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Como a Feminaria oferece consultoria e suporte de mulheres, para mulheres

- 16 de janeiro de 2018
"Senti, por experiência própria, a enorme disparidade entre a realidade profissional feminina e a masculina, tanto no campo da carreira formal quanto no empreendedorismo", conta Ana.

 

A advogada Ana Carolina Bavon sempre teve dentro de si o sonho de “compartilhar conhecimento”, fazer algo que trouxesse benefícios para a sociedade, mas esse desejo permanecia adormecido, enquanto ela construía sua carreira no ambiente corporativo. Ela já trabalhava há 15 anos em grandes empresas, como gestora jurídica em outsourcing (processo em que uma organização contrata outra para desempenhar determinada função) e estratégia em passivo trabalhista (que ocorre se uma empresa ou um empregador pessoa física deixa de cumprir com suas obrigações trabalhistas ou recolhimentos de encargos sociais), quando a estafa, a ausência de propósito e o conflito entre sua atuação profissional e seu ideal social a fizeram concluir que havia chegado a hora de investir em seus projetos e era o momento de empreender. Assim começava a tomar forma o que viria a se tornar a Feminaria, uma empresa que atua no desenvolvimento do empreendedorismo feminino.

Como funciona a sua empresa?

A Feminaria é uma desenvolvedora de negócios: isso significa que atuamos lado a lado com a empreendedora. Nos posicionamos entre uma aceleradora (que apoia o desenvolvimento e rápido crescimento de startups, tanto através de investimento financeiro, como por meio de suporte de gestão) e uma incubadora (que oferece basicamente infraestrutura e espaço físico, mas não investe capital no negócio). As empreendedoras podem aderir a qualquer um dos nossos programas e atuamos ao lado dela na gestão e administração do negócio.

A Feminaria é um modelo de negócio de impacto social positivo. Como funciona?

Por meio das mensalidades pagas pelas clientes em desenvolvimento. Oferecemos várias opções de programas, que têm uma gama específica de recursos, para atender as mulheres em seus variados momentos, sejam elas empreendedoras ou profissionais: se elas ainda não sabem se suas habilidades atendem aos seus objetivos pessoais, ajudamos a conhecer e desenvolver suas competências seja para empreender ou para decolar na carreira. Outros planos atendem aquelas empreendedoras que querem desenvolver um plano de negócios estruturado, que desejam reavaliar seu plano e otimizar os pontos estratégicos e, por fim, as que necessitam de uma consultoria sob medida.

Por que uma consultoria voltada para mulheres?

Eu sempre quis trabalhar com mulheres e para mulheres, pois percebi e senti, por experiência própria, a enorme disparidade entre a realidade profissional feminina e a masculina, tanto no campo da carreira formal quanto no empreendedorismo. Ao repensar minha carreira precisava descobrir como minha experiência poderia ajudar na trajetória profissional de outras mulheres. Quando decidi empreender encontrei inúmeros desafios, entre eles a ausência de uma consultoria que acompanhasse o andamento do negócio durante a sua estruturação e crescimento, considerando a realidade da mulher. Na cultura atual não basta sermos competentes o suficiente, precisamos provar diariamente essa competência com inúmeras ações e reafirmações. E encontrar segurança numa empresa que entende essa realidade é um motivador natural e fortíssimo – eu queria ser esse elemento motivador.

Como é a sua atuação na empresa?

Eu crio e coloco a mão na massa. Desenvolvi nossa metodologia e todos os programas. Além disso, recepciono cada cliente nova fazendo a reunião de alinhamento e constatação. Planejo o cronograma de cada uma delas, baseado nas urgências e maiores necessidades, defino toda a execução e supervisiono todas as etapas. Também acompanho as reuniões de planejamento até que a equipe esteja alinhada e segura dos passos seguintes.

Como foi no início? Quais seus desafios?

