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Com um laboratório portátil disponível em farmácias, a Hi Technologies quer democratizar os exames de sangue

- 20 de agosto de 2019
Marcus Figueredo, CEO da Hi Technologies.

Testes de gravidez, glicemia, dengue, hepatite, HIV, sífilis, zika, toxoplasmose, entre outros, num total de 22 exames, podem ser feitos com um aparelhinho disponível na farmácia, por custo reduzido e resultado liberado em 15 minutos. É isso o que promete o Hilab, lançado comercialmente em 2018 e desenvolvido pela healthtech curitibana Hi Technologies.

Com design clean que lembra um dispositivo da Apple, o “laboratório portátil” pesa 450 gramas, mede 12 centímetros de altura e outros 12 de circunferência. Um profissional treinado coleta duas gotas de sangue do paciente e insere o material em uma cápsula com reagentes químicos, por sua vez encaixada no corpo do equipamento (como um cartucho num console de videogame).

As informações coletadas a partir da reação química são então enviadas instantaneamente pela nuvem e analisadas tanto por uma inteligência artificial quanto por seres humanos — uma equipe dedicada 24/7. Em um quarto de hora, o resultado é enviado por e-mail, Whatsapp ou SMS. Segundo Marcus Figueredo, 35, CEO e cofundador da empresa:

“O laudo é igual ao de um laboratório convencional. Todos as cápsulas são analisadas de forma automatizada e, também, por profissionais especializados. Desta forma, evitamos erro e deixamos a nossa inteligência artificial mais inteligente”

A empresa afirma ter treinado cerca de mil profissionais no uso do dispositivo (de fabricação 100% nacional), presente em farmácias de 98 cidades de 19 estados do país. Na capital paulista, por exemplo, são 43 estabelecimentos — a lista completa pode ser conferida aqui.

SURGIDA EM 2004, A EMPRESA LEVOU DOIS ANOS ATÉ SUA PRIMEIRA VENDA

Entre desenvolvimento, testes, aprovação nos órgãos governamentais e lançamento comercial do Hilab, foram seis anos, desde 2012. Mas a Hi Technologies já tem 15 anos “de estrada”. Baiano criado em Curitiba, Marcus fundou a empresa aos 19, em 2004, junto com Sérgio Rogal, enquanto ambos cursavam Engenharia da Computação pela PUC-PR.

Os dois entraram em contato com o tema da telemedicina num estágio em um laboratório de informática e saúde. Vislumbraram então um software de monitoramento de pacientes em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) que pudesse ser usado nos dispositivos de diferentes fabricantes. Debruçaram-se sobre plano de negócio, prototipagem, e no início de 2015, foram incubados pelo Instituto de Tecnologia do Paraná.

O começo foi penoso. Eles batiam de porta em porta, apresentavam a solução a médicos, engenheiros clínicos, que gostavam do que viam, mas não se sentiam suficientemente seguros para apostar naqueles universitários. Marcus e Sérgio haviam arregimentado mais três sócios, estudantes como eles; tinham apenas R$ 2 500 para tocar o negócio, e o trio acabou debandando. No fim, a primeira venda demorou dois anos para acontecer.

DEMOCRATIZAR A MEDICINA PARA QUEM NÃO TEM PLANO DE SAÚDE

Aos poucos, a Hi Technologies foi deslanchando, colecionando prêmios de inovação e formando um portfólio de clientes, entre hospitais, consultórios, empresas de home care e planos de saúde. Criou também outras soluções, como a Milli: semelhante a um tablet, é um dispositivo sensorizado polivalente, que pode ser usado por exemplo para medir o nível de oxigênio no sangue ou monitorar o sono do paciente.

No início, a empresa desenvolvia apenas software. Depois, perceberam que era importante fabricar, também, o hardware, para que a experiência do consumidor fosse o mais amigável possível. No caso do Hilab, a healthtech deu mais um passo: “Fabricamos o hardware, o software — e também somos o laboratório de análises”, explica Marcus.

O Hilab realiza exames a partir de duas gotas de sangue numa cápsula coletora.

