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Deu match: a Pipe Social faz a ligação entre empreendedores e o ecossistema de impacto

- 9 de outubro de 2018
Mariana Fonseca, da Pipe Social: “Os negócios de impacto não são uma coisa esporádica... São uma tendência real"

Com tanto jornalista roendo as unhas devido ao enxugamento das redações de jornais e revistas, que enfrentam o desafio de repensar seus negócios diante da disrupção provocada pelas mídias sociais, quem diria que “comunicação” estaria entre as demandas mais urgentes das startups de impacto socioambiental?

Foi o que revelou o 1º Mapa de Negócios de Impacto Social + Ambiental, um raio-x de 579 startups de impacto divulgado em 2017. A necessidade de ajuda em “Comunicação do Negócio/Solução” foi apontada por 18% dos respondentes, mais do que “Mentoria” (16%) ou “Aceleração” (2%), algo que vinha escapando do radar das aceleradoras e incubadoras.

O estudo, inédito, engajou 40 atores do setor e foi orquestrado pela Pipe Social, uma das residentes do Civi-co, o polo de negócios de impacto cívico-social instalado em Pinheiros, São Paulo.

“A Pipe tem a missão de fazer match entre empreendedores de impacto e o ecossistema”, diz Mariana Fonseca, sócia-fundadora. “Ou seja: aceleradoras, investidores, marcas que queiram se relacionar com os negócios, fundos de investimentos, family offices, governos – todo mundo que quer apoiar e investir para que esse pipeline de negócios continue florescendo.”

A mineira Mariana é motivada em gerar impacto. Em 2009, ela trocou Paris (onde formou-se em jornalismo) por São Paulo para cobrir o Ano da França no Brasil. Acabou ficando como editora-assistente do Le Monde Diplomatique no país, mas sentia uma aflição: “Eu tinha o incômodo de não estar ‘fazendo’, apenas contando sobre quem fazia. Queria me envolver de verdade com a notícia.”

Impulsionada por esse desconforto, ela ia tocando projetos em paralelo. Com Livia Hollerbach (sua sócia na Pipe), criou A Corrente do Bem, uma ONG para difundir a ideia de gentileza urbana e o conceito do movimento Pay It Forward. Voluntariou-se para trabalhar no primeiro TEDx do país, em São Paulo, e no TEDxAmazônia. Na sequência, topou um convite do jornalista Gilberto Dimenstein para ajudar a montar o Porvir, plataforma de notícias de educação e inovação do Instituto Inspirare.

“Até então, a cobertura de educação só falava em problema, problema, governo, problema… E de repente a gente trouxe um olhar de jornalismo propositivo, sobre tecnologia, inovação, gamificação – que era a palavra da moda…. Era bem a época em que a Fundação Lemann trouxe a Khan Academy, a Geekie estava nascendo… Pegamos toda essa onda, esse zeitgeist. E o Porvir deu muito certo, muito rápido.”

Foi aí (por meio de seu amigo Tiago Mattos, da escola de criatividade Perestroika) que Mariana conheceu a Singularity University, o think tank futurista instalado em um campus de pesquisa da NASA, no Vale do Silício. Em 2014, ela aplicou, foi aprovada e embarcou no intenso programa da Singularity, que fomenta soluções globais disruptivas (e que virou sua cabeça do avesso): “São aulas de nove da manhã às dez da noite, uma carga horária quase de mestrado em apenas três meses…! Você mora dentro da NASA, e no fim apresenta o pitch de um negócio.”

Na volta, com a mente fervilhando, Mariana foi contratada pelo Inspirare para fazer um mapeamento de negócios de impacto de educação. Ela e Livia percorreram sete estados em seis meses, entrevistando 50 empreendedores e descobrindo algumas “dores” comuns às startups de fora do eixo Rio-SP. Posicionar-se como negócio de impacto, por exemplo, era difícil: as empresas penavam para não ser confundidas com ONGs e careciam de respaldo para encarar complexidades específicas dos negócios sociais.

Mesmo chegar à relação de 50 empreendedores para traçar essa cartografia do ecossistema já tinha sido um desafio. Mariana conta que os mailings (listas de contato) eram “mortos”: a cada telefonema, ela e Livia descobriam que a empresa tinha fechado, ou que o empreendedor não estava mais lá, ou que o negócio tinha mudado de fase ou de faixa de faturamento e não cabia mais na amostragem… Onde há problema, porém, há oportunidades – e assim surgia a Pipe Social:

“A Pipe nasceu com o objetivo de ser um mailing vivo, em tempo real”, diz Mariana. “Essa foi a nossa primeira entrega para o ecossistema. Hoje somos uma vitrine de negócios, um ‘LinkedIn’ onde os empreendedores criam um perfil, esse perfil fica público, e toda vez que fazemos uma chamada ao mercado, para algum parceiro que queira, por exemplo, encontrar um negócio em educação no Ceará que esteja escalando… Ele encontra esse perfil na Pipe.”

