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Depois de falir ela se reergueu e inovou na forma de vender flores no Brasil

- 25 de setembro de 2019
"Todos estão sempre à procura do inusitado. Para inovar é preciso estar ligado no que acontece à sua volta, estar aberto a novas propostas e experiências", conta Fatima.

 

Ela já esteve à frente de quatro negócios; entre eles, a Flores Online, que foi o maior case de sucesso no Brasil de venda de flores pela internet. Hoje, ela coordena seu quinto empreendimento: a Ramo Urbano, que também inovou no mercado ao introduzir o conceito de comercialização de buquês de flores frescas em vending machines.

Formada em Artes Plásticas pela Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), a empresária paulistana Fatima Casarini conta que sempre se preocupou em tocar seus negócios com comprometimento e ética, ingredientes que acredita serem essenciais para fazer dar certo qualquer empreendimento. “Ter muita energia também é fundamental”, acrescenta a empreendedora.

Aos 65 anos, a empresária, de fato, tem um pique invejável. Mesmo tendo diminuído o ritmo na Ramo Urbano – na Flores Online ela comandava, em média, a produção de 500 arranjos por dia, chegando a bater 7 mil arranjos por semana em datas especiais como o Dia das Mães, Fatima tem os dias totalmente preenchidos. Vai toda segunda-feira fazer trabalho voluntário na Fazenda da Arcah, instituição sem fins lucrativos que atua na reintegração social da população de rua; faz academia diariamente; aula de dança às quartas e sextas, teatro aos sábados. Mãe de dois filhos – Marcelo, 44, e Eduardo, 43 -, neste bate-papo, realizado no Studio da empresária em São Paulo, ela fala da sua trajetória e da importância de estar sempre aberta ao novo e de se reinventar.

Antes de fundar a Flores Online e, em seguida, a Ramo Urbano, você trabalhou com moda. Conta um pouquinho dessa experiência inicial pra gente.

Minha primeira experiência como empreendedora foi logo após a faculdade, quando montei, junto com duas amigas, uma confecção que fazia roupas de cama de bebê. Vendi minha parte na sociedade pois meu marido e eu queríamos montar uma confecção de roupas femininas. Ele já era empreendedor, sua família tinha uma torrefação de café, o café Moka. Trabalhamos juntos nessa empreitada até que os planos econômicos do final da década de 80 fizeram com que fôssemos à falência. Foi uma fase muito difícil. Ver um projeto ao qual você dedicou parte de sua vida acabar não é nada fácil. E as consequências de uma falência no Brasil são traumáticas.

Hoje, quando olho para trás, vejo uma diferença grande no meu trabalho de criação, pois quando criava uma coleção de moda eu gastava muita energia para chegar ao resultado desejado.

“Com as flores, tudo fluiu sempre com muita facilidade, desde o início. Há mais de vinte anos trabalhando com flores, não faço ideia de quantos arranjos já criei. Quantas emoções enviei, com cores e flores. Mas tenho uma certeza: todos foram feitos com muito prazer”

E como surgiu a ideia de trabalhar com flores?

Dois meses depois da falência, eu já estava ansiosa por outro negócio. Passando por uma floricultura na rua, percebi que os arranjos eram embalados com papel crepom laranja e pink, que eu não gostava nem um pouco. Pensei “Epa, eu poderia trabalhar com flores”, e assim foi. Fiz um curso de 3 ou 4 dias, onde conheci as ferramentas e técnicas básicas. Na academia que eu frequentava, pedi para colocar todas as semanas um arranjo na recepção, com meus cartõezinhos. Meus primeiros clientes vieram dali. Comecei na minha casa, no meu jardim. Lembro até hoje dos pássaros e da luz do sol que entrava no meu estúdio. Eu ia cedinho para o Ceasa (feira de flores da companhia de entrepostos Ceagesp) comprar as flores, levava para casa, fazia os arranjos, as entregas, a limpeza e, à noite, eu ainda sentava na minha escrivaninha e fazia as contas num caderninho que guardo até hoje.

Você se lembra do primeiro arranjo que vendeu?

Sim, essa história é ótima. Foi para o Oscar. Ele me pagou em dólar: três dólares. Uma nota eu guardei e tenho até hoje. Há quase 30 anos ela anda comigo na carteira, é meu amuleto. Já pensei em colocar num quadro, mas tenho medo de perder minha sorte.

Ao se reinventar, após a falência, não teve receio de arriscar de novo?

