SPONSORS:

“Eu queria um trabalho em que não precisasse abrir mão de conviver com meus filhos”

- 12 de julho de 2018
Alessandra Sodré: durante um passeio pelo laranjal da família surgiu a ideia de um negócio criativo

Vendo laranjas fresquinhas da fazenda para a porta da sua casa“. Seis anos atrás, essa frase – simples, espontânea, despretensiosa – foi o embrião de um novo negócio, o Laranjas Online, empresa que entrega laranjas em domicílio em até três dias após serem colhidas do pé. Alessandra Sodré, 36 anos, a empreendedora por trás dessa história, contou como foi em entrevista para o Sebraecast, conduzida por Adriano Silva, publisher do Projeto Draft.

A família de Alessandra mantém uma fazenda em Sorocaba, cidade a cerca de 100 km da capital paulista, adquirida pelo avô dela há 40 anos. Com 520 hectares, a propriedade possui 150 mil pés de laranjas (dos quais 15 mil são orgânicos), cuja produção é destinada prioritariamente à indústria de sucos.

Até que, seis anos atrás, em um passeio de fim de semana pelo laranjal, Alessandra notou o grande número de frutas caídas no chão. Descobriu que o excedente era jogado no solo para virar adubo. Voltou a São Paulo, onde vive com o marido e os filhos, levando o de sempre: um saco de 27 quilos, para consumo próprio e de amigos.

Desta vez, porém, teve uma ideia: e se ela tentasse vender as laranjas pela internet? Resolveu então anunciar o saco inteiro, pelo mesmo valor cobrado por 20 quilos no supermercado, anunciando – com a frase lá do topo, que abre este texto – em um e-commerce de variedades. Era domingo à noite.

Na manhã seguinte, havia 20 pedidos – que continuaram chegando. Ela fechou os pedidos na terça à noite e, na quarta, foi buscar mais laranjas em Sorocaba. Montou uma logística de endereços de entrega dos clientes para conciliar com a rotina escolar dos filhos, Antonio e Carolina, então com 5 e 4 anos. “No começo foi assim: um perrengue!”, diz.

Depois de receber 90 pedidos no primeiro mês, Alessandra contratou um motorista, que passou a ajudá-la nas entrega, e trocou a plataforma terceirizada de e-commerce por um site próprio. As vendas começaram a ser feitas por uma página do Facebook e por um site; os sacos passaram a ter 5, 10 e 15 kg (hoje há também o de 3kg).

A demanda seguiu crescendo. Alessandra arrendou os 15 mil pés de laranjas orgânicas da fazenda, fincando assim as raízes do negócio. No começo de 2013, deixou de atuar pessoalmente nas entregas para se concentrar nas áreas de logística e atendimento ao cliente. Além disso, contratou um segundo motorista/entregador (este para dirigir um caminhão) e duas pessoas para tocar a parte burocrática.

Formada em Direito, Alessandra trabalhou na área apenas no período da faculdade. Montar o próprio negócio era uma forma de estar mais perto dos filhos. O número de crianças em casa, aliás, dobrou desde a fundação da empresa: hoje, ela também é mãe de José, de 3 anos, e da Gabriela, que tem um aninho só.

“Eu queria um trabalho em que não precisasse abrir mão de conviver com meus filhos. Hoje, tenho total controle do meu negócio de dentro da minha casa.”

Em família, Alessandra encontrou também a solução para compartilhar responsabilidades. No meio de 2015, chamou o irmão, Gustavo (então recém-chegado dos Estados Unidos, onde se formara em marketing) para trabalhar com ela na empresa.

“Segurei por muito tempo sozinha e acho que demorei para me dar conta disso, ia perder a mão”, diz Alessandra. “Com mais cabeças você consegue mudar o foco e o Laranjas ficou mais profissional, mais estruturado.”

Atualmente, a empresa mantém dez funcionários e seis veículos de entrega. Vende 100 toneladas de laranjas por mês. O perfil dos compradores mudou substancialmente e hoje inclui 80% de pessoas jurídicas, como clubes, escolas e restaurantes.

“É engraçado como o negócio foi mudando…”, diz, com certa nostalgia na voz, de quem sabe da importância daquele começo intimista, que permitiu conhecer de perto os clientes e suas demandas. “Quando eu tocava sozinha, atendia muitas donas de casa, entregava na porta, tinha um contato bem próximo…”

Hoje, a logística continua sendo o nó mais complicado para o Laranjas Online. Alessandra explica que segmentar São Paulo (única cidade que atende, por enquanto) é um quebra-cabeças eterno.

“Não vendemos um produto que é possível entregar de bicicleta, moto ou outras formas alternativas. Ficamos presos ao carro e há ruas e locais de entrega complicados.”

Com logotipo e endereço eletrônico estampados, seus seis veículos de entrega funcionam como um canal de divulgação. Outro é o boca-a-boca, amplificado por clientes satisfeitos.

Alessandra conta que, no início, o aspecto das frutas gerou algumas queixas. O estranhamento se explica: suas laranjas não levam cera industrial (usada comercialmente para potencializar o brilho e a conservação), nem seguem aquela padronização de tamanhos que se vê nos supermercados. Ou seja, têm uma aparência natural.

O sonho, agora, é que cada vez mais laranjas da fazenda sejam entregues na porta dos clientes (em vez de virar suco industrial). Sem pressa, porém. Alessandra quer que o Laranjas Online siga crescendo de forma gradual – “orgânica”, como se diz. Tudo a ver com a proposta e o propósito da empresa.

***

Sebraecast apresenta uma série de entrevistas com empreendedores sobre startups, negócios criativos, negócios sociais, inovação corporativa e lifehacking. Confira a websérie em youtube.com/sebrae e o podcast em soundcloud.com/sebrae!

Veja também: