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Draft ano 2 – Como a Grimpa XD encolheu, corrigiu a rota e abriu novas possibilidades de negócios…

- 23 de setembro de 2016
Carlos Kawasaki e João Pedro Calixto são os atuais sócios da Grimpa XD. A consultoria de experiência de marca voltada à inovação encolheu para crescer.
Carlos Kawasaki e João Pedro Calixto são os atuais sócios da Grimpa XD. A consultoria de experiência de marca voltada à inovação encolheu para crescer.

“Acho que fomos uma das primeiras pautas do Draft”, diz com certo orgulho Carlos Kawasaki, o Cacá, 48, assim que começamos a entrevista para revisitar a história da Grimpa XD, consultoria de experiência de marca voltada à inovação. Ele é sócio da empresa ao lado de João Pedro Calixto, 33, e acertou: a história deles foi assunto logo no primeiro mês do Draft entrou ao ar, lá em setembro de 2014, cerca de um ano e meio depois de entrarem no mercado.

Olhar de novo para a história contada lá atrás provoca um misto de satisfação com nostalgia. “Nessa época estávamos muito naquela fase de pensar: se empreender é isso eu deveria ter feito antes”, diz João, em tom seguro de quem já está mais calejado pela vida de empreendedor, mas segue convicto de que este é o caminho para ele. Com um sorriso, Cacá fala de sua percepção: “A reportagem conseguiu destacar a nossa essência. Essa história de reunir conhecimento com capacidade de realização é o que nos motivou lá atrás e o que mantemos até hoje”, conta, repetindo essa espécie de mantra da empresa: conhecimento e capacidade de realização.

Há exatos dois anos, a Grimpa saiu no Draft (clique na imagem acima para ler a reportagem).

Há exatos dois anos, a Grimpa saiu no Draft (clique na imagem acima para ler a reportagem).

João conta que foi legal sair no Draft: “A história circulou muito no Facebook e a coisa se espalhou da forma certa”. Muita, no entanto, coisa mudou desde então.

O antigo plano de criar um coworking não decolou. Também não deu certo a ideia que eles tinham, na época, de mudar a forma de remuner os sócios. Na prática, neste caso o ajuste foi ainda mais estrutural: o caminho que eles seguiram foi alterar a estrutura societária, com a saída dos outros dois fundadores.

Já fora da Grimpa, o publicitário Flávio de Moraes hoje está no Google e o designer Jaakko Tammela assumiu a área de Creative Empowerment na Questto|Nó. A reestruturação aconteceu no começo de 2015 e deu à Grimpa uma leveza necessária para enfrentar o período de recessão econômica. Cacá fala a respeito:

“Tínhamos uma estrutura muito grande e pesada para uma empresa nova e sem investimento”

Ele diz que o modelo de ter quatro especialistas (os então sócios) olhando para cada projeto também era algo que os deixava mais lentos. Depois de uma boa estreia no mercado, em 2013, o negócio enfrentou dificuldades no ano seguinte, com queda do faturamento. O processo forçou-os a uma revisão do modelo de negócio da empresa. Ele afirma que a separação dos sócios foi amigável, sendo mais um consenso do que um enfrentamento.

COM MENOS SÓCIOS, A EMPRESA GANHOU AGILIDADE

Ao fazer o balanço da mudança, eles destacam a ironia de, com menos gente, terem aumentado a capacidade de trabalho do negócio. “Hoje conseguimos pegar quatro projetos simultâneos, algo que não acontecia antes”, aponta Cacá. Como conseguiram? O esquema foi passar a cobrar mais barato pelos serviços, para acompanhar a necessidade do mercado, mas garantir as receitas com um aumento no fluxo de trabalho.

Com a estrutura mais enxuta, a crise também forçou a empresa a ganhar eficiência. Por mais doloroso que tenha sido o processo, eles contam que a retração da Economia deu impulso a uma série de melhorias no negócio. A Grimpa sai destes últimos dois anos, ele afirma, “bem mais forte do que entrou”. João fala sobre essa fase:

“Foi um super amadurecimento. Tivemos que olhar para dentro e nos preparar, cuidar da gestão, das ferramentas que usamos e da organização interna”

Os agora dois únicos sócios da Grimpa mostram, durante a entrevista, bastante sintonia: complementam as ideias um do outro e se ajudam a lembrar das histórias do negócio. “Essa dupla dá muito certo. Eu sou super focado, faço uma coisa por vez prestando muita atenção. Já o João frita o peixe e olha o gato: cria muita coisa, é inquieto”, conta Cacá.

O esquema acima ilustra o que a Grimpa entende como "Ecossistema de experiência".

O esquema acima ilustra o que a Grimpa entende como “Ecossistema de experiência”: a área de atuação da empresa.

Foi com este equilíbrio que eles criaram, no começo deste ano, uma área digital dentro da Grimpa para trabalhar com análise de dados. Este era um passo que ensaiavam há algum tempo, mas ainda sem segurança sobre qual caminho seguir. Eles percebiam que precisavam avançar nessa área para conseguir continuar levando relevância e significado para os clientes das marcas que os procuravam. Cacá conta: “Há três anos, saímos das agências de publicidade para fundar a Grimpa justamente porque elas ainda estavam no palanque, olhando de cima. Aqui nós queremos conversar com o consumidor e o digital é o meio para isso”.