Não me lembro de ter medo. Da forma como comecei, não tinha risco. Um negócio pequeno, na minha casa, sem compromisso, sem funcionários. A confecção sim era um negócio arriscado, um ramo de incertezas, onde pedido assinado não era compromisso firmado. Quando falimos, não tínhamos dinheiro para pagar os boletos e havia milhares de itens em estoque. Diferente do ramo de flores, cujo estoque é perecível, e os pedidos são tão carregados de emoção que ninguém cancela, nem deixa de pagar. Meu investimento foi na primeira compra de flores e em três ou quatro ferramentas, o que hoje seria equivalente a R$ 200. No início, fazia tudo sozinha: compras, produção, entrega, marketing, finanças, faxina etc… Fui crescendo, ganhei um estúdio novo e lindo onde ficava o canil do meu cachorro. Fui crescendo, contratei uma ajudante e um motorista. Fui crescendo, mudei para uma “casinha de avó” supercharmosa. Fui crescendo e a Flores Online nasceu. Contratamos mais 98 funcionários para nos ajudar.

Como foi a decisão de apostar na internet, com a Flores Online?

Depois de uns quatro anos já no novo estúdio, um dia o meu filho Marcelo, que trabalhava na Microsoft, chegou contando de uma palestra do Bill Gates e dizendo que tinha uma coisa que estava estourando, que era a internet, e que nós tínhamos de ser um dos primeiros a vender flores online no Brasil. E assim foi. Sérgio, Marcelo, Eduardo e eu nos unimos pela força de cada um, no lugar certo, na hora certa, com muita determinação e sorte.

Qual era sua atuação na empresa?

Eu era responsável pela criação, compras, produção e controle de qualidade. No galpão da Vila Leopoldina havia aproximadamente 70 funcionários na produção, sendo a grande maioria mulheres. Além da produção, em média, de 500 arranjos diários, esse espaço foi um laboratório para muitas mulheres que lá aprenderam uma profissão e valorizavam isso. Tenho muito orgulho disso!

Por que decidiu vender a Flores Online e criar a Ramo Urbano?

Nós ficamos com a Flores Online por cerca de 15 anos; vendemos a empresa em 2012. O objetivo sempre foi fazê-la crescer para depois vender. Em paralelo, eu continuei fazendo meus arranjos com a marca Fatima Casarini Flores, pois eu queria algo mais personalizado, menor, como nos velhos tempos. Em uma reunião com meu irmão e uma amiga, a Lorena, surgiu a ideia de vender flores em máquinas automáticas, tipo flores no caminho, já que um buquê não precisa de um porquê. Levamos 8 meses para adaptar a máquina aos nossos buquês, uma vez que foi a primeira empresa no mundo a vender buquês de flores em vending machines.

Como funciona a empresa atualmente? As vending machines são o principal negócio?

Além das vending machines para venda de flores frescas e vidrinhos com flores preservadas, oferecemos assinaturas de flores com entregas semanais, quinzenais ou mensais. Realizamos manutenção de flores para hotéis, restaurantes… E, lógico, atendemos nossos clientes apaixonados para enviar amor em forma de flor.

Você inovou nos negócios mais de uma vez. Primeiro, na venda online, depois, criando o sistema de vending machines. O que a faz apostar nesses movimentos?

Acho que é ansiedade! Estou sempre querendo fazer alguma coisa nova, não consigo ficar parada. Prefiro criar 50 arranjos a ter de replicar o mesmo modelo 50 vezes. Desde pequena estou atenta às coisas ao meu redor.

Qual a importância de inovar e de acompanhar as tendências?

“Inovação no meu entender é fundamental para qualquer negócio. Todos estão sempre à procura do inusitado. Para inovar é preciso estar ligado no que acontece à sua volta, estar aberto a novas propostas e experiências”

Que dica daria para quem está começando a empreender?

Acho relevante ter perfil empreendedor, estar ciente de que nada será fácil, muita energia deverá ser direcionada ao negócio. Diria que ter uma ideia não será suficiente, ela precisará ser vendida. Diria também: vá atrás do seu sonho, coloque toda sua energia nele, mas mantenha o pé no chão, não “voe”. Quando sentir que é melhor desistir…desista! Essa experiência certamente trará bons ventos.

Quais os planos para o futuro?

Quero trabalhar em um lugar compartilhado, onde a “dança”, que é a produção de arranjos, esteja à vista de todos.

 

Para saber mais:

Fatima Casarini

O que faz: Vending machines de flores frescas, além de assinaturas e manutenção de arranjos, presentes sob encomenda e aulas

Sócios: Antonio Madaleno

Funcionários:  2

Sede: Pinheiros, São Paulo

Início das atividades: 2013

Contato: [email protected]

Esta matéria pode ser encontrada no Itaú Mulher Empreendedora, uma plataforma feita para mulheres que acreditam nos seus sonhos. Não deixe de conferir (e se inspirar)!

 

 

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