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Como Rubia Mara, da Evidência Paralella, está transformando o cenário do funk da periferia

- 9 de maio de 2019
"O funk permitiu a mudança da minha realidade e a de todos a minha volta", conta Rubia.

 

Mulher, negra, morando na periferia, a jovem Rubia Mara sabia que, nesse mundo em que vivemos, teria uma dose extra de dificuldade para realizar seus sonhos. Mas ela jamais desistiu deles. Ao invés de jogar a toalha diante dos desafios, ela os usou como estímulo para chegar aonde queria. Um dos diferenciais de Rubia, em relação a tantas outras meninas da comunidade onde viveu e cresceu foi que seus pais, apesar de todas as dificuldades, conseguiram lhe proporcionar acesso à cultura e à educação. Cursou faculdade de jornalismo e usou toda a bagagem acumulada ao longo destes anos de estudo para fazer a diferença na comunidade. Com apenas 23 anos começou a empreender e criou a Paralelo – a arte de se comunicar, hoje transformada em Evidência Paralella, uma empresa de comunicação que presta serviços de assessoria de imprensa e marketing para afroempreendedores voltados ao mercado funk da periferia.

Acompanhe o bate-papo com essa mulher determinada a fazer o seu melhor, por si e por sua comunidade.

Como foi sua infância na comunidade e de que forma a convivência com as mulheres de sua família lhe ensinou sobre superação?

Dentro da sociedade e no contexto que estou inserida, como mulher negra e de periferia, muitas superações ainda são pela sobrevivência, seja ela social ou econômica. Minhas avós, minha mãe e minha tia lutaram pela sobrevivência social, elas precisaram se desdobrar para que a gerações seguintes tivessem acesso à cultura e educação, e conseguiram. Tivemos uma qualidade de vida melhor do que foi anteriormente.

Como toda essa experiência na infância influenciou sua formação e influenciou seu espírito empreendedor?

Todas as mulheres da família já empreendiam, mas isso não tinha nome na época. Elisa, minha avó paterna, vendia doces no prédio, minha avó materna, Maria, era boleira, minha mãe empreendeu a vida toda, vendeu salgados, fez camisetas e decorações de festa. Todas elas influenciaram demais minha vida e empreender foi quase que um percurso natural.

Como você acabou cursando jornalismo?

Quando eu estava terminando o segundo ano de cursinho pré-vestibular, me preparando para cursar Direito, minha mãe sugeriu outros cursos. Resolvi colocar Jornalismo como segunda opção, acabei sendo aprovada e consegui, inclusive, uma bolsa de estudo.

 Agora, falando especificamente de sua trajetória empreendedora, como surgiu a ideia de empreender, com a penas 23 anos?

Tinha acabado de sair de um estágio na Mídia Consulte, fiquei observando aquela forma de empresa e pensei “Não tem nada parecido no meu bairro”. Fiquei com aquela ideia na cabeça e tempos depois, quando estava prestes a me formar, montei com minha prima Renata e seu amigo Henrique uma pequena agência de comunicação, no meu quarto, mesmo. Foi bem divertido, mas não sabíamos direito o que estávamos fazendo. Depois de três meses, com ajuda dos familiares, abrimos o primeiro espaço. A partir daí posso dizer que começamos a trabalhar e eu passei a me conhecer realmente como empresária/empreendedora e chefe/líder.

Como surgiu a Paralelo?

Nascemos para fazer uma assessoria de comunicação para o bairro Cidade Tiradentes, em São Paulo. Fiz vários cursos para me capacitar como empreendedora, e me identifiquei muito com o Projeto Brasil AfroEmpreendedor. Percebi que ali também havia uma demanda de possíveis clientes. Mantivemos contato, o projeto se transformou na REAFRO – Rede Brasil Afro Empreendedor e atualmente sou a coordenadora de São Paulo. Na REAFRO criamos palestra e projetos para atingir um maior número de pessoas.

Como a Paralelo se transformou em Evidência Paralella?

