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Com o Horta na Laje, Sodexo promove a alimentação saudável e capacitação em Paraisópolis

- 2 de maio de 2019
Criada em 2017, iniciativa já treinou mais de 1,6 mil pessoas do bairro paulistano para cultivar hortaliças em casa.

Há mais de 50 anos, o propósito da Sodexo é promover a qualidade de vida e desenvolver as comunidades por todo o mundo. A filosofia vale para colaboradores, clientes, consumidores e para os locais em que a companhia está inserida e está no cerne do Instituto Stop Hunger, organização sem fins lucrativos que integra o ecossistema da Sodexo e trabalha há 23 anos para reduzir a fome e a má nutrição no mundo.

No Brasil, um dos projetos fruto desta abordagem é o Horta na Laje, que o Stop Hunger desenvolve em Paraisópolis, uma das maiores comunidades da cidade de São Paulo. A ideia ali é ensinar os moradores do bairro a plantar hortaliças em casa, nas tão tradicionais estruturas de cimento que servem de teto ou de base para um futuro pavimento das moradias. “O nosso objetivo é levar segurança alimentar e tornar a região um ambiente sustentável”, diz Davi Barreto, superintendente do Instituto Stop Hunger. Segundo ele, o programa tem alto potencial de impacto positivo:

“Ao aprender sobre o cultivo, além de produzir para o próprio consumo as famílias podem investir na produção de hortaliças para vender, gerando uma renda adicional”

O projeto começou na região em maio de 2017. Em parceria com organizações locais, como a União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis e a Associação de Mulheres de Paraisópolis, o Horta na Laje propaga conhecimento em oficinas mensais. Cada encontro é uma habilitação completa, com sete passos para mostrar aos participantes como cultivar hortaliças em vasos, distribuição de uma cartilha, de sementes e a oferta de todo o embasamento necessário para que as pessoas saiam dali com independência para levar a prática para casa.

Quem ensina os participantes são professores de Agronomia da Unesp, com quem a Sodexo já mantém parceria de longa data. Em dois anos de trabalho mais de 1,6 mil pessoas já se formaram nas oficinas. “É um caminho de oportunidades para quem ainda não tem emprego ou capacitação”, diz Davi. Como o projeto permanece sempre ativo, depois de passar pela oficina as pessoas contam com o Horta na Laje como um ponto de apoio para tirar dúvidas sobre a experiência em casa e retirar vasos e mudas para cultivar.

Oficinas do projeto acontecem mensalmente na comunidade paulistana.

PROJETO É DESEJO ANTIGO

Davi diz que que a iniciativa em Paraisópolis concretiza um sonho antigo da Sodexo e do Instituto Stop Hunger. Tudo começou justamente a partir da parceria com a Unesp. “A reitoria nos procurou para desenvolver um projeto com os alunos em que eles colocassem em prática o que aprendiam. Criamos uma horta juntos, que já funciona há 16 anos”, conta. Segundo ele, são 5 mil m2 de horta com alimentos frescos, que depois são doados às vinte instituições do entorno.O projeto todo chegou à produção de 66 toneladas de alimentos no ano passado, que abasteceram 20 instituições.

 

Davi diz que, com o tempo, a demanda e as ambições do projeto foram crescendo e as instituições inauguraram uma segunda área de cultivo. “Ainda tínhamos o desejo de criar algo mais sustentável, que se perenizasse e envolvesse mais gente”, lembra. Eles estudaram a comunidade de Paraisópolis para começar a desenvolver a ideia e visitaram o bairro atrás de um terreno para fazer a horta. Como não encontraram, mudaram o plano de plantar verduras no chão para cultivá-las no teto.

“Não tinha terreno, mas vimos uma infinidade de lajes nas casas, algo bem típico da região. Olhamos aquilo e pensamos que estimular o cultivo de alimento em um espaço inutilizado seria ainda melhor”, lembra.

QUANDO O IMPACTO POSITIVO É MAIOR QUE O ESPERADO

Desde que está em Paraisópolis, o programa já gerou um impacto positivo ainda maior do que o calculado inicialmente, conta Davi. Ele cita o caso do Bistrô & Café Mãos de Maria, que fica no mesmo espaço em que as oficinas de plantio são oferecidas. Hoje os insumos do Horta na Laje são utilizados no cardápio diário do Bistrô , que tem também um compromisso de capacitação de mulheres de Paraisópolis em habilidades gastronômicas

“Houve um resgate do projeto, que tinha sido descontinuado por ausência de público. Hoje o espaço oferece almoço a preços populares e é sempre bem movimentado, inclusive aos sábados ”

A sinergia entre o Horta na Laje e o Bistrô foi tanta que Davi inscreveu o restaurante em uma premiação global oferecida pelo Instituto Stop Hunger a projetos de sustentabilidade que promovessem o empoderamento econômico de mulheres.

O resultado foi o melhor possível: em março do ano passado o Bistrô & Café Mãos de Maria saiu vencedor entre iniciativas de 53 países. Como prêmio, voltou para o Brasil com cerca de R$ 80 mil reais para reaplicar no programa. Ainda que não seja uma vitória direta do programa Horta na Laje, o resultado é um reflexo importante do programa, diz Davi. “Foi muito gratificante ver o nosso compromisso de desenvolvimento da comunidade gerar um resultado tão claro.”

PRÓXIMOS PASSOS

Com vitórias acumuladas até aqui, o executivo diz que agora o plano é fortalecer ainda mais o projeto de cultivo de alimentos – ampliando o máximo possível os benefícios que ele pode trazer. “Temos um bom número de pessoas capacitadas e agora um dos desafios é, de fato, gerar um volume de pessoas que estão usando este conhecimento em casa para gerar renda”, diz.

Uma das ferramentas para estimular este movimento é garantir que todos saiam das oficinas com um primeiro vaso de hortaliça. Davi conta ainda que, a cada turma, é sorteado também um recipiente maior com várias mudas que permite ao escolhido começar a trabalhar já com mais escala. “Já temos fila de espera para algumas oficinas. Aos poucos também vemos a evolução do cultivo nas casas da comunidade”, diz Davi, consciente de que boas iniciativas criam raízes e se espalham com o tempo, como uma horta.

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