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Economia Florestal: como funciona e qual o potencial do mercado de compensação ambiental no Brasil

- 22 de maio de 2018

Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal. O Brasil é um dos 17 países com a maior biodiversidade do mundo e, ao mesmo tempo, tem sérios problemas para manter tudo isso de pé.

Existe uma preocupação real — e palpável — com o que será do país e de sua biodiversidade em um futuro próximo. Uma das maneiras de enfrentar isso é considerar nossas florestas muito mais que um patrimônio natural, mas áreas de alto potencial econômico.

Para combater o desmatamento, a emissão de gases de efeito estufa, o manejo incorreto dos ativos florestais e a degradação do patrimônio natural há uma série de leis (algumas em vigor, outras aguardando regulamentação) que garantem o uso sustentável das florestas e há, também, formas de compensação ambiental — que fazem parte de um mercado cheio de potencial.

No infográfico abaixo, mostramos como funciona este mercado:

 

Embora o ideal seja preservar a mata nativa, não se pode negar a importância (e a necessidade) das compensações, sejam elas feitas por exigência legal ou de forma voluntária, para seguir princípios éticos ou para posicionar uma empresa como ambientalmente sustentável.

Em qualquer dos casos, as modalidades de compensação ambiental abrem um espaço para empreendedores criarem negócios inovadores, que ajudem a tornar esses processos mais eficientes. Já há alguns players atuando nessa área, mas ainda há um mercado imenso a ser desbravado. Abaixo, mostramos um pouco disso.

QUEM JÁ INVESTE EM RESERVA LEGAL

Biofilica, empresa que atua como uma intermediadora de áreas e possui um banco com 3 milhões de hectares para Reserva Legal, estima um potencial econômico de 24 bilhões de reais no mercado de Reserva Legal, que inclui tanto as transações de terra como o investimento nas florestas que precisam ser preservadas (mudas, cercas, segurança, maquinário, insumos etc).

A gigante Votorantim entrou nesse mercado em 2012 com a Reservas Votoratim, uma empresa gestora de ativos ambientais que tem sob sua administração o Legado das Águas, reserva de Mata Atlântica no Vale do Ribeira com 31 mil hectares, e o Legado Verdes do Cerrado, reserva com 32 mil hectares em Niquelândia, Goiás. Essas áreas são oferecidas a proprietários rurais para fins de compensação de Reserva Legal. O contrato é de 15 anos e o proprietário paga uma taxa anual para ter a garantia da manutenção da área compensada, apoio técnico e relatórios anuais. Os Legados também funcionam como laboratório de pesquisa, núcleos de educação ambiental e turismo sustentável.

Para além da transação de terras, Camila Al Zaher, Gerente de Negócios da Biofilica, vê um grande potencial de inovação no setor, principalmente na área de tecnologia:

“Um dos desafios é tornar automática estas transações. Também acredito em um mercado para a inovação na área de monitoramento do desmatamento”

Ela diz que, embora o Sistema Florestal invista nisso, com o Cadastro Ambiental Rural abre-se a possibilidade de olhar para o País inteiro. A grande expectativa do setor fica por conta das Cotas de Reserva Ambiental (CRA), que ainda não estão regulamentadas, mas que têm um potencial de mercado estimado em 13 bilhões de reais, segundo outro estudo da Biofilica. Por esse mecanismo, proprietários de terras para fins de compensação de Reserva Legal poderão emitir cotas que serão negociadas com quem precisa fazer a compensação.

