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Como a Floristas empodera artesãos e incentiva o consumo mais consciente

- 24 de abril de 2018
Para Pati, Dani e Karine, o incentivo ao consumo consciente desacelera toda a indústria fast-shop e promove uma cultura mais saudável ao planeta em diversos âmbitos.

Crédito imagem: Leonardo Sang

 

Karine Rossi é jornalista, roteirista e Dj. Trabalhou como redatora publicitária por 15 anos em agências de propaganda e promoção, entre elas, McCann Worldgroup, TV1.com e New Style. Dani Scartezini é designer, trabalhou em agências de publicidade como diretora de arte e no marketing da The Walt Disney World Company e tem grande conhecimento em comportamento de consumidor e branded content. Pati Toledo estudou estilo na Esmod Paris, trabalhou com moda e pesquisa de tendências por 14 anos, até que migrou para a curadoria e direção criativa em um site de flash sales de marcas de luxo. O que uniu essas três mulheres? A admiração pelo design e o feito à mão e o desejo de trabalhar com curadoria de novos artesãos, criar, investigar e espalhar projetos com beleza que possam transformar o seu entorno. Para transformar esse sonho em realidade, elas criaram a Floristas e a Rede Manual.

Como surgiu a ideia de criar a Floristas? E o Mercado Manual?

Dani – Em 2011, criei um blog chamado A Florista onde – através de texto, vídeo e foto, contava histórias de pessoas que se dedicavam a uma atividade criativa para viver. Logo depois, convidei a Karine e a Gleice para o projeto e, três anos depois, ele amadureceu e tornou-se a publicação, também digital, AmoMeuFazer.

Contávamos histórias de artistas, criadores, pequenos produtores, artesão, enfim… gente de diversas áreas de atuação, narradas por elas mesmas. A ideia era fortalecer essa comunidade que compõe a economia criativa brasileira e inspirar aqueles que buscavam novas formas para o fazer através de um conteúdo parrudo e uma estética super poética. Fazíamos tudo isso remotamente, e continuamos com nossos trabalhos fixos. Em 2012 nós três abandonamos nossos empregos formais e resolvemos apenas nos dedicar à nossa pequena produtora de conteúdo, à qual demos o nome de Floristas

Em 2013 resolvemos abrir formalmente a produtora. Abrimos finalmente nossa empresa e nos tornamos sócias no papel com o objetivo de continuar o trabalho com os artesãos que tínhamos em nossa rede formada pelo projeto AmoMeuFazer. O Educativo do Museu da Casa Brasileira era nosso cliente e eu fazia curadoria de arte na PUC com uma das coordenadoras de lá. Depois de uma viagem eu e Karine tivemos a ideia de criar a marca Manual que teria o Mercado Manual como um festival que alavancaria tantos projetos da cultura feita à mão que nós queríamos incentivar, como a Escola de fazeres manuais, música de projetos autorais e conteúdo sobre o assunto. Eu pedi a essa minha colega que me conectasse à diretoria do MCB para apresentar o projeto e o Museu, tendo o design como vocação, abraçou a ideia de incentivar o artesanato contemporâneo e o consumo consciente, na hora.

Hoje, a Manual é o fazer da Floristas. A Floristas é praticamente nosso CNPJ . Dizemos que a Manual é uma rede que reúne e empodera pequenos empreendedores, incentiva a economia criativa brasileira e serve de ponte entre quem faz com as próprias mãos e todos aqueles que enxergam no trabalho autoral um meio de uma vida mais consciente. Por isso, muitas vezes usamos o nome Rede Manual, já que a palavra “rede”representa o que queremos promover com os artesãos. A Rede de artesãos é um dos “produtos da Manual”. Temos o Mercado, temos a Escola Manual, vamos ter o E-commerce, loja… A Manual é a marca que engloba tudo isso. Floristas, nossa produtora, nosso CNPJ.

Como funciona a empresa?

Karine: A Floristas tem o fazer manual como core e se utiliza dessa ferramenta para incentivar o artesanato contemporâneo, por meio da marca Manual – que por enquanto se sustenta através do Mercado Manual – um festival de cultura feita à mão, que reúne negócios, entretenimento e conhecimento – que realizamos há 2 anos. Já foram 13 edições, e estamos desenhando o calendário deste ano, que vai ser bem recheado. Além do evento, fomentamos o trabalho manual produzindo e divulgando conteúdo sobre esse universo. E, em breve, abriremos novas frentes para reforçar nosso propósito, como e-commerce, Escola Manual entre outros.

Como a Floristas se sustenta financeiramente?

Pati: A remuneração da Floristas provém do Mercado Manual, do qual somos realizadores. Para colocar cada mercado de pé, fazemos um “rateio” dos custos com todos os expositores da edição. Por enquanto, nossa remuneração vem através da participação sobre as vendas dos Mercados que realizamos e com a produção do evento quando este ocorre incentivado por uma iniciativa privada.

Como é a atuação de cada uma de vocês na empresa?

Dani: Trabalhamos juntas na estratégia e posicionamento de marca da nossa empresa e sempre nos envolvemos em praticamente tudo o que acontece. Mas as áreas de responsabilidade se dividem assim: Karine – produção artística e executiva; Patrícia – produção executiva, financeiro e curadoria e eu cuido do marketing e curadoria.

Quais os objetivos e diferenciais da Floristas?

