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Como manter o foco e se superar? As três maiores maratonistas do Brasil dão a receita

- 14 de fevereiro de 2019
O trio Adriana Aparecida da Silva, Andreia Hessel e Valdilene dos Santos Lima conta como seguir firme e forte mesmo entre tombos e medalhas.

Quanto tempo você leva para percorrer um quilômetro a pé? Talvez dez minutos na caminhada ou cinco minutos correndo sejam boas marcas para pessoas comuns, mas equivalem ao tempo de um jabuti com 80 anos de idade quando se trata das maiores maratonistas do Brasil. O grupo de elite é encabeçado pela veterana Adriana Aparecida da Silva, 37, duas vezes medalha de ouro nos Jogos Pan Americanos e recordista sul-americana na prova de 42 quilômetros. Ao lado dela estão Valdilene dos Santos Lima, 27, e Andreia Hessel, 34.

As três levam pouco mais de 3min30s para percorrer um quilômetro completo – e aqui não estamos falando da distância isolada, mas do tempo médio em uma maratona. Elas voam. Além do corpo enxuto e capaz de correr rápido, as três têm em comum uma resiliência quase heroica para buscar bons resultados. Na chuva ou no sol escaldante elas estão na pista do Clube Pinheiros, em São Paulo, de onde são contratadas. “Muitas vezes preciso focar em algo maior para conseguir terminar um treino extenuante ou para evitar de ficar mal quando me lesiono. Penso nos meus objetivos e na minha fé.”, conta Adriana.

As três também compartilham a amizade semeada no dia a dia cheio de desafios e nas viagens para representar o atletismo brasileiro. Outro ponto de convergência da história delas é a origem mais simples, sem grandes ambições e a descoberta do talento e da realização no esporte. Conheça a seguir um pouco mais da trajetória das atletas e do que elas descobriram sobre foco e trabalho no esporte e se aplicam a qualquer profissão.

Adriana Aparecida da Silva: “Ter fé é essencial para seguir em frente”
Recorde pessoal: 2h29min17s na Maratona de Tóquio

Medalha de outro nos jogos Pan Americanos de 2011, no México, e de 2015, no Canadá, Adriana diz que a fé é a sua maior ferramenta para ir em frente e buscar resultados melhores. “É nisso em que me concentro quando as coisas estão muito difíceis. Peço sempre forças para aguentar e não desistir”, diz. Em 2005 foi também a crença em algo maior que a ajudou a se recuperar de uma depressão – além, claro, de passar pelo tratamento adequado. “Tive uma lesão e precisava parar de correr, mas não quis. Por causa disso, as coisas se agravaram e precisei fazer uma cirurgia. Na época foi um processo muito difícil e eu me deprimi”, lembra.

Católica, ela mantém os bens mais preciosos que conquistou no esporte, seus troféus, no santuário de Nossa Senhora de Aparecida, de quem é devota. Quando venceu a maratona dos Jogos Pan pela segunda vez, cumpriu a promessa que fez antes da prova e percorreu correndo os 55 quilômetros que separam a cidade dela, Cruzeiro, no interior de São Paulo, de Aparecida do Norte. Ali diz não ter sentido dor ou sofrido. Só alegria. “Fui correndo devagar. Estava muito feliz.”

A história de Adriana no esporte começou cedo. Ainda menina, com 12 anos, ela venceu uma das primeiras provas de corrida de que participou na cidade em que nasceu. Mesmo sem treino, roupas e tênis adequados, ela voltou em casa cheia de orgulho com a medalha no peito e o prêmio de 50 reais na mão. “A minha mãe era lavadeira e esta foi a primeira vez em que conseguimos ir ao mercado e encher o carrinho”, conta. Mesmo novinha, foi ali que ela descobriu que o atletismo era um caminho possível, uma profissão. Hoje, com os 25 anos de bagagem no esporte, Adriana faz um balanço:

“Nunca imaginei chegar tão longe. Trabalhei em casa de família quando era criança e hoje, por causa do esporte, viajei o mundo e consegui pagar a minha faculdade de Educação Física. O mais importante foi ter aprendido a confiar em mim”

Andreia Hessel: “Nunca é tarde para começar”
Recorde pessoal: 2h34min56s na Maratona de Frankfurt

Enquanto Adriana começou a correr ainda criança, Andreia demorou para encontrar seu caminho no esporte. “Tinha 28 anos quando vim buscar uma vaga aqui no Clube Pinheiros para melhorar a minha performance”, conta. Sem conhecer ninguém, ela e o treinador que a acompanhava até então foram atrás de uma oportunidade. “Consegui um telefone e, quando liguei e falei a minha idade, vi que pesou. O outro lado da linha ficou em silêncio”, lembra, reforçando que é raro ver um atleta começar perto dos 30 anos.

Ela conta que usou a insistência para quebrar o gelo da conversa: “Pedi para me deixar pelo menos fazer o teste”. Deu certo: ela se destacou na avaliação presencial e garantiu a vaga no clube. Criada em um sítio no extremo Sul da cidade de São Paulo, de onde caminhava 7 quilômetros para ir e voltar da escola todos os dias, Andreia nunca pensou no atletismo como profissão quando era mais jovem. Ainda assim, sempre adorou esportes.

Por causa disso, foi trabalhar em uma academia. Começou na limpeza e passou por uma série de funções até entrar na faculdade de Educação Física e virar estagiária. Lá encontrou seu primeiro treinador e amigo até hoje. “Ele viu que eu tinha jeito para correr e insistiu que eu tentasse”. Meio a contragosto ela seguiu o conselho e começou a treinar. Foi pegando o jeito e ganhou a sua primeira prova de rua. “Me brilhou os olhos aquela troca de energia, vê-lo todo feliz de estar lá, torcendo por mim.” Depois de picada pelo bichinho da corrida ela não parou mais.

Valdilene dos Santos Lima: “O meu resultado representa muita gente”
Recorde pessoal: 2h32min01s na Maratona de Frankfurt

A mais jovem do chamado “trio maratona” do Clube Pinheiros precisou escolher entre o futebol e o atletismo há alguns anos. Ela treinava as duas modalidades e viu que seria preciso tomar a difícil decisão se quisesse evoluir no esporte. Escolheu ser maratonista. “No começo eu não via muita graça em correr, mas comecei a achar divertido, fui me apaixonando”. Valdilene encara a profissão como uma oportunidade de oferecer condições melhores para a própria família. “Esse é o propósito que me faz sair treinar todos os dias”, conta.

Ela diz ter sido conquistada pelo atletismo quando viu que, apesar de correr a prova sozinha, cada passo é resultado de um trabalho coletivo. “Tem sempre um clima de união. É uma busca individual, mas o meu resultado representa muita gente. É isso que me faz ir atrás de uma medalha”, conta. Valdilene diz manter este ponto de vista em mente sempre que a determinação ameaça falhar ou quando as conquistas parecem distantes demais.

Confiar no próprio taco também é uma construção em que a atleta está engajada. “Todos os dias eu preciso acreditar em mim, pensar que estar nos Jogos Olímpicos é um sonho possível, considerar que tenho potencial para trazer uma medalha para o Brasil”, diz. Nós, aqui, já acreditamos.

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Adriana Aparecida da Silva, Andreia Hessel e Valdilene dos Santos Lima são parte da equipe de Atletismo do Clube Pinheiros que desde 2012 a 3M tem o orgulho de patrocinar via lei de incentivo ao esporte. Estas profissionais são exemplo de superação, garra e dedicação ao esporte.

 

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