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Como a Vendedoria transformou o ranço diante da área comercial em um negócio que ajuda os outros a… vender

- 20 de outubro de 2016
Crislaine Veiga e Eliani Prado, com a Vendedoria, combatem o preconceito contra vendas mostrando aos clientes que não há missão nem propósito que se realize sem uma boa venda.
Crislaine Veiga e Eliani Prado, com a Vendedoria, combatem o preconceito contra vendas mostrando aos clientes que não há missão nem propósito que se realize sem uma boa venda.

A psicóloga Crislaine Veiga, 53, e a publicitária Eliani Prado, 54, trabalhavam com vendas há mais duas décadas e guardavam uma vontade quase secreta: montar um negócio juntas, unindo as especialidades de cada uma. O projeto era uma consultoria especializada em tornar outros profissionais capazes de vender mais qualquer coisa, de um tênis até a participação societária em uma companhia. A ideia estava pronta, mas os anos iam se passando e faltava aquele empurrão final.

O impulso veio quando Eliani foi diagnosticada com Esclerose Múltipla. É dessas coisas que a vida coloca na nossa trajetória e só depois vamos nos dando conta de que não podia ser diferente. “Fui diagnosticada em dezembro de 2013. O sonho de empreender já vinha de muitos anos, mas nós planejávamos para dali mais uns três ou quatro anos”, diz. Os planos mudaram, e a Vendedoria, uma consultoria especializada em vendas, foi lançada em 2014:

“Descobrir a doença me fez acelerar a mudança para a vida de empreendedora”

Empreender, dessa forma e nessas condições, mudou a vida dela completamente. E em muitos aspectos, para melhor. Ela não só deixou de lado o dia a dia de executiva de uma grande empresa, como viu a sua saúde melhorar. A Esclerose Múltipla é uma doença autoimune (os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas podem incluir comprometimento motoro, fadiga, dor e perda da visão) e mudar de trabalho deixou de ser apenas uma questão profissional. Eliani precisava mudar de vida para que a doença parasse de atacá-la.

“É uma doença que cansa muito, então ter uma rotina de  trabalho intensa o dia inteiro e depois, às 8 da noite ainda ter que ir para terapias me deixava esgotada”, conta. E segue listando as mudanças. “Desde que começamos a Vendedoria minha qualidade de vida melhorou muito. Meus médicos me disseram que estou com mais força e equilíbrio”, afirma.

A melhora vem pelo fato de, agora, Eliani ter mais tempo para se cuidar, mas também por estar se dedicando a um projeto próprio: “É um projeto que nos entusiasma tanto, que não tenho dúvida que está me ajudando no controle da doença e a viver bem com ela”.

TRANSFORMANDO O RANÇO CONTRA VENDAS

Eliani e Crislaine se conheceram quando trabalharam juntas na Editora Abril, em São Paulo, vendendo anúncios para a revista Veja São Paulo, há mais de 25 anos. A ideia de criar uma consultoria que ajudasse a suprir a deficiência de muitas empresas que, apesar de terem boas ideias e produtos, não sabem se vender vem daquela época. “Em 2014, saí da Abril, a Cris resolveu também sair da empresa em que estava trabalhando e decidimos que era a hora de embarcar naquele projeto antigo que tínhamos”, conta Eliani.

Daí nasceu a Vendedoria, que usa de um olhar estratégico para desenvolver um modelo de negócio customizado para a área de vendas de qualquer tipo de empresa. A ideia surgiu de uma inquietação sobre o preconceito que a área de vendas sofre, como Crislaine conta:

“As pessoas têm resistência à atividade de vender, dizem ‘não sou vendedor, sou executivo de relacionamento’. Ou, acham que é preciso um talento especial. Bobagem”

Elas acreditam que nem o preconceito se justifica, e nem o sucesso na atividade é privilégio de “escolhidos”. Nada disso. E, olha a janela de oportunidade aí: combater um preconceito e empoderar pessoas para um talento que muitas vezes elas duvidam que tenham. Com esse propósito, as duas amigas partiram para a execução do plano de tantos anos: unir os conhecimentos da área comercial e de psicologia para pararem (elas) de vender e começarem (elas) a ensinar como vender mais e melhor. Isso é a Vendedoria.

Publicitária e psicóloga juntas para mostrar como Vendas é algo muito mais nobre do que se costuma achar.

Publicitária e psicóloga juntas para mostrar que o talento de vender não é privilégio de poucos sortudos. E que um bom negócio não sobrevive sem um bom vendedor à sua frente.

Depois de sair de grandes empresas, elas notaram que existiam muitos projetos interessantes no mercado que não conseguiam se viabilizar financeiramente pela simples incapacidade de se venderem de uma forma que deixasse mais visíveis as suas vantagens e características únicas. “Vimos que a nossa contribuição poderia estar aí, nessa Nova Economia, em ajudar essas empresas a desenvolver uma estrutura comercial, um fluxo de vendas, um mapeamento de mercado”, afirma Eliani.

