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Conheça a CBPak, empresa que transforma mandioca em embalagens biodegradáveis

- 4 de janeiro de 2016
Cláudio Bastos na fábrica da CBPak, que se mudou para o Rio de Janeiro há dois anos.

Uns chamam de aipim, outros de macaxeira, mas a verdade é que, seja com o nome que for, a mandioca é presença certa na mesa dos brasileiros de norte a sul do país, do pão de queijo mineiro à maniçoba do Pará — passando, é claro, pelas tapiocas doces e salgadas. Foi olhando para este ingrediente tão característico do Brasil que o engenheiro Cláudio Bastos teve a ideia de começar um novo negócio. A CBPak, que produz embalagens biodegradáveis a partir da fécula de mandioca, surgiu de uma vontade de Cláudio, há 13 anos, de buscar uma solução sustentável para a questão do lixo.

Engenheiro, pós-graduado nos Estados Unidos, Cláudio construiu sua carreira em multinacionais. “As empresas que trabalhei eram, na época (anos 1970, 1980) muito voltadas à inovação. Eu fui criado em um meio inovador e isso combinava com a minha inquietude”, conta ele, que ocupava a presidência na última delas. Quando a companhia que presidia foi comprada, Cláudio resolveu abrir seu primeiro negócio próprio: uma prestadora de serviços dedicada à reestruturação de empresas à beira da falência.

Um de seus clientes fabricava embalagens e foi aí que ele começou a mergulhar neste tema. Cerca de 10 anos depois, a inquietude voltou a bater em sua porta e ele começou a considerar deixar de ser um prestador de serviços para empreender na área industrial. “Escolhi a área ambiental porque imaginava naquela época, 15 anos atrás, que seria a área do futuro”, conta Cláudio. Com isso  em mente, ele decidiu empreender no que considerava o maior problema ambiental do momento: o descarte de resíduos sólidos, isto é, o lixo.

Os produtos da CBPak custam quase do dobro dos convencionais: a empresa só se estabilizou quando conseguiu mostrar o valor agregado, que está na produção e no descarte do material, que é biodegradável.

Os produtos da CBPak custam quase do dobro dos convencionais: a empresa só se começou a ganhar mercado quando conseguiu mostrar o valor agregado, desde a produção (com menos impacto) até o descarte (por ser biodegradável).

“Se eu tivesse uma matéria-prima que fosse de fonte renovável, e pudesse transformá-la em uma embalagem descartável e que, após o descarte, pudesse voltar para o sistema produtivo, eu estaria fazendo a combinação perfeita entre embalagem, meio ambiente e lixo zero”, descreve o engenheiro. Cláudio conta que foi chamado de maluco por quase todos para quem contou de sua ideia, mas decidiu apostar em sua intuição:

“Intuição é o que move qualquer processo de empreender, somada a disciplina, resiliência e capital, é claro”

O capital inicial (de valor não informado) para investir na CBPak veio do próprio Cláudio. Em seguida, deu-se início ao processo de tornar a ideia de produzir embalagens biodegradáveis em uma tecnologia que pudesse ser usada em escala industrial.

INOVAR PODE LEVAR TEMPO. QUE TAL CINCO ANOS?

Existem dois tipos de mandioca, a doce, responsável pelas delícias culinárias que conhecemos, e a brava, que é usada na indústria. A aposta da CBPak é nesta última. Fundada em 2002, a empresa precisou de cinco anos de investimento apenas em pesquisa e desenvolvimento para criar a tecnologia necessária para transformar a fécula de mandioca em embalagens. “Quando senti que estávamos capacitados para dizer que tínhamos uma tecnologia, bati na porta do BNDES Participações, o braço de negócios do banco, e em 2007 eles se tornaram sócios do negócio”, conta Bastos. O BNDESPar fez um aporte de 2 milhões reais na empresa, em troca de 25,6% do capital social, além de um empréstimo de 2,3 milhões de reais para a compra de novos equipamentos. Em 2010, Cláudio recomprou a participação do banco.

