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Como promover mais e melhor impacto socioambiental: os avanços e o legado do Braskem Labs 2016

- 24 de janeiro de 2017
Hora da foto:  os empreendedores e a equipe da Braskem posam durante o Demo Day, em novembro
Hora da foto: os empreendedores e a equipe da Braskem posam durante o Demo Day, em novembro

Selecionar um número mais reduzido de projetos, com maior grau de maturidade, e dar aos respectivos empreendedores um tempo mais longo de mentoria foram alguns dos principais acertos da segunda edição do Braskem Labs, na opinião de Luiz Gustavo Ortega, gerente de Desenvolvimento Sustentável da Braskem e responsável pelo programa de aceleração de empresas com foco em impacto socioambiental. O tempo de duração foi significativamente mais alto: foram quatro meses e meio de mentorias, contra apenas 45 dias na primeira edição, em 2015.

“Muitas vezes, nos programas de aceleração, o mentor faz apenas uma mentoria esporádica. O fato de ter um profissional ligado ao setor daquele empreendedor, dedicando-se a quatro meses de mentoria, traz um resultado muito positivo”, diz Ortega. Em entrevista, ele fala sobre as mudanças que deram (muito) certo, o papel das grandes empresas no fomento ao ecossistema de empreendedorismo e as tecnologias de potencial disruptivo no radar da Braskem, que recentemente anunciou uma parceria com a Made In Space, empresa norte-americana líder no desenvolvimento de impressoras 3D para operação em gravidade zero e fornecedora da Nasa, para fornecimento de Polietileno Verde para impressão 3D na Estação Espacial Internacional.

Como você avalia o Braskem Labs 2016?

Neste ano, nós acertamos principalmente em reduzir o número de empreendedores [foram 12 projetos, contra 19 selecionados em 2015] e aumentar o tempo do programa. Fizemos o Labs com quatro meses, o que deu mais tempo para trabalhar e para nos envolvermos, nós e os mentores, nos negócios de cada empreendedor, ajudando de forma mais efetiva. Outra grande melhoria foi ter escolhido empresas que estão um pouco mais maduras, mais bem definidas em termos de modelo de negócios e de mercado. Isso ajuda bastante os mentores. Muitas vezes, os empreendedores estão em estágios mais iniciais; nesse caso, quatro meses não são suficientes para modificar as empresas. E neste ano, notamos exatamente que as empresas vieram mais bem estruturadas. Quatro meses foi um tempo legal para acelerá-las de fato, mudando as empresas de patamar.

Quais foram os maiores desafios para a realização desta edição do programa, desde a seleção dos projetos ao encerramento, no Demo Day, passando pelas mentorias?

Sempre é um desafio fazer um match entre o empreendedor e o mentor, procurando o melhor mentor para cada projeto. Isso é um ponto de muita apreensão, além de conseguir desenhar um programa que atenda às necessidades do empreendedor. Como a proposta desde o início é fazer um programa customizado para empreendedores, temos que identificar quais são as necessidades e a partir daí ajudá-los a vencer obstáculos. Dentro de uma série de mentorias coletivas com assuntos que são comuns a todos, enxergamos a necessidade de trabalhar assuntos que são específicos daquela empresa e, muitas vezes, temos que correr atrás de um tema que não é usual para nós.

Neste ano, nós não trabalhamos somente plástico, incluímos soluções em química de modo geral e uma categoria especial para soluções de combate ao Aedes aegypti. Com isso, atraímos empresas muito diferentes do nosso negócio. Uma delas, a Neoprospecta, precisava de um especialista em logística fracionada, o que está longe de ser a realidade da Braskem, aqui tem pessoas especializadas em logística, mas não em logística fracionada. Procuramos até chegar a uma pessoa da DHL que se prontificou a ajudar nosso empreendedor, e assim foi indo… Isso é só para exemplificar como tentamos atender às necessidades do empreendedor, as mais específicas que sejam.