QUEM JÁ ATUA EM RESTAURAÇÃO FLORESTAL

A restauração de florestas é um processo caro e complexo, que possui um mercado forte no estado de São Paulo, onde o governo criou o Programa Nascentes, pelo qual proprietários (públicos ou privados) oferecem suas terras para uma empresa ou ONG executar um projeto de reflorestamento. Esses projetos podem ser fracionados em cotas, negociadas de acordo com a necessidade da empresa que precisa fazer a Restauração Florestal. “O bioma da Mata Atlântica tem uma lei que se sobrepõe ao Código Florestal e trata do licenciamento para fazer o corte das árvores. Dependendo da importância e do impacto da vegetação que vai ser cortada será preciso compensar uma, duas, cinco, dez vezes o tamanho da área desmatada”, conta Roberto Resende, presidente da ONG Iniciativa Verde. Multas ambientais também já podem ser convertidas em projetos de restauração de florestas.

A Restauração Florestal, seja no âmbito da compensação ou não, é um mercado em ascensão. Em 2015, com o acordo de Paris, o Brasil se comprometeu a recuperar 12 milhões de hectares de floresta até 2030, como contribuição para a meta dos 195 países signatários de conter o aquecimento do planeta em até 2°C. Uma pesquisa do Instituto Escolhas avalia que será necessário um investimento entre 31 e 52 bilhões de reais para que essa meta seja atingida. O trabalho é grande e abre espaço para inovação, principalmente em tecnologia.

A Anubz Innovative Solutions está há sete anos neste mercado. A empresa criou um sistema para a gestão e rastreabilidade de ativos ambientais. Tags colocadas nas árvores e um sistema de georreferenciamento garantem que a empresa ou pessoa que fez a restauração possa acompanhar o desenvolvimento da área, gerenciar esses ativos e emitir relatórios com mais precisão e economia de tempo. A plataforma também mostra a quantidade de carbono resgatada por uma árvore ou uma área. Esses dados ficam disponíveis na nuvem e podem ser acessados de qualquer lugar.

QUEM JÁ ATUA EM CRÉDITO DE CARBONO

No Brasil, compensar as emissões de carbono é uma atitude voluntária que movimenta o mercado seja por questões éticas das empresas ou por estratégia de marketing, já que não há um mercado regulamentado, embora o país tenha se comprometido, no Acordo de Paris, a reduzir as emissões dos gases de efeito estufa em 37% até 2025 e 43% até 2030.

Há diversas formas de realizar projetos de créditos de carbono. Por aqui, as duas mais comuns são o plantio de árvores capazes de retirar do ar a quantidade de carbono emitida e a compra de créditos gerados em programas de REDD+ (Redução de Desmatamento e Degradação Florestal). Este modelo é considerado um grande potencial de mercado (estimado em 70 bilhões de reais), já que o maior volume de emissões de gases do Brasil (51%) vem do desmatamento, que precisa ser contido.

A Biofilica atua nessa área desenvolvendo projetos de preservação na Amazônia. Funciona assim: a empresa faz parcerias com os proprietários das terras e desenvolve projetos de manejo e conservação florestal. Esse trabalho gera os créditos que são comercializados no mercado (inclusive internacional). Caio Gallego, coordenador de Projetos REDD+ da Biofilica fala a respeito:

“Reduzir o desmatamento possibilita a geração do crédito de carbono”

Ele conta que, no caso da Biofilica, os projetos vão além e trazem os chamados “co-benefícios”, que são os impactos positivos na área socioeconômica e de biodiversidade. Caio vê um espaço grande para a inovação tecnológica nessa área, já que esses projetos precisam de tecnologia direta aplicada no campo, assim como monitoramento, georreferenciamento, cadastros etc.

Pensando em facilitar a vida de quem quer fazer o cálculo das emissões, o empresário Gabriel Estevan, 30, desenvolveu há dois anos o aplicativo Carbon Z, que permite a qualquer pessoa, empresa ou indústria fazer o inventário das emissões e, a partir destes dados, plantar árvores que possam neutralizá-las. A Carbon Z também faz o plantio de árvores nativas em áreas degradadas, como a região da Serra da Cantareira, na capital paulista, e algumas matas ciliares. Como se pode ver, o mercado de compensações ambientais e da economia florestal é amplo, complexo e está com o campo aberto para os empreendedores da Nova Economia.

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