Em 2012, a empresa inaugurou uma nova sede (saindo de São Carlos, em São Paulo, e mudando para o Rio de Janeiro), onde começou a produzir em maior escala. Hoje, a CBPak tem capacidade para produzir quase 2 milhões de peças por mês, entre bandejas, copos e embalagens customizadas: todas feitas a partir da fécula de mandioca e 100% compostáveis. Olhando o caminho percorrido, Cláudio Bastos afirma que o principal desafio enfrentado para o estabelecimento de seu negócio foi a falta benchmarking:

“Se eu quisesse fazer uma fábrica de automóveis, teria incontáveis especialistas treinados a quem recorrer, mas para fazer embalagens a partir de mandioca, tive que começar do zero”

Tudo foi construído aos poucos. O primeiro mercado em potencial visado pela CBPak foi o das redes de supermercados, que usam bandejas de plásticos. Surgiu aí a uma nova barreira: o preço. Para se ter uma ideia, um copo plástico custa entre 5 e 20 centavos, enquanto um copo produzido pela CBPak fica entre 25 e 35 centavos. “Levamos outros quatro anos para vencer a barreira do preço. Isso nos obrigou a fazer um grande estudo para revelar quais atributos eu tinha no meu produto que poderiam agregar valor a ele”, conta Cláudio. Só a partir deste momento é que a CBPak passou a monetizar o valor ambiental agregado aos produtos.

SIM, CUSTA CARO — E VALE MAIS

Por exemplo, a pegada de carbono dos produtos da empresa é muito menor se comparada com a das empresas que utilizam plástico — pois o ciclo de produção das embalagens contribui para a redução da emissão dos gases de efeito estufa. O consumo de água durante o processo produtivo é outra vantagem a ser destacada pela CBPak, pois é muito menor. Mas, além dos diferenciais durante a produção, a verdade é que o grande diferencial das embalagens produzidas pela empresa de Cláudio é o destino final do produto. Enquanto, o plástico, apesar de reciclável, ainda é um dos grandes responsáveis pela poluição do meio ambiente, se os copos e bandejas da CBPak forem levados para a compostagem ou para um biodigestor, o resultado é lixo zero.

Linha de montagem da CBPak, que tem capacidade de produzir 2 milhões de bandejas e copos biodegradáveis por mês.

Linha de montagem da CBPak, que tem capacidade de produzir 2 milhões de bandejas e copos biodegradáveis por mês.

“Hoje nós conseguimos mostrar aos nossos clientes, em valor monetário, o quanto esse custo ambiental representa em nossas embalagens. Isso faz com que nos tornemos mais competitivos no mercado”, afirma o empreendedor. Entre seus clientes, a CBPak tem o Google Brasil que compra cerca de 50 mil copos compostáveis por mês para a sua sede em São Paulo. A unidade brasileira da empresa norueguesa Statoil também optou pelas embalagens sustentáveis.

Segundo Cláudio, foi somente em 2015 que a CBPak começou a ter um volume de vendas maior. Hoje, o grande desafio é ganhar escalabilidade. “Temos um produto muito leve, então o frete passa a ser um fator importante. Se eu for mandar um copo da CBPak para Roraima, o frete sai mais caro que a própria embalagem. Então, se o mercado for forte em Roraima, faço uma fábrica lá”, diz Bastos. E isto, porém, só é possível tendo um processo industrial fácil de ser replicado.

Não é fácil empreender com um negócio sustentável em um mundo que ainda engatinha na resolução dos problemas ambientais. No caso da CBPak, a vantagem está na abundância de matéria-prima e na crescente tomada de consciência por parte das empresas de que é preciso se preocupar com a geração de resíduos. Cláudio começa o ano de maneira otimista e projeta para 2016 um faturamento de 4 milhões de reais. Que não falte mandioca.

DRAFT CARD

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  • Projeto: CBPak
  • O que faz: Embalagens compostáveis fabricadas a partir de fécula de mandioca
  • Sócio(s): Cláudio Bastos
  • Funcionários: 32
  • Sede: Rio de Janeiro
  • Início das atividades: 2002
  • Investimento inicial: NI
  • Faturamento: R$ 4 milhões (projeção para 2016)
  • Contato: cbpak@cbpak.com.br
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