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DogHero: os bastidores de uma empresa com DNA animal

- 23 de maio de 2018
Eduardo Baer, Amora e Adriano Silva: a DogHero resolve o perrengue de quem vai viajar e não sabe o que fazer com seu cão

Amora entra e sai do set com naturalidade. Pede carinho, ganha um afago do entrevistador. Passa por baixo do tripé da câmera para tomar água em seu bebedouro predileto. Ninguém tem coragem ou motivo para ralhar com ela. As visitas, afinal, são os outros: ela está em casa, em seu segundo lar.

Dócil e bem-comportada, Amora é uma Golden Retriever de dois anos e meio. Nesse momento, ela circula entre os equipamentos e a equipe de TV espalhados pela sede colorida e extrovertida da DogHero, na Vila Mariana, em São Paulo. É dia de gravação para o DNA: Nova Economia – série de entrevistas com a condução e a curadoria do Projeto Draft, apresentada pelo Sebrae, veiculada nos canais Globosat e produzida e dirigida por Bond Filmes e Storyland.

Ao lado de Amora está seu “pai-humano” e entrevistado nesse episódio da série: Eduardo Baer, 33 anos. Com dupla formação em Publicidade pela ESPM e Administração pela USP, ele ajudou a fundar o iFood, mas eventualmente largou a sociedade e foi aprender mais sobre empreendedorismo no Vale do Silício. Voltou com um MBA em Stanford e um novo sócio, Fernando Gadotti.

Eduardo e Fernando conseguiram transformar o amor por animais em um negócio de sucesso. Eles desenvolveram a DogHero como uma plataforma digital de conexão entre donos de cães e pessoas dispostas a hospedar os bichinhos, dedicando a eles o mesmo carinho e resolvendo o perrengue, por exemplo, de quem vai viajar e não sabe o que fazer com seu amigo canino.

Se há um mercado que a crise econômica não derrubou, este é o mercado de pets, que cresceu 7% no ano passado (as pet shops, aliás, estão cada vez mais parecidas com shopping-centers monotemáticos, focados em produtos para os animais de estimação). Os cães não ficam mais confinados à área externa: hoje, muitos são paparicados como se fossem filhos, dormem na cama junto com os donos, têm plano de saúde e usam cinto de segurança peitoral (recomendação do Detran!) na hora de dar uma voltinha de carro.

Esse é mercado que a DogHero vem desbravando desde 2014. Entre os altos e baixos naturais aos primeiros passos de todo negócio, a empresa recebeu investimentos, aumentou sua equipe (hoje são 38 pessoas e há mais dois programadores prestes a chegar) e, no ano passado, expandiu a operação para Argentina. Em breve, começará a atuar também no México.

“Gosto de montar o time, de construir algo que, no primeiro momento, está só na minha cabeça”, diz Eduardo, com aquele brilho nos olhos que só quem é empreendedor conhece. “É importante fazer algo que as pessoas gostam de usar e que toca 15 mil anfitriões e muda a vida deles para melhor.”

Os “anfitriões”, claro, são os usuários que hospedam os cães na ausência de seus donos. Ganham remuneração e avaliações (como motoristas do Uber ou livreiros da Estante Virtual). Impactar a vida financeira de tantas pessoas e, de quebra, propiciar o bem-estar dos animais são algumas das recompensas mais gratificantes do negócio, na visão do empresário.

De volta à entrevista, Eduardo está um pouco tenso, preocupado com a agenda. Não a dele, reservada durante toda a tarde para a gravação. A agenda da Amora: o momento de entrar em cena não pode coincidir com o trabalho dela de testar os participantes do curso de Dog Walker na prova prática, realizada nos arredores da startup. Hoje, há 14 alunos. Tem sido assim todas as semanas, desde o lançamento do serviço de passeio (disponível, por enquanto, apenas na capital paulista).

As câmeras são ligadas. Amora, tranquilona, está a postos, acomodada ao lado de Adriano Silva, publisher do Draft e entrevistador da série. Uma, duas, três tentativas… Até que no quarto take, o texto de abertura de Adriano casa perfeitamente com a pose de rainha de Amora. Toda a equipe se derrete.

Intimidado talvez pelo charme natural de sua filha peluda, Eduardo parece menos à vontade, meio travado, acha que não se sairá tão bem diante das câmeras (a concorrência canina é realmente desleal…).

Aos poucos, o empresário se solta. Enquanto mostra a sede de sua empresa, fala sobre os grafites nas paredes – encomendados a Cadu Mendonça, a.k.a. Cadumen, artista plástico que se inspira em animais – e oferece aos membros da equipe de TV um bolo de fubá com cobertura de goiabada, lanche-mimo preparado para o time DogHero pelo chef de cuisine da casa.

Sentados diante do grafite de Thor (o Golden Retriever com nome de Deus do Trovão foi o primeiro cliente da startup e teve como anfitrião o próprio entrevistado), a conversa se aprofunda. Adriano leva Eduardo a refletir sobre o que o fez entrar no mundo duro e angustiante do empreendedorismo. Será que ele já pensou em desistir?

“Não. Mas convencer outras pessoas de que o negócio era possível foi difícil.” No curto prazo, pondera o empresário, há muita flutuação e ruído. Quando se faz e pensa algo com um horizonte de tempo mais amplo, fica mais fácil encarar os tropeços (que sempre virão).

Companhia diária de Eduardo na DogHero, Amora é um lembrete vivo, em carne, pelo e osso, do propósito que move a empresa e seus colaboradores:

“Enxergo que levamos um pouco de felicidade para as pessoas, além de levar riqueza para quem cuida dos animais”, diz Eduardo. “Gostaria de ver mais gente animada e determinada a construir os novos negócios no Brasil.”

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