A Vendedoria começou a operar em junho de 2014, com esta missão: transformar, potencializar e educar para vender. “Pesquisamos a história, as crenças, os arquétipos que envolvem a venda, uma das profissões mais antigas da história da humanidade, e percebemos que se o propósito da venda não é bem definido, ela acaba indo para o patamar operacional”, conta Crislaine. É quando o sentido se perde tudo vira uma corrida atrás do próprio rabo, o famoso “eu vendo para bater metas”, que faz com que muitos desprezem essa atividade.

O objetivo de Eliani e Crislaine é, através da consultoria, elevar a Venda a um patamar estratégico — como algo que é fundamental para viabilizar as missões das empresas. Segundo elas, quando colocada dessa forma, essa relação fica muito mais palatável, afinal, vendemos tudo o tempo todo: de uma ideia em uma roda de conversa a uma imagem pessoal publicada nas redes sociais e, até, a produtos e serviços.

SEM VENDA, NÃO HÁ MISSÃO QUE SOBREVIVA

A Vendedoria oferece vários tipos de serviços, desde palestras e workshops em diversos formatos até a consultoria clássica, passando também por mapeamento de mercado de prospecção, pesquisa de mercado, treinamento de área comercial e coaching. O valor dos serviços é calculado de acordo com a quantidade de horas gastas (em média, 500 reais a hora) de cada uma das duas consultora naquele projeto.

“A gente respeita a cultura da empresa e constrói, junto com os funcionários, o caminho do nosso trabalho fazendo perguntas como: quem é o seu cliente?, o que você vende?, onde você quer chegar? o que está faltando para atingir isso?”, conta Eliani. Segundo elas, depois que são levados a refletir sobre o propósito das empresas, os funcionários passam a tratar a área comercial com muito mais leveza — e alcançam resultados melhores. Bingo.

Por exemplo, em uma consultoria para uma empresa de varejo de sapatos, Eliani e Crislaine reuniram lojista, vendedores da loja, seguranças e caixas e fizeram a seguinte pergunta: o que vocês vendem? A resposta que saiu de imediato foi calçados mas, aos poucos, eles foram levantando outros “produtos” como bem estar, solução, aconchego, auto estima. “Eles mesmo disseram coisas que estão ligadas ao propósito daquela empresa, então, seguimos por esse caminho, muito mais efetivo e verdadeiro”, diz Eliani.

VENDA ESTRATÉGICA É MUITO MAIS QUE BATER META

Segundo a dupla, o conceito de venda estratégica é aplicável em qualquer segmento de mercado e a proposta da Vendedoria é atuar em todas as áreas (elas já atenderam empresas de setores diversos, como mídia, varejo, startups e ONGs).

A Vendedoria já atuou, até mesmo, em uma negociação entre sócios. “Uma pessoa queria comprar uma empresa, que não queria vender, mas queria que ele entrasse como sócio. Fomos chamadas para fazer essa intermediação”, conta Eliani. Em outro caso parecido, a dupla ajudou um sócio que queria aumentar sua participação societária na empresa. “Ajudamos ele a se vender”, diz. Crislaine fala dessa presença da venda também fora de sua caixinha convencional:

“Muitas vezes, a venda está em áreas que não são tão exploradas, mas que têm potencial comercial”

Segundo ela, também é comum as empresas se focarem apenas no produto que querem vender e se esquecerem de olhar para os clientes. “Dependendo do tipo de serviço, eu preciso ter um grupo de formadores de opinião, pois são eles que vão ajudar a vender. Nós ajudamos as empresas a pensarem nisso”, conta.

EMPREENDER EM TEMPOS DE RETRAÇÃO ECONÔMICA

Uma preocupação surgiu logo no início dessa jornada para elas: será que conseguiriam trabalhar juntas, empreendendo em um momento econômico desfavorável? “Sabíamos que juntando nossas bagagens poderíamos construir algo muito legal, mas construir uma sociedade não é simples”, afirma Crislaine.

Tanto Eliani como Crislaine já haviam se aventurado no empreendedorismo antes, em iniciativas menores e sem sucesso. Isso não foi suficiente para desencorajá-las da nova empreitada. Eliani sonda os motivos:

“Tudo muda quando você tem uma ideia e acredita no potencial dela. Claro, é preciso muita resiliência nas dificuldades e aprender sobre tudo que envolve uma empresa”

Em seu segundo ano de operação, a Vendedoria é, hoje, a principal fonte de renda das duas. O modelo de trabalho enxuto, cada uma em seu home-office, também ajuda a reduzir custos, mas elas não estão satisfeitas. “Ainda não é o que a gente gostaria de ganhar, queremos mais!” E é para lá que elas miram: para o mais, a coragem, a abundância.

DRAFT CARD

Draft Card Logo
  • Projeto: Vendedoria
  • O que faz: Consultoria em vendas
  • Sócio(s): Crislaine Veiga e Eliani Prado
  • Funcionários: 2 (as sócias)
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2014
  • Investimento inicial: R$ 20.000
  • Faturamento: NI
  • Contato: [email protected] e [email protected]
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