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Dupla funcionalidade: as peças da Goodi são colares para as mães e mordedores para os bebês

- 14 de novembro de 2018
Ana Amélia e Roberta criaram um negócio totalmente home office, que atende tanto o público feminino como o infantil, para conseguir estar mais presentes na vida das filhas. (foto: Luiza Florenzano).

Foi a vontade de se manter no mercado de trabalho e estar presente em atividades cotidianas dos filhos, como levar ao médico, à escola e à natação, que fez as amigas Ana Amélia Fortin, 44, e Roberta Carvalho, 40, fundarem a Goodi, uma marca de colares que também são mordedores infantis.

Ana morou por dez anos nos Estados Unidos, onde conheceu um produto semelhante, que usou com a primogênita. Já de volta ao Brasil, cuidando da segunda filha, na época com nove meses, ela conversou com Roberta sobre a vontade de abrir um negócio e, assim, veio a ideia de fabricar os colares aqui. “Sempre gostei de joalheria contemporânea. Quando vi aquele colar com a Ana, achei perfeito para o momento que eu estava vivendo”, conta Roberta, que na hora da conversa amamentava a filha de quatro meses.

A ideia delas era encontrar fornecedores das peças de silicone e fabricar os acessórios por conta própria. Como não encontraram nada neste sentido, a solução foi começar trazendo o produto de fora, em 2014. As primeiras importações foram de colares prontos. Com o tempo, começaram a importar apenas a matéria-prima e, hoje, 70% das peças são feitas aqui. O plano é que, gradativamente, esse número chegue a 100%.

UM PRODUTO QUE CONTINUA ÚTIL DEPOIS QUE OS BEBÊS CRESCEM

Para as mulheres, os colares da Goodi são um acessório de moda. Já para os bebês, são mordedores que podem ser acessados enquanto estão no colo. Feitos com formas geométricas de silicone, os colares são atóxicos, livres de Bisfenol A (composto muito utilizado para fazer utensílios plásticos, mas que se aquecido gera contaminação) e podem ser lavados com sabão neutro e até esterilizados na água fervente.

Além de acessório para as mulheres, as peças da Goodi servem de mordedores para as crianças (foto: Renata Castanhari).

A proposta é que o produto seja o mais prático possível para as mães e muito seguros para os bebês. O fecho, por exemplo, se abre caso a criança puxe o colar com força, evitando que ele arrebente. “Escolhemos um fornecedor que tem todos os certificados de segurança. São feitos testes no lote comprado para provar que as bolinhas não estouram, não são inflamáveis, são livres de chumbo entre outras coisas”, fala Ana.

Ela continua: “Isso é fundamental para nós porque somos mães e nossas filhas foram as primeiras a testar os produtos da Goodi”. Quando os bebês deixam de se interessar pelos mordedores, os colares podem continuar no dia a dia das mulheres, já que possuem design atemporal e são projetados para ter vida longa. “A gente faz o design pensando no público feminino. Não queremos que seja um produto descartável”, fala Roberta. E prossegue:

“Queremos que a mulher use o colar no período em que está com o bebê pequeno, com a fase oral ativa, mas que possa continuar usando depois, como um acessório”

Inclusive, as sócias contam que mulheres que não possuem bebês pequenos também são clientes da Goodi. Até as crianças acabaram ganhando um colar específico para elas. Na verdade, um kit de montagem para que façam seus próprios modelos. É voltado para crianças maiores e conquistou um mercado diferenciado, já que os principais revendedores são lojas de brinquedos. “Os produtos da Goodi evoluíram junto com as nossas filhas. Quando elas começaram a andar e queriam usar os colares, a gente criou esse kit de montagem, que faz bastante sucesso”, diz Roberta.

PARA SE MANTEREM PRÓXIMAS DAS FILHAS, O NEGÓCIO É HOME OFFICE

As vendas da Goodi são feitas pelo site da marca, em 65 lojas físicas do país e por 35 revendedoras. “São mulheres, na maioria das vezes, mães de crianças pequenas, que estão em casa e precisam de uma renda”, conta Ana. A Goodi vende cerca de 600 colares por mês e o preço das peças varia de 70 a 110,50 reais. O faturamento, em 2017, foi de 400 mil reais e, neste ano, já está em 650 mil.

Para fazer a engrenagem funcionar e manter a flexibilidade de trabalho, as sócias criaram um sistema terceirizado e pulverizado de funcionamento. Quando a matéria-prima chega, Roberta, que é responsável pela parte de criação, entrega todo o material para três costureiras que montam as peças. Elas trabalham de casa, no horário que mais lhes convêm. São mulheres, mães e avós que estavam fora do mercado e que conseguem com esse trabalho ter uma renda para a família. Da casa das costureiras, os colares retornam para Roberta, que os distribui para duas mulheres que trabalham como estoquistas, também de casa.

