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Fernando Negrini, da Krhatos, quer aplicar equações caóticas para ajudar empresas a antecipar cenários críticos

- 2 de Maio de 2018
Fernando Negrini, da Krhatos, na sede do iDEXO

 

Em estatística, outlier é um evento raro, um valor atípico que foge à curva pode produzir impactos tremendos. Antecipar esses impactos, abstraindo incertezas e fornecendo insights para tomadas de decisão corporativas, é o desafio de Fernando Negrini, o empreendedor por trás da Krhatos, uma das 15 empresas residentes da primeira turma de pré-aceleração do iDEXO.

O próprio Fernando é um “ponto fora da curva”. Empreendedor precoce, este catarinense de Blumenau de 23 anos vive há dez em São Paulo, onde cursa hoje o bacharelado em matemática (“depois que entendi o que é a matemática não havia como não me apaixonar”). Antes, formou-se técnico em sistema de informação e trancou o curso de engenharia de produção. A descoberta da vocação para o empreendedorismo, porém, aconteceu graças ao serviço militar:

“Em 2013, fui servir o Exército. Eu não queria, mas acabou sendo a melhor experiência da minha vida. Servi como recruta, na quinta bateria de artilharia antiaérea, em Osasco. E comecei a me perguntar: qual é o motivo da minha vida? Me formar, virar gerente, casar… me aposentar e morrer? A partir daí, decidi: preciso empreender.”

Um primeiro negócio criado com um amigo, em 2014, não prosperou. Fernando voltou para a casa dos pais e trabalhou com otimização de processos gerenciais, prestando consultoria para pequenas empresas, até conhecer um analista de Business Intelligence, com quem montou uma empresa para oferecer soluções em nuvem, consolidação de dados e consultoria em BI. Esse era o escopo original da Krhatos em 2016 (um passado quase jurássico, dentro do paradigma veloz do ecossistema de ideias exponenciais).

Nesse meio tempo, no final de 2015, uma semente importante já havia sido plantada no cérebro de Fernando. Começou com uma tentativa desastrada de investimento: “Abri uma conta em uma corretora para negociar Opções Binárias. Eu era leigo, não entendia nada, nem fui pesquisar. Coloquei o dinheiro lá e em dois dias perdi.”

Motivado a entender o mercado de renda variável, ele leu um livro que mudou sua cabeça: A Lógica do Cisne Negro – O Impacto do Altamente Improvável, de Nassim Nicholas Taleb. A leitura apresentou a Fernando o conceito de outliers, não pela ótica estatística mas através de uma visão pragmática,  permitindo a ele assimilar o alcance e a profundidade com que a incerteza permeia o mundo.

“Risco é uma coisa, incerteza é outra. Risco é você ter uma urna com seis bolas, e a chance de tirar uma bola específica: um pra seis (⅙). Isso é risco. Incerteza é você ter uma urna e não saber quantas bolas tem lá dentro.”

Assim começava a germinar nele a paixão pela matemática. E, junto com ela, a ideia de se elaborar ferramentas para incrementar decisões em ambientes de incerteza – de olho nos outliers, aquelas informações atípicas, fora da curva.

Quer um exemplo? Pense que a sua empresa está prestes a lançar um produto para um público de 18 a 25 anos. Suponha, então, que ocorra uma ligeira mudança no comportamento desses jovens:

“Imagine que 80% deles assistem ao Whindersson Nunes. Desse universo, porém, um pequeno grupo deixou de assistir. Olhando de fora, você pode pensar: ‘ah, isso não vai acarretar nada’. Mas essa parcela sinaliza que o hábito de todo esse público pode estar mudando. E como eu consigo antecipar essas mudanças e influenciar o sistema a meu favor?”

No fim de 2016, Fernando teve uma desavença e rompeu com o sócio. Deitado no sofá, pensou que voltar ao mercado seria hipocrisia, logo ele que incentivava todo mundo a empreender. Decidiu seguir em frente com a Krhatos. Recrutou um time e tentou focar cada vez mais no problema da incerteza. Porém, se via implementando os mesmos processos de BI de sempre e tampouco conseguia instigar na equipe a paixão pelo projeto.

Apesar do negócio já monetizado e com um certo nível de estrutura, Fernando acabou desmantelando o time, por não vislumbrar o impacto que gostaria de causar no mercado naquilo que fazia. Era dezembro de 2017 e ele não sabia como faria para pagar as contas. Na época, sua namorada buscava um tema palpitante para o MBA em Controladoria; papo vai, papo vem, brotou a ideia de abordar o assunto pelo viés da “Teoria do Caos” (termo pouco