A edição 2016 não previa um vencedor, mas, se o regulamento permitisse, qual dos doze projetos poderia ser apontado como vencedor? Em outras palavras, qual projeto tem maior potencial para estourar, considerando seu nível de disrupção, o grau de viabilidade comercial e o potencial de impacto socioambiental?

Neste programa, não procuramos fazer negócios, investir na empresa, não queremos ter equity ou participação, nada disso. A ideia é promover o empreendedorismo. Uma premiação é diferente de um investimento, um prêmio não ajudaria em nada a empresa em termos financeiros, não seria uma ajuda significativa para a empresa. Então, não fazia sentido falar em vencedor. Além disso, entendemos que o mais importante para essas empresas é o apoio, é conseguir contato com um bom investidor. A Braskem, por meio do programa, acaba contribuindo demais para abrir portas, para fazer contato. O maior valor é o próprio programa, a oportunidade de falar com um público selecionado, fazer um bom trabalho durante quatro meses e estar em condição de falar com investidores…

Não consigo dizer qual seria a empresa vencedora. Fico até contente de não conseguir responder essa pergunta. A dúvida começou já na seleção porque ideias incríveis precisaram ficar de fora. Os doze projetos selecionados tiveram desenvolvimentos fantásticos, cada um dentro do seu momento. São empresas que estão muito bem posicionadas, a maior parte delas conquistou investimento ao longo do programa, outras estão prestes a conquistar. São todas ideias inovadoras de fato, que atendem aos pré-requisitos do programa e, mais do que isso, são empresas que vão trazer benefícios de fato para a nossa sociedade.

Durante o Braskem Labs 2016, a empresa tornou-se cliente de uma das participantes, a Piipee, que produz um aditivo biodegradável que dispensa a necessidade de uso de água para eliminar a urina. Como se deu essa negociação, e por quê? A Braskem tem perspectivas de firmar parcerias comerciais com outros participantes do Braskem Labs?

As relações comerciais acontecem por acaso. O vínculo com a Piipee foi muito significativo. O pessoal das nossas plantas, que cuidam das nossas infraestruturas, estudaram a respeito do programa e dos selecionados e enxergaram a possibilidade de entrar em contato com a Piipee. Fizeram um teste para colocar o Piipee nos banheiros das plantas e foi aprovado. Foi uma super coincidência fecharem o contrato um dia antes do Demo Day, eles estavam muito orgulhosos de fechar o contrato. Quando o produto é bom, as oportunidades acontecem. E quando uma das empresas participantes fornece para a Braskem é bem diferente da relação que temos com quem vende e refina outros produtos químicos. O próprio Piipee já tem um acordo com um dos nossos clientes. Um dos mentores atua na área de químicos, tem como cliente a Givaudan, que produz essências e fez um contrato com a Piipee para desenvolver essências específicas para essa aplicação. Outra empresa, a Nanovetores, está fazendo testes de produtos com clientes nossos, nanocápsulas para funcionalidades específicas. Então, são exemplos do que acontece aqui ao longo do programa.

Já existem definições ou novidades de formato pensadas para a próxima edição? A categoria de Aedes aegypti deverá permanecer? Podemos esperar outras categorias especiais? De que tipo?

Estamos justamente nesse momento de modificações. Eu digo com certeza que vamos repetir o Braskem Labs, mas não sei o que traremos adicionalmente. A vontade é fazer cada vez melhor. Pode ser que avancemos numa área totalmente diferente, pode ser que sejam modificações somente marginais, no número de empresas, no tempo e no tipo de mentoria… Ainda não sabemos.

Que tipos de tendências, tecnologias e segmentos de negócios a Braskem gostaria ou esperaria ver entre os projetos inscritos para a próxima edição do Braskem Labs?