O novo negócio começou em parceria focado em “guest wifi”. Eles tiveram a ideia de redesenhar essa experiência para torná-la proveitosa para as empresas e para o consumidor. Em um shopping, por exemplo, se a pessoa preenche o cadastro para usar a internet, a empresa tem a informação de quem é aquele cliente e em qual horário ele frequenta o shopping.

O FUTURO DO DESIGN DE EXPERIÊNCIA É DOS ROBÔS

Mergulhados em pesquisar qual caminho seguir no mundo digital, os donos da Grimpa toparam com os ChatBots, aqueles robôs que interagem e conversam nos chats. “Acreditamos que esse é para isso que as coisas estão caminhando. O messenger vai ser a nova casa das pessoas na internet, com tudo o que é essencial ali”, aposta Cacá. Em abril deste ano o Facebook passou a permitir bots no seu chat e a Grimpa decidiu bancar a aposta e lançar este novo serviço.

Segundo eles, a tecnologia tem uma série de aplicações, com potencial para desafogar o SAC de uma empresa e gerar leads de vendas para um e-commerce. De quebra, o sistema registra dados dos consumidores, que podem ser usados no futuro em outras aplicações. “Mas essa interação só acontece se o cliente quiser”, diz João.

Ele não quer perder tempo, já que acredita que o negócio tem uma janela pequena — de cerca de 90 dias — para ser consolidado. Eles estão finalizando protótipos enquanto batem na porta das empresas para apresentá-lo. “Se não for agora muita gente vai entrar. Precisamos oferecer algo interessante ou o negócio não vai parar de pé. Nossa meta é procurar 100 clientes nesse intervalo. Já atingimos 30% disso e temos alcançado bons resultados”, diz João.

A entrada em um novo segmento muda o escopo da empresa, abre novas chances de faturamento e resolve um problema, que é o limite de volume de trabalho. “Sempre tivemos um teto para receber projetos, não dava para passar de um certo volume. Com a área digital, abrimos um novos horizonte que nos permite fazer mais coisas e aumentar o faturamento”, diz ele.

O DIFÍCIL CAMINHO DO AMADURECIMENTO

No fim de 2016 a Grimpa completa quatro anos no mercado. Quando questionado sobre o que mudou desde o começo, João responde: “Não temos mais aquela ingenuidade do começo, que te deixa acreditar que vai dar certo sem se dar conta da dificuldade. Hoje não é assim, mas isso foi importante lá atrás”. Cacá complementa:

“Com certeza pecamos na área comercial. Nos acomodamos em um bom primeiro ano e não definimos logo um bom jeito de trabalhar, de trazer novos clientes”

Vender melhor é um aspecto que os sócios afirmam ainda estar empenhados em melhorar. “A gente sempre focou muito em excelência do produto e deixou essa parte um pouco de lado. Estamos mudando isso”, conta João. Por outro lado, os dois concordam que o estilo de trabalho que definiram no começo foi certeiro com o combo conhecimento e capacidade de realização.

O que mudou, dizem, é a origem dos clientes. “No começo trabalhávamos 80% com agências e 20% diretamente com empresas. Hoje 70% da nossa demanda vem direto das empresas. Assim, conseguimos desenvolver projetos mais interessantes, fazer briefings mais completos e cativar clientes recorrentes”, conta João.

Ele acredita que com uma esperada melhora na Economia nos próximos meses, somada ao investimento na área digital, a Grimpa poderá enfim contratar profissionais e formar um time fixo — algo que não conseguiram fazer até agora. Até chegar lá, eles seguem trabalhando com uma rede de colaboradores e parceiros. Eles têm um profissional fixo na área administrativa e dois parceiros, que entram como sócios em alguns projetos. Além destes, há pelo menos 20 profissionais freelancers, entre planejadores, pesquisadores, fotógrafos, antropólogos, roteiristas e designers.

Quando os sócios olham para trás e refletem acerca do que gostariam de dizer a si mesmos no começo da Grimpa, vem à mente a constatação de que se você tem uma visão de negócio e sente que ela é verdadeira, deve ir lá e fazer. Cacá fala mais sobre isso:

“A resposta não está no seu primeiro jeito de trabalhar. Ela é algo que você vai testando e resignificando ao longo do tempo”

Os dois dizem que é nesse sentimento de “fase beta constante” que está a empolgação: em criar, sentir frio na barriga e ir em frente. Para João esse sentimento é tão necessário que no meio do caminho ele empreendeu em outro negócio além da Grimpa, uma inesperada rede de hamburguerias no interior de São Paulo, em Presidente Prudente. Ele diz que o experimento deu certo, com break even e tudo, mas decidiu vender sua participação porque reconheceu que era demais: “Me tomava muito tempo”.

Depois dessa aventura, ele diz ter aquietado. Quer dizer, sossegou para outros negócios, não para a Grimpa, onde ainda quer usar sua capacidade de criação por muito tempo. “Pelo menos por mais uns 10, 15 anos”, conta. Cacá, por sua vez, não teve nenhum outro negócio nesse período e segue focado. “Sobrevivemos quatro anos e estamos otimistas. Conseguimos, hoje, vislumbrar novos passos. O que mais um empreendedor quer?” Parece que mais nada, só seguir em frente.

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