A empresa está em outra fase, mais madura e bem mais profissional. Quando comecei mal sabia fazer um plano de negócio, hoje conheço minha empresa e principalmente cada atividade que posso realizar. Mas mesmo atuando na mesma área, quando apresentava a Paralelo a empresa não se ligava diretamente a minha imagem. Depois de realizar vários cursos percebi que essa nova fase pedia uma nova roupagem.

Como é a sua atuação na Evidência Paralella?

Sou responsável pela consultoria, assessoria e recentemente passei a fazer palestras, também. Atualmente as atividades da empresa são divididas entre duas pessoas e contamos com mais de 10 parceiros que na sua maioria são MEI’s. Me dedico cerca de 9 horas à empresa, seja em celular ou em computadores.

Por que você decidiu investir no funk?

O mercado do Funk me absorveu completamente. Percebi que esse ritmo surgia à margem da indústria musical e havia espaço para uma assessora de comunicação. Eu estava fisicamente perto também, e isso ajudou muito. No momento que surgiu o funk em São Paulo eu ainda estava na faculdade e estagiava na subprefeitura do meu bairro (um dos primeiros locais no qual o funk carioca se instalou), trabalhávamos para divulgar o Funk Consciente. Porém o Funk veio com representatividade com a Funk TV e MC Kauan. Juntamente com o crescimento da Batekoo, em um período de quatro anos. Lugares nos quais trabalhei como assessoria e que dialogam com esse mundo. A partir daí o Funk me projetou para um novo momento em minha empresa. Há pouquíssima liderança mulheres nesse mercado. O funk permitiu a mudança da minha realidade e a de todos a minha volta.

Quais estratégias têm dado melhor resultado nesta trajetória da Evidência Paralella?

Divulgação. Tive muitos desafios para me colocar diante de plateias, nas palestras, e até mesmo de me tornar uma figura pública. Mas quando se está dentro de uma empresa em expansão, a timidez não é uma boa aliada. Então desde o ano passado estamos nos projetando, isso atrai curiosos e principalmente clientes.

Por outro lado, quais caminhos foram deixados de lado? 

Precisei entender que ser uma empresa social não é o mesmo que ser uma ONG. Errei ao investir meu dinheiro e contatos para fazer projetos, acreditando que me trariam algum tipo de lucro ou valorização, seja como profissional ou pessoal.

Qual seu maior objetivo?

Atingir e modificar o máximo de vidas através do entretenimento e da conscientização. Esse ponto ainda é explorado apenas pelas escolas de sambas e pequenos grupos como Batekoo e Aparelha Luzia, que usam o entretenimento para contar uma parte da história do Brasil voltada ao racismo estrutural e à resistência.

Qual foi o maior desafio que você já enfrentou na vida empreendedora? Como superou? 

A quebra de confiança que tive quando realizei um evento, que se mostrou totalmente desorganizado e sem planejamento. Tinha colocado meu nome e minha reputação ali, assumi responsabilidades que não eram minhas, foi muito difícil. A partir daquele dia eu mudei meu comportamento, fiquei mais cautelosa.

Qual a maior conquista até aqui?

Meu livro “Rúbia: na batida da periferia”, lançado em 2018 pela Editora Oito e Meio, e conseguir vencer a timidez em cada palestra ou entrevista realizada.

Qual é o seu sonho? O que ainda falta realizar?

Me tornar uma assessoria internacional através do Funk.

Se pudesse dar apenas uma dica para quem está querendo empreender, qual seria?

Faça o que ama. Empreender muda a sua vida, seu entorno e toda a sociedade.

Quais seus planos para o futuro?  

Montar minha agência como uma WeWork em todas as periferias do país, respeitando as particularidades locais e valorizando as indústrias que nascem às margens do mercado tradicional.

 

Para saber mais:

Evidência Paralella

O que faz: Assessoria de Comunicação, Consultoria e Investimento.

Sede: Rua Ernesto Cerreti, 527 – Cidade Tiradentes – São Paulo

Início das atividades: Março de 2014

Investimento inicial: 5 mil reais

Contato: +55 11 96609 4495 / [email protected]

Esta matéria pode ser encontrada no Itaú Mulher Empreendedora, uma plataforma feita para mulheres que acreditam nos seus sonhos. Não deixe de conferir (e se inspirar)!

 

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