se com a história dessas empreendedoras engajadas que, por meio dos seus produtos motivam a reflexão sobre temas importantíssimos como a diversidade, a inclusão social e até mesmo o bullying.

Como surgiu a ideia de empreender e montar a Preta Pretinha?

Em nossa infância, procurávamos sempre por bonecas negras, que representassem uma extensão da nossa família, e quase nunca encontrávamos. Quando havia algum modelo de boneca ou boneco nas lojas, os mesmos eram estereotipados: olhos enormes, boca exageradamente grande e vermelha e a vestimenta com tecidos de qualidade inferior aos demais. Aquilo não nos representava de forma alguma, estava muito distante do que éramos e de como nos sentíamos. Aprendemos muito com a nossa vovó, Maria Francisca, sobre autoestima relacionada à nossa pele, ao nosso cabelo e a nossa formação quanto pessoas. Fomos muito amadas e aprendemos a nos amar desde pequenas. E foi a vovó Maria Francisca quem confeccionou, com tecidos e meias, as nossas primeiras bonecas, justamente para que pudéssemos nos reconhecer nos nossos brinquedos. Era uma alegria imensa poder levar para a escola essas bonecas negras feitas pela vovó.

Em 2000, a Joyce ficou desempregada. Por conta disso, fizemos uma reunião entre irmãs para pensar como ajuda-la e foi quando tivemos a ideia de resgatar o sonho e a referência da vovó e da infância para o presente. Pensamos o projeto e no mesmo ano criamos a Preta Pretinha Bonecas no bairro onde nascemos, a Vila Madalena, em um espaço de 15m². Um sucesso e uma experiência incrível, pois, antes de começar o negócio em si, mergulhamos em uma profunda pesquisa de mercado. Com seis meses de loja aberta aconteceu a primeira repercussão em mídia. No mês seguinte fomos procuradas pela Rádio CBN e aí disparou: programas de TV, revista, jornais e matérias internacionais falavam sobre a nossa trajetória empreendedora, repercussões espontâneas que ajudaram a impulsionar o nosso negócio. Em 2003, a Cristina e a Lucia deixaram seus empregos e passaram a atuar só na empresa. A partir daí tocamos juntas a loja. Mudamos para um espaço maior e em 2004, criamos novos projetos e buscamos desenvolvimento para inovar as ações do nosso segmento”.

Como funciona a Preta Pretinha?

Produzimos e vendemos bonecas artesanais negras, orientais, indígenas, indianas, muçulmanas e cadeirantes… Bonecas inspiradas em pessoas reais, em tudo que vivenciamos diariamente. Para nós, mais do que uma loja, a Preta Pretinha é uma organização de impacto social. O que fazemos vai além da comercialização das bonecas. Justamente porque, ao inserir essa representatividade na sociedade, gera-se um impacto e uma consciência que mobiliza e educa as pessoas para a diferença e para a convivência.

Como é a atuação de cada uma de vocês?

Além de mediar esse impacto do nosso trabalho com os clientes, visitantes, mídia e sociedade em geral, individualmente desempenhamos nossas funções na organização. Eu sou a diretora comercial, a Lucia é diretora financeira e a Cristina diretora de qualidade e designer de bonecos.

Como foi no início?

O início foi de grande emoção e expectativa. Acreditávamos na capacidade e no impacto do negócio. E antes de criarmos a loja, nos preparamos. Foram dois anos pesquisando e avaliando o comportamento, a reação das pessoas nas diversas classes sociais, a fim de criarmos um conceito que não se perdesse. Tivemos dificuldade em relação ao espaço, dispúnhamos apenas daqueles 15m², uma área pequena para atender à demanda projetada. Mas esse problema foi superado graças ao gerenciamento da produção e o estoque, até que conseguimos nos mudar para um local maior.

Com bonecos que representam minorias, como negros, muçulmanos, cadeirantes e tantos outros, a Preta Pretinha desperta, ainda na infância, a reflexão sobre a diversidade e a inclusão.