O maior desafio foi desenhar nosso modelo de negócio e, depois, descobrir como comunicá-lo de maneira clara. Em abril de 2016 comecei a fazer um trabalho de investigação, criando um grupo no Facebook que, em cerca de 9 meses reuniu quase 8 mil mulheres. Ali eu pude entender os maiores desafios e dores de cada uma delas. Na primeira fase da Feminaria lancei inúmeros serviços de maneira gratuita, depois com valores quase simbólicos e fui testando um por um.

E o coworking?

Abrimos em setembro de 2016, paralelamente ao trabalho de consultorias, e nosso objetivo era que a casa funcionasse como um espaço compartilhado de trabalho para as clientes em desenvolvimento. Hoje o coworking não existe mais, e posso citar dois motivos para isso ter acontecido: um deles é que 80% das nossas clientes são mães empreendedoras cujo tempo é escasso, portanto trabalhar a partir de suas casas é o que lhes dá maior retorno (emocional e financeiro). O segundo motivo é que quase 70% das nossas clientes trabalham com produtos e não com serviços – portanto, o espaço compartilhado de trabalho foi por agua abaixo, o que me empurrou para a virtualização da empresa, o que nos possibilitou ser uma empresa digital que atende no Brasil inteiro.

Quais estratégias têm dado melhor resultado na trajetória da Feminaria?

Conhecer o meu público de perto e suas necessidades reais, atender às suas demandas reais, ao invés de criar um produto baseado em hipóteses. O que eu fiz foi entrar no universo empreendedor feminino e criar o produto a partir das demandas delas. São minhas clientes que me trazem a inspiração para tudo que faço.

Por outro lado, quais caminhos foram deixados de lado?

Aprendi muito sobre nosso modelo e sobre mim durante esses quase 2 anos, o que fez com que deixássemos de realizar eventos de networking e fechássemos o coworking, por exemplo. Entender que é preciso abrir mão de alguns desejos é dolorido e libertador ao mesmo tempo. A gente pode redirecionar a energia para aquilo que está dando certo e colher as alegrias vindas a partir daí.

Você recebeu investimento em algum momento?

Os investimentos foram todos pessoais. Não busquei investidores externos ou programas de aceleração. Desde a criação da Feminaria meu desejo foi mantê-la em crescimento orgânico e esse é também um desafio que assumi.

Qual é o seu sonho? O que ainda falta realizar?

Meus sonhos são bem subjetivos porque os deixo no campo dos sonhos – como, por exemplo, um mundo onde o feminismo não seja necessário; isso eu considero um sonho, pois acredito que temos ainda um longo caminho a percorrer. Mas tenho muitos planos, e pretendo realizá-los todos. Entre essas realizações que estão por vir há um produto novo que pretendo lançar no segundo semestre de 2018, que promete mudar a rotina da mulher empreendedora.

Se pudesse voltar no tempo e refazer uma decisão, corrigir algum momento de sua trajetória, o que seria?

Se eu pudesse voltar no tempo teria investido mais estrategicamente o capital destinado à criação da empresa. Além disso, teria virtualizado algumas coisas há mais tempo, ao invés de investir tanto no espaço físico. Com certeza teria feito enorme diferença.

Quais seus planos para o futuro?

Além de adicionar novos produtos aos serviços que prestamos, quero que a Feminaria seja referência em empreendedorismo feminino. Meu plano é ser o nome que a empreendedora lembra quando pensa em buscar ajuda profissional.

Qual sua dica para quem está querendo empreender?

Planeje muito. Planeje considerando tudo o que pode dar errado, sempre imaginando o pior cenário. Isso porque o que considero mais desafiador na jornada empreendedora é ter um emocional forte para tolerar as frustrações – que não são poucas. Portanto, quanto mais preparadas para o erro e o imprevisto, maiores as garantias.

 

Esta matéria pode ser encontrada no Itaú Mulher Empreendedora, uma plataforma feita para mulheres que acreditam nos seus sonhos. Não deixe de conferir (e se inspirar)!

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