Segundo o CEO, os exames têm preços mais competitivos. Um teste de zika, por exemplo, custa cerca de R$ 450 em um laboratório convencional. No Hilab, ele sai por R$ 100 (as farmácias têm autonomia para precificar os exames, por isso, há variações).  “Hoje, alguns dos nossos exames já têm preço de tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). O exame de dengue, por exemplo, custa R$ 33,75. No SUS, seu custo é de R$ 50”, diz Marcus.

Para o CEO da Hi Technologies, o Hilab sintetiza a missão da empresa: democratizar o acesso à saúde:

“Os laboratórios convencionais estão muito focados em pacientes conveniados a planos de saúde. Nós queremos o oposto. Queremos pacientes sem plano de saúde particular. Cerca de 75% da população brasileira está no SUS”

Segundo ele, em 2017, quando o Hilab estava em fase de testes, os exames custavam o mesmo que nos laboratórios. A portabilidade do produto viabilizou a queda do preços.

EM CURITIBA, COM UM APP, JÁ É POSSÍVEL AGENDAR A COLETA EM CASA

Segundo o Conselho Federal de Farmácia, há mais de 87 mil estabelecimentos privados do gênero no Brasil. Adotar esse caminho para a distribuição do Hilab oferece à healthtech um ganho potencial de capilaridade. O equipamento já foi adotado por algumas redes de farmácias e drogarias, como a Panvel, com forte presença no Sul, e a mineira Araújo.

Agora em agosto, a Hi Technologies iniciou o piloto de um novo movimento de expansão. A empresa desenvolveu e lançou um aplicativo para pacientes agendarem a coleta de exame domiciliar e receber a visita de um profissional da saúde treinado. Ou seja, é o mesmo serviço oferecido nas farmácias, mas agora em versão “delivery”.

“É muito útil em casos de [pessoas com] problemas de locomoção ou em testes mais sensíveis, como sífilis, em que as pessoas não querem fazer na farmácia por estigma”, diz Marcus. O serviço, por ora, está disponível apenas em Curitiba. O CEO não crava uma data, mas afirma que São Paulo será a próxima cidade com o Hilab domiciliar.

Outra ideia, por enquanto sem prazo, é incorporar novos exames ao Hilab. Por exemplo,  testes de marcadores cardíacos, que podem antecipar o risco de um infarto. Porém, neste caso, reforça o empreendedor, ainda que o aparelho venha a ser usado, um exame sempre deverá ser realizado dentro de um hospital, com acompanhamento e análise de um médico.

A EXPANSÃO INTERNACIONAL ESTÁ NO HORIZONTE — MAS SEM PRESSA

Em 2016, a Positivo Tecnologia, fabricante de computadores, adquiriu 50% da Hi Technologies (hoje, esse percentual é de 30%). Mais recentemente, a empresa recebeu investimentos dos fundos Monashees e Qualcomm Ventures. Por conta de restrições, Marcus não pode abrir informações como faturamento ou número de exames já realizados pelo Hilab, mas afirma que as vendas do produto crescem 40% ao mês (e projeta que a taxa vá se manter até o fim de 2019).

Segundo o CEO, o Hilab tem ajudado a impulsionar a empresa. O tamanho da equipe praticamente triplicou nos últimos dois anos: hoje, são 100 colaboradores, sendo 20 especialistas de análises clínicas, como biomédicos, todos baseados em Curitiba.

A expansão internacional está no horizonte. O CEO projeta testar alguns países da América Latina e conta que, recentemente, a empresa conseguiu a liberação da Food and Drug Administration para atuar nos Estados Unidos. Mas não há pressa nesse movimento.

“Vários players internacionais têm nos procurado, pois nós somos pioneiros no mundo neste modelo de negócio. Mas, por enquanto, queremos consolidar nossa posição no Brasil. Iremos pensar nesta expansão a partir de 2020.”

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DRAFT CARD

Draft Card Logo
  • Projeto: Hi Technologies
  • O que faz: Desenvolve soluções de telemedicina
  • Sócio(s): Marcus Figueredo, Sérgio Rogal e Positivo Tecnologia
  • Funcionários: 100
  • Sede: Curitiba
  • Início das atividades: 2004
  • Contato: [email protected]
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