Quais são os principais canais de divulgação da Preta Pretinha?

Usamos as redes sociais, o ‘boca a boca’, que tem nos trazido ótimos clientes. E a repercussão por meio da mídia espontânea, seja televisiva, escrita, livros didáticos, escolas, universidades, nos auxilia sempre”.

Quem são os principais clientes de vocês?

Escolas públicas e particulares, profissionais de diversas áreas: educação, médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, juízes da vara da infância e família, produtores de cinema e TV, editoras, agências de publicidade, entidades como o Sesc, universidades, entre outros. As escolas utilizam muito os nossos bonecos para desenvolver projetos, trabalhar a questão da autoestima, combater o bulliyng, além de incorporar o uso na dinâmica curricular e como ferramenta de diálogo e de interação. Eles encontraram em nossos bonecos essa linda referência. É por meio das brincadeiras que as crianças conseguem expressar seus sentimentos, sonhos, medos, angústias, desejos. Com os nossos bonecos, esses profissionais conseguem abrir esse canal de conversação que, certamente, seria muito difícil se estivessem sozinhos cara a cara com as crianças. O lúdico suaviza o trauma e abre caminho para a cura e para a dissolução de conflitos, além de gerar afeto e conforto. Esses profissionais e instituições conheceram o nosso trabalho pela repercussão em mídia, mas também por conta de pesquisas que fazemos e de conversas realizadas muitas vezes diretamente com esses especialistas, pois nós também buscamos entender como é o dia a dia das pessoas, das famílias, a fim de termos clareza da realidade.

Quais estratégias têm dado melhor resultado nesta trajetória?

Manter o comando do negócio, ter o contato direto com o nosso público, ouvir clientes e perceber suas necessidades, além de diversificar nossa linha de produtos, contagiar as pessoas e provocar mudanças.

O que é o Instituto Preta Pretinha?

O Instituto Preta Pretinha é antes de tudo uma organização social, que impacta a população por meio da reflexão que propõe em suas ações. “Quando percebemos o interesse de educadores, psicólogos e outros profissionais em usar nossos produtos como instrumento de trabalho, percebemos que os projetos desenvolvidos pelo Instituto Preta Pretinha poderiam discutir e refletir as questões da sociedade, como: o bullying, a diversidade e a inclusão social nas escolas, seja com palestras, exposições, oficinas ou workshops.

Qual o maior objetivo de vocês?

É aumentar a linha de produção e distribuir em larga escala, mas sem perder o conceito e o foco. A médio e longo prazo esperamos conseguir apoio e parceiros para viabilizar todo o projeto que temos para com o Instituto Preta Pretinha, que funciona sem apoio financeiro e conta apenas com voluntários. Atuamos em escolas e comunidades ministrando palestras, realizando exposições e oficinas. Contamos com alguns colaboradores e arte-educadores nessas ações, e desenvolvemos atividades culturais e de entretenimento em datas comemorativas como carnaval, páscoa, dia das crianças e natal. Tudo com a finalidade de resgatar a educação, a união e o respeito, sempre partilhando as atividades com as famílias, amigos e sociedade. Essas são, sem dúvida, nossas maiores conquistas e os nossos objetivos principais estão centrados na busca de apoios (empresas, entidades, pessoas físicas) e na viabilização da construção de uma sede para o Instituto Preta Pretinha.

Se pudessem dar apenas uma dica para quem está querendo empreender, qual seria?

O nosso lema que é o ‘C.A.D’: Coragem, Audácia e Determinação; além de planejamento e foco. Com essas ações, certamente as pessoas poderão alcançar os seus objetivos”.

 

Esta matéria pode ser encontrada no Itaú Mulher Empreendedora, uma plataforma feita para mulheres que acreditam nos seus sonhos. Não deixe de conferir (e se inspirar)!

 

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