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Como o Sumá conecta pequenos produtores a empresas e fortalece a agricultura familiar

- 19 de abril de 2018
Com o Sumá, Daiana, neta de agricultor e engenheira ambiental, e Alexandre, agrônomo, encontraram uma forma de empoderar a ponta mais fraca da cadeia agrícola: o pequeno produtor (foto: Léo Canabarra).
Com o Sumá, Daiana, neta de agricultor e engenheira ambiental, e Alexandre, agrônomo, encontraram uma forma de empoderar a ponta mais fraca da cadeia agrícola: o pequeno produtor (foto: Léo Canabarra).

A engenheira ambiental Daiana Lerípio, 30, e o agrônomo Alexandre Leripio, 49, querem fortalecer a agricultura familiar no Brasil. No país do agronegócio, pouca gente sabe que cerca de 70% do alimento que comemos não vem dos grandes latifúndios, mas sim de pequenas e médias propriedades familiares. É verdade que nos últimos anos muitos olhares se voltaram para esses produtores (pelo aumento da preocupação em saber a origem do alimento e pela busca por orgânicos, por exemplo), mas também é fato que a maioria tem baixa renda e muitos vivem em condições de vulnerabilidade social. Porque são o elo fraco na negociação e venda do que produzem, e porque não têm capacitação empreendedora — e eis os dois pontos de atuação do Sumá.

Desenvolvida como uma plataforma digital, o Sumá (nome da deusa tupi-guarani da agricultura) é uma startup de impacto social que faz o elo entre cooperativas, associações de agricultores e grandes empresas (hotéis, restaurantes e cozinhas industriais) que querem comprar alimento fresco em um sistema de comércio mais justo. Além disso, oferece cursos de formação para os pequenos e médios produtores. Foi trabalhando em projetos relacionados à agricultura familiar para o Sebrae que Alexandre identificou a dificuldade desses agricultores em acessar o mercado. Ele fala a respeito:

“O agricultor familiar depende de intermediários. Muitas vezes, não consegue levar o produto vender diretamente para o consumidor e, assim, fica refém desses atravessadores”

E continua: “O que queremos é empoderá-los através do acesso a mercados mais justos, com uma remuneração melhor do que a oferecida pelo sistema convencional”.

Neta de um agricultor familiar que precisou deixar o campo por falta de oportunidade, Daiana mergulhou no conceito de negócios de impacto social durante o mestrado e levou a ideia para o sócio (e marido). “No primeiro momento, confesso que não dei muita importância. Mas comecei a pesquisar, me envolver e descobrimos que o nosso DNA se encaixava perfeitamente nas características dos negócios de impacto”, diz Alexandre. Participar de uma aceleração na Artemisia aprofundou ainda mais esse propósito.

É SOBRE AJUDAR NAS VENDAS MAS, TAMBÉM, QUALIFICAR O PRODUTOR

Com operação em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, o Sumá possui uma base de 1 600 agricultores de 10 cooperativas e 100 compradores ligados à ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), Aberc (Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas) e Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes). A principal forma de venda são os pedidos grandes com entregas fracionadas (quando as empresas fazem compras para um ano, mas a entrega é feita de forma escalonada ao longo do período).

A Sumá busca ajudar agricultores familiares, como o casal ao centro, tanto com acesso a compradores como com cursos para melhorarem o próprio negócio.

No Sumá, os agricultores são divididos em três categorias: produtores orgânicos certificados, produtores orgânicos sem certificação e produtores convencionais. Eles pagam uma mensalidade de 49 reais a partir de 2.000 reais vendidos.

Por sua vez, os compradores pagam uma taxa de 15% sobre o valor transacionado. “Mesmo cobrando 15% do comprador, consigo entregar um produto mais barato do que o sistema convencional, já que em muitos casos eles colocam uma margem de 400% sobre o preço pago ao agricultor”, conta Alexandre. Em 2017, o faturamento da empresa foi de 68 mil reais e a expectativa para 2018 é de 500 mil.

Além da venda dos produtos, o Sumá atua para melhorar a produção e a gestão das propriedades familiares oferecendo oficinas de capacitação e fazendo visitas de qualificação e adequação para orientar os agricultores em questões como cálculo de preços, cadastro de lotes, rastreabilidade, certificações etc.

“Trabalhando com as cooperativas, a gente ganha volume, enquanto com a qualificação garantimos o atendimento das exigências feitas pelas empresas”, afirma Alexandre. O problema desse sistema, segundo ele, é que qualificar um agricultor para um mercado exigente pode ser demorado. “Mas não vejo isso como um tempo gasto, e sim investido, porque só assim esses agricultores poderão fornecer regularmente para um mercado que paga melhor”.

A PRIMEIRA IDEIA DO NEGÓCIO ERA “UMA MARAVILHA”, MAS NÃO FUNCIONOU

A primeira versão do Sumá, em 2016, foi pensada para ter como compradores as escolas públicas. “Por lei, 30% da verba federal para merenda deve ser usada em produtos da agricultura familiar. E existe uma determinação parecida para organizações públicas federais. Então, vimos aí um bom mercado”, conta Alexandre.

Hoje, 1 600 agricultores fazem parte da base do Sumá.

Com um investimento de 500 mil reais vindos da FAPESC (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina) e de recursos próprios, eles mapearam as cooperativas e foram atrás dos clientes. Não demorou para vir o primeiro baque. “Ouvimos que o Sumá era uma maravilha, ia resolver muitos problemas, mas nunca ninguém nos contratou.”

Com os nãos, surgiram também as dúvidas: “Será que aquela era uma solução efetiva e que os órgãos públicos eram o alvo certo?” Tiveram a resposta em uma mentoria no programa de Negócios de Impacto do Sebrae:

“Nosso mentor disse que a gente ia morrer antes de fechar o primeiro contrato porque o comprador público é complicado”

Mesmo a contragosto, eles foram buscar outro tipo de comprador. Pesquisaram e perceberam que grandes empresas tinham interesse nos produtos da agricultura familiar, mas não compravam por uma dificuldade de acessar os fornecedores e porque esse mercado não conseguia ofertar seus produtos regularmente e com a qualidade que eles precisavam. Foi aí que, finalmente, descobriram o mercado da Sumá.

Engoliram a frustração e partiram para um recomeço. “A dor que ficou desse episódio é que não conseguimos aproveitar aquela verba pública que recebemos e devolver para a sociedade o que ela tinha nos financiado. Mas a gente acredita que é a nossa missão como empresa de impacto social fazer a diferença no Brasil e o comprador público está inserido nesse contexto, então vamos chegar a ele. Antes, precisamos ganhar músculo junto ao mercado privado, que é mais rápido e assertivo”, diz o empreendedor. E segue plantando.

DRAFT CARD

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  • Projeto: Sumá
  • O que faz: Conecta agricultores familiares a grandes compradores
  • Sócio(s): Alexandre e Daiana Leripio
  • Funcionários: 7 (incluindo os fundadores)
  • Sede: Balneário Camboriú (SC)
  • Início das atividades: 2016
  • Investimento inicial: R$ 500.000
  • Faturamento: R$ 68.000 (em 2017)
  • Contato: contato@appsuma.com.br
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