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Como o Inova Maranhão quer fazer o estado se tornar um polo de empreendedorismo e inovação

- 19 de fevereiro de 2019
O segundo edital do Inova Maranhão recebeu 100 inscrições e selecionou 14 projetos.

Longe dos centros de inovação já consolidados no Sul e Sudeste do país, o Maranhão trabalha para se tornar um polo de empreendedorismo e criatividade. De 2015 para cá, o estado quintuplicou o tamanho do seu setor de tecnologia da informação: cresceu 469%, segundo dados do Ministério do Trabalho. Entre 2016 e 2018, o número de startups também aumentou, chegando a 55 hoje.

Essa mudança já tem um ícone na cena urbana, há um ano, a capital São Luís tem um espaço público para fomentar ações sobre empreendedorismo, o Casarão Tech Renato Archer, que também funciona como coworking. O local, que estava praticamente abandonado e passou por um processo de revitalização, conta com laboratório maker, laboratório kids, auditório, sala de reunião, sala para incubação de empresas e sala de treinamentos.

Inaugurado em janeiro de 2018, o Casarão Tech Renato Archer é um espaço público de apoio ao empreendedor.

Um dos principais responsáveis por estimular o empreendedorismo no Maranhão é o programa Inova Maranhão. Criado em 2016 pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), atualmente é gerido pela Softex, uma Organização Social Civil de Interesse Público (OSCIP) que promove a competitividade da indústria brasileira de software e TI.

O objetivo do programa, porém, permaneceu o mesmo: oferecer suporte e estimular a inovação nas empresas maranhenses. O Inova Maranhão busca atuar com medidas práticas para estimular a inovação. A primeira e principal foi a criação de editais específicos para a pré-aceleração, aceleração e incubação de startups.

Mas chegar a esse estágio foi um aprendizado por si só. Na primeira edição, receberam somente 18 inscrições de projetos de startups, das quais 15 foram selecionadas para desenvolver as ideias ao longo de um ano.

INCUBAÇÃO E ACELERAÇÃO PARA QUEM NEM SABIA POR ONDE COMEÇAR

Dos projetos inscritos, só um vingou: a Dona Rita, agência online que intermedia serviços domésticos. “No primeiro edital, o foco ainda era muito acadêmico, não era voltado para o mercado”, diz Luciana Tsukada, atual chefe de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Softex e responsável pela operação do Inova Maranhão. “Pouco se falava sobre inovação, mesmo as empresas não sabiam o que isso significava.” Os próprios empreendedores não sabiam bem por onde começar, como conta Eduardo Araújo de Oliveira, 31, fundador da Dona Rita:

“Antes do programa, eu não sabia nem o que era startup. Fui apresentado a um novo mundo”

Ele duvida que conseguiria chegar aonde está hoje se seguisse o processo tradicional. “Incubadoras e aceleradoras em geral querem negócios um pouco mais maduros. Dificilmente pegariam projetos de empreendedores tão inexperientes.”

Eduardo Araújo de Oliveira e a mãe, cujo nome batiza a startup de serviços de limpeza Dona Rita: a primeira a vingar no Inova Maranhão.

A empresa hoje fatura cerca de 5 mil reais por mês e se prepara para escalar o negócio. Isso foi possível, em grande parte, por ter continuado no programa no segundo edital, lançado em 2017. “Foi como se eu fizesse um MBA por mês durante o novo programa”, diz Eduardo.

Mais voltada para o mercado e para o impacto econômico e social que gerariam no estado, a nova versão do programa foi dividida em duas fases: uma de ideação e outra de aceleração e incubação. Na primeira, empreendedores que ainda não tinham um projeto bem definido tiveram dois meses de mentorias para modelá-lo. Os selecionados para a segunda etapa passaram para a fase de aceleração ou incubação, de acordo com grau de desenvolvimento mostrado no início. Dentro dela, foram divididos em dois grupos, o de validação, que recebeu até 60 mil reais para testar a viabilidade do negócio, e o de operação, que recebeu até 80 mil reais para rodar o negócio (caso da Dona Rita, por exemplo).

Desta vez, as propostas vingaram. Foram mais de 100 inscrições, das quais 14 foram selecionadas para permanecer no programa. Metade disso já está faturando. A ImaginaKIDS é uma das que partiu do zero. Criada em 2017 pela professora de artes visuais Alionália Lopes, 34, e o programador Rafael Fernandes, 36, a startup desenvolveu um aplicativo de contação de histórias e criação de livros.

Em um ano no programa e sem investir nada além dos 60 mil reais recebidos, a ImaginaKIDS consolidou o modelo de negócio através de parcerias com escolas, que pagam licenças mensais por alunos. Fatura hoje cerca de 1.000 reais por mês. “Fomos norteados muito graças ao programa, o que fez nosso trajeto ser curto, mas cheio de grandes aprendizados”, diz Alionália.

NA BASE DE TUDO, EDUCAÇÃO PARA INOVAR

Ainda no Inova Maranhão, outra frente importante é a consolidação de uma rede de Institutos Estaduais de Ciência e Tecnologia (IECTs) em setores estratégicos para o estado. Desde a criação do programa, foram fundados oito, nas áreas de biotecnologia, economia solidária, pesquisa com babaçu (palmeira da qual se extrai um óleo usado na fabricação de alimentos, remédios e biocombustíveis), agricultura familiar, saúde, economia criativa, energias oceânicas e energias renováveis.

Luciana Tsukada, atual chefe de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Softex e responsável  gestão do Inova Maranhão.

Antes mesmo dos IECTs serem idealizados, em 2015 foram criados institutos com cursos voltados a formar profissionais capacitados para atender demandas específicas das regiões. Os Institutos Estaduais de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA) estão presentes em pelo menos 23 cidades, com unidades plenas, para a educação de ensino médio em tempo integral, e vocacionais, com cursos de curta duração para a população em geral.

Até o fim deste ano, a previsão é de que mais 16 unidades sejam implantadas — um investimento público de 240 milhões de reais. Luciana fala mais a respeito: “Estamos vendo um movimento capitaneado pelo governo de sensibilizar a sociedade de que inovação, ciência e tecnologia podem gerar tanto resultado quanto construir escolas e hospitais”. Ela continua:

“O Maranhão sempre teve muita evasão de capital humano e mão de obra qualificada, embora exista demanda para atender à necessidade de grandes empresas que atuam aqui”

A responsável pela operação do Inova Maranhão diz que um dos passos futuros é mapear demandas específicas tecnológicas locais a fim de conectá-las com startups e empresas que eventualmente tenham soluções a oferecer. O setor privado também entrou no movimento, com empresas como a Mateus Supermercado, maior rede de mercados do estado, com cerca de 22 mil funcionários, investindo em espaços para estimular a inovação.

Outro efeito sintomático é que na capital São Luís já aumentou o número de coworkings e locais que dão suporte a empreendedores. Além do Casarão, inaugurado no ano passado, há pelo menos outros dez espaços com propostas semelhantes: mostrar que no Maranhão existem boas ideias, pessoas dispostas a inovar e a estrutura necessária para fazer isso acontecer.

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