A Goodi também criou um kit especial para crianças maiores montarem seus colares (foto: Luiza Florenzano).

As colaboradoras mantêm tudo organizado, separado, inclusive, as embalagens, tags e sacolas. Três vezes por semana, os pedidos que chegam pelo site são separados por elas e enviados aos clientes. “No começo, nós fazíamos todo esse trabalho. Conforme a demanda aumentou, surgiram os lojistas e as revendedoras, aí sentimos necessidade de ter outra estrutura”, diz Ana. Hoje, são seis colaboradoras que fazem a Goodi rodar, todas trabalhando em esquema home office.

Há dois anos, Ana e Roberta pensaram em ter um espaço físico para centralizar todo o trabalho, mas perceberam que isso tiraria a flexibilidade que elas e as colaboradoras conseguem ter com esse esquema mais pulverizado. “Teríamos que cumprir um horário comercial e íamos perder aquilo que fez a Goodi surgir, que era a disponibilidade de estarmos com as nossas filhas”, diz Ana.

A opção por um trabalho sem escritório fixo tem suas vantagens, mas exige disciplina para cumprir as funções o que, no final, elas acham que vale a pena. “Até hoje eu fico com a minha filha todas as manhãs. Trabalho a tarde inteira, de noite e nos fins de semana para poder ter esse tempo. Se estivesse em um escritório, isso não seria possível”, avalia Roberta.

APESAR DA FLEXIBILIDADE, EMPREENDER NA MATERNIDADE NÃO É SIMPLES

Não são poucas as mulheres que começam a empreender movidas pela vontade de ter mais tempo para ficar com os filhos. Com as sócias as coisas aconteceram dessa forma e a Goodi foi a primeira experiência que tiveram como fundadoras.

Publicitária, Ana trabalhou em agências no Brasil e, em 2001, foi estudar na Califórnia. Conheceu o marido e a estadia, que era pra ser de um ano, se transformou em um uma década. Lá, ela enveredou pelo trabalho com ONGs que lidavam com educação e cultura, trabalho que continuou a exercer quando voltou ao Brasil, em 2010.

Roberta é arquiteta. Trabalhou em escritórios no Brasil e em Lisboa, onde morou por quatro anos e estudou joalheria contemporânea, um conhecimento que veio a ser de grande importância na Goodi. “Cheguei a ficar um ano fazendo acessórios, mas foi uma experiência um pouco romântica, bem artesanal e, no momento em que as coisas poderiam começar a dar errado, eu parei e fui morar em Portugal.”

Voltou para o Brasil, ficou aqui um ano e foi trabalhar em Angola, ainda como arquiteta. Quando ficou grávida, retornou definitivamente e diz que sentiu certo desespero ao pensar o que seria da sua vida profissional com um bebê para cuidar.

O preço dos colares da Goodi varia de 70 a 110,50 reais.

Embora empreender tenha sido um desejo das sócias, a missão não é fácil. Por mais que se tenha flexibilidade de horário para ficar com as crianças, é preciso enfrentar os desafios do negócio. E o equilíbrio entre a maternidade e o trabalho foi um deles, como conta Ana:

“O volume de tarefas é maior do que se estivesse em um escritório. Mas compensa trabalhar em horários malucos e poder buscar minha filha na escola ou levá-la ao dentista”

Fora os desafios pessoais, a jornada trouxe obstáculos do próprio mercado, a começar pelo preço do dólar, já que elas importam a matéria-prima. “Sempre fomos cautelosas porque a flutuação do dólar é bem complicada, ainda mais nestes anos de crise. E quando a gente importa, precisa fazer todos os pagamentos à vista”, diz Roberta. Por isso, elas ajustaram o portfólio de peças, que tem cerca de dez modelos, para manter apenas aqueles com boas vendas. “Descontinuamos cores e formatos porque não fazia sentido ter mercadoria parada. Como somos importadoras, precisamos ter um caixa que pague esse processo”, afirma Ana.

Conquistar a confiança das clientes também foi um desafio, já que as mães costumam ser bem desconfiadas e têm medo de usar algo que possa fazer mal aos bebês. “A gente tinha um produto que as pessoas não conheciam. Quebrar a barreira do medo e conquistar a confiança das clientes não foi fácil. Fizemos muitas feiras para ficar frente a frente com elas, explicar o produto. E valeu a pena porque hoje a Goodi é uma marca confiável”, diz Ana, realizada ao saber que o trabalho faz mães, mulheres e bebês mais felizes.

DRAFT CARD

Draft Card Logo
  • Projeto: Goodi
  • O que faz: Colares que também são mordedores
  • Sócio(s): Ana Amélia Fortin e Roberta Carvalho
  • Funcionários: 8 (sendo 6 colaboradoras e as fundadoras)
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2014
  • Investimento inicial: R$ 60.000
  • Faturamento: R$ 400.000 (em 2017)
  • Contato: contato@goodi.com.br
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