Karine: Nosso propósito sempre foi e será fomentar o fazer manual/autoral, difundindo o consumo consciente e o fazer manual. Sabemos o valor que existe em cada projeto feito de forma artesanal e em pequena escala e queremos mostrar esse valor para cada vez mais pessoas. Por conta da nossa experiência em conteúdo, nosso diferencial é a forma como comunicamos essa cultura feita à mão, fundamental para a transformação de mentalidade das pessoas em sua forma de consumo.

“Quando incentivamos o consumo consciente, estamos desacelerando toda indústria fast-shop, cultivando o slow fashionslow life e uma cultura mais saudável ao planeta em diversos âmbitos”

Como foi o começo da empresa?

Dani: Nosso início foi cheio de inspiração (produzíamos conteúdo lindos sem receber qualquer remuneração), não sabíamos como transformar nosso fazer em negócio. No entanto, a coisa toda estava se desenhando sem a gente perceber. Já tínhamos a rede de artistas e artesãos que construímos através da publicação AmoMeuFazer, a paixão pelas artes e pela autoria, o desejo de contar para todo mundo o quanto era valioso um trabalho feito com as mãos e de criar um evento, uma festa para celebrar a cultura feita à mão. Vivíamos uma grande crise na Floristas, estávamos prestes a fechar as portas por não conseguirmos viver como uma produtora de conteúdo para os artesãos, quando fiz uma viagem para Londres e lá, tive a inspiração da Manual. Após visitar muitas feiras de pequenos empreendedores e me aproximar do universo ‘maker’ (feito à mão), tudo fez sentido. De volta ao Brasil, tivemos a oportunidade de apresentar o projeto para o Museu da Casa Brasileira, sua diretoria entendeu a vocação do Museu no assunto e vieram conosco incentivar o artesanato brasileiro, elevando-o à categoria das artes. Assim nasceu o Mercado Manual, que é feito pela nossa produtora, a Floristas.

O que é o Mercado Manual?

Dani – O Mercado Manual é um festival de artesãos, designers e pequenos produtores, que têm seus projetos autorais criados manualmente e em pequena escala. Além do consumo ético (que é feito em pequena escala, autoral, com menor impacto ambiental, sem teste em animais, com cadeia justa de trabalho), o Mercado é um programa cultural familiar completo, com atrações musicais (também autorais) e oficinas gratuitas sobre manualidades. Nós fazemos questão que os artesãos estejam presentes em seus espaços para que troquem experiências com as pessoas sobre seus processos de trabalho, que se aproximem de seus clientes Nossa rede conta com mais de 300 artesãos/artistas e, até agora – somando todos os Mercados – alcançamos o número surpreendente de quase 150 mil visitantes. Para colocar esse projeto de pé, fazemos um “rateio” dos custos com todos os expositores da edição e a remuneração que vai para a Floristas é a participação nas vendas.

 

Cada evento tem um mix de produtos desenhado para trazer diversidade e novidades ao público e gerar bons resultados para os expositores.

E quais estratégias têm dado melhor resultado nesta trajetória?

Pati: Nossas principais estratégias tem foco: na curadoria – vários fatores contam na escolha dos artesãos – autoria, qualidade dos materiais, design, processo produtivo, identidade da marca e comunicação são alguns deles – e troca com a rede. Cada evento tem um mix de produtos desenhado para trazer diversidade e novidades ao público e gerar bons resultados para os expositores. Já na experiência dos eventos: o local, a escolha dos artesãos, a programação cultural (shows e oficinas gratuitos), a praça gastronômica fazem do evento um grande festival. A cada edição, tudo é cuidadosamente pensado para proporcionar experiências de convivência e inspiração que aproximam o público do universo da cultura feita a mão, destacando o que há por trás da cadeia produtiva e a importância do consumo ético como ferramenta de mudança. Conhecer as necessidades da rede é muito importante para a gente, nos empenhamos para atender os artesãos com a dignidade e profissionalismo que eles merecem. Num mercado onde, cada vez mais, cresce a quantidade de feiras, fica nítida a importância de oferecer o melhor atendimento, ambiente e estrutura, dentre outros detalhes, para quem empreende e vive de eventos esporádicos. Por isso mantemos um canal aberto e realizamos pequenas pesquisas para ouvir suas opiniões sobre desempenho, o que podemos melhorar e etc. Por fim, damos atenção ao conteúdo investindo bastante na qualidade do mesmo e sua divulgação nos meios de comunicação online e offline. Nosso site e redes sociais servem como portfólio para muitos artesãos divulgando seus trabalhos e pontos de contato.

Qual foi a maior conquista de vocês até aqui?

Karine: Foram muitas! Ajudamos vários artesãos a consolidar sua arte como negócio. E ver suas vidas transformadas é maravilhoso para a gente. Além disso, a Manual tem um impacto bastante importante na questão do consumo ético, e pretendemos continuar expandindo nessa visão.

Quais seus planos para o futuro?

Pati: Em 2018 queremos trazer nosso olhar e coração para a implantação do e-commerce e da Escola Manual, além de continuar fortalecendo nossa Rede, criando novas ramificações além do mercado físico. O mercado é a ponta de uma rede de artesãos que têm muito para compartilhar através do seu estilo de vida, saberes e fazeres. Contribuir para perpetuar os fazeres manuais semeando a semente do fazer é o que nos move. Hoje estamos concentradas em São Paulo, mas queremos expandir nosso trabalho de forma mais consistente para outras regiões, já que temos vários artesãos de outros estados na nossa rede. E, por que não, para o exterior?

 

Esta matéria pode ser encontrada no Itaú Mulher Empreendedora, uma plataforma feita para mulheres que acreditam nos seus sonhos. Não deixe de conferir (e se inspirar)!

 

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