Queremos promover o empreendedorismo. Não temos restrição, não procuramos uma tecnologia específica. Queremos ajudar boas ideias e mostrar que nossos produtos podem contribuir positivamente. Acho que quem trabalha com empreendedorismo sempre espera encontrar uma ideia, uma oportunidade, uma tecnologia disruptiva. Mas, muitas vezes, você não pode determinar o que quer. Você precisa estar atento, estar inserido nesse meio para quando acontecer a oportunidade, identificá-la e torná-la viável o mais rápido possível.

Recentemente, a Braskem anunciou o projeto Imprimindo o Futuro, uma parceria com a Made in Space para prover a possibilidade de astronautas da Estação Espacial Internacional utilizarem o Polietileno Verde da Braskem para fabricar peças e ferramentas por meio de Impressão 3D. Podemos esperar algum desdobramento ou repercussão desse projeto no programa Braskem Labs?

Acho que pelo contrário, o Braskem Labs de alguma forma contribuiu para o projeto. No ano passado, um dos empreendedores era a 3DCloner, uma empresa de impressão 3D de baixo custo. Hoje essa empresa tem um protótipo, um desenvolvimento no nosso centro de tecnologia. Embora a impressora que vai para o espaço seja uma impressora especial, que opera em gravidade zero, a 3DCloner foi fundamental para desenvolver nosso projeto. O assunto impressão 3D estava dentro da Braskem e não foi à toa, o Braskem Labs ajudou nesse aspecto.

Outro exemplo é o Giulia, um bracelete que traduz o que o surdo diz para o ouvinte e o contrário. É algo que está no mercado e que mostra-se como uma tendência, e podemos tirar muito proveito disso. O que está por trás disso é inteligência artificial, é um campo imenso. Essa empresa não tem um potencial relacionado somente ao bracelete, ela tem um potencial muito maior, isso vai abrindo nossos olhos para áreas que não estamos acostumados a olhar no dia a dia.

Assim como aconteceu com a impressão 3D no ano passado, as tecnologias que estão por trás do Giulia e do Nanovetores, que trabalha com nanotecnologia, têm potencial disruptivo gigantesco. Não podemos olhar apenas para o empreendedor, para a empresa em si, mas para o que está por trás. As pessoas que estão trabalhando essas ideias, essas soluções, têm muito mais conhecimento, trazem consigo muito mais possibilidades do que um projeto específico.

Quais são o legado e os maiores benefícios do programa para as empresas participantes, para a Braskem e para o ecossistema de empreendedorismo e inovação do Brasil?

Para quem participa, tenho certeza que o Labs de fato contribui para o desenvolvimento. A parte mais rica é ter como mentor alguém que conhece profundamente o mercado – e, se não conhece, está ali porque tem conexões que permitem acessar o mercado. Isso economiza muita sola de sapato desses empreendedores. Depois de quatro meses, eles estão em outro patamar, acessando outro tipo de fornecedor, mercado, investidores, para os quais não estavam prontos antes.

Vemos claramente que quem trabalha como mentor recebe um ganho de novas ideias, entusiasmo, formas de trabalhar, formas de enxergar o negócio… Todos são unânimes em dizer que contribui para seu lado pessoal e que traz benefícios para como administram suas respectivas áreas. Eles começam a enxergar como é possível com a forma de trabalhar de uma pequena empresa, com pouco recurso e pouca gente, fazer coisas inacreditáveis em termos de resultados, o que permite que eles incorporem isso no seu dia a dia.

Para o ecossistema de empreendedorismo no Brasil, é fundamental a participação de uma grande empresa, como a Braskem. A grande empresa consegue apostar recursos e conhecimentos, esse apoio é importante para quem está começando. Espero que, com o tempo, a Braskem e o Braskem Labs se tornem referências dentro do seu propósito. Tem muita aceleração que busca oportunidade de negócios, e um diferencial do Braskem Labs é que o programa é desprovido de interesses comerciais: o único propósito é desenvolver empresas com alto impacto socioambiental.

 

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