A base da Pipe Social reúne 1.400 negócios de impacto. O perfil é gratuito. A cada nova chamada para um edital, o empreendedor atrás de uma chance pode se inscrever usando seu login da Pipe; assim, não precisa responder de novo as perguntas repetidas de formulários anteriores e ainda colabora para manter o cadastro sempre atualizado.

Gerar dados concretos que permitam desenhar uma visão macro do ecossistema e municiar seus empreendedores com informações relevantes para seu planejamento foi o que motivou a criação do Mapa de Negócios de Impacto Social + Ambiental (para fazer o download, clique aqui), o primeiro grande projeto da Pipe.

Para alavancar a iniciativa, quatro dezenas de startups e organizações parceiras ganharam uma landing page com sua respectiva marca – e a meta de bater, cada uma, 50 negócios cadastrados por meio do seu link. Esse cadastro colaborativo permitiu uma chamada parruda para botar o Mapa de pé. Ao todo, foram dois meses e meio de coleta de dados, no fim de 2016. Os resultados jogaram luz sobre o ecossistema de impacto no Brasil, fornecendo vários insights.

“Levamos um susto ao descobrir que há menos mulheres do que a gente esperava”, diz Mariana. “A área social tem um índice maior de mulheres, e imaginávamos que os negócios de impacto refletiriam algo parecido. Mas não: quando você coloca o recorte de negócios e tecnologia, o número de mulheres cai, então ficou mais próximo do universo de startups do que do universo de impacto.”

O Mapa também serviu para ratificar percepções, como o gargalo de investimentos. “A maioria dos investidores espera até os negócios passarem do ‘Vale da Morte’, quase ninguém investe em early stage…”, diz Mariana, revelando que articulações têm sido colocadas em marcha para identificar ferramentas (equity crowdfunding, por exemplo) que poderiam ajudar esses negócios a evoluir mais rapidamente.

A Pipe Social monetiza prestando serviços como a organização de chamadas para os editais, pesquisas sob demanda sobre setores específicos e a realização do funil de empreendedores de impacto para investidores em potencial:

“Você não pode expor os investidores a qualquer negócio, e nem sempre eles têm tempo de tomar café com todo mundo. Então montamos um painel, uma banca, selecionamos dez negócios, os empreendedores fazem seus pitches, daí a gente volta, escolhe os três melhores e apresenta ao investidor.”

Um job superlegal (e desafiador) foi “caçar” startups com foco no acesso à água potável dispostas a implementar projetos no Ceará. A demanda, em 2017, veio da Yunus Negócios Sociais, incumbida pela Ambev de acelerar negócios no escopo do projeto da água Ama, que destina 100% do seu lucro a um fundo de investimento de impacto.

“Foi bem difícil, porque acesso a água é complicado em termos de inovação, tecnologia… E as startups precisavam estar dispostas a passar por uma aceleração aqui em São Paulo e rodar um piloto no Ceará.” Em dois meses, a Pipe identificou vinte negócios, dos quais três foram escolhidos e acelerados pela Yunus.

Para tocar suas ações, a Pipe abraça um modelo de trabalho em rede, acionando colaboradores por hora trabalhada conforme as expertises exigidas pelo projeto. A montagem desses times temporários lembra a dinâmica clássica dos filmes de assalto – em que, para tirar o plano do papel, é preciso recrutar um especialista em cofre, outro que entende tudo de explosivos, um terceiro que desativa alarmes…

“A gente brinca que montamos dream teams. Essa é a parte que eu gosto mais: a-do-ro ter isso de criar uma equipe multidisciplinar – e aprender junto…”

Essa pluralidade de talentos é uma das vantagens que Mariana enxerga no Civi-co:

“É incrível o tanto de gente legal que passa por aqui, gente interessante ou que nunca tinha ouvido falar de negócios de impacto e vem para cá e fica chocado. A Marina Silva esteve aqui, o Luciano Huck… As pessoas começaram a querer entender o Civi-co, e estão entendendo que isso é real, é concreto. Ter um espaço físico com essa pegada traz um pouco de realidade. Não é um ‘site bonitinho’. Estamos falando de gente fazendo coisas muito legais para impactar o país.”

Agora, Mariana está planejando a versão 2019 do Mapa de Negócios de Impacto — a ideia é fazer um tracking a cada dois anos, para acompanhar transformações. E ao gerar dados e apresentá-los com design palatável, a Pipe ajuda a consolidar o entendimento sobre o tema:

“Os negócios de impacto não são uma coisa esporádica… São uma tendência real. O mundo está mudando, as pessoas estão cobrando negócios mais responsáveis, e os negócios de impacto estão puxando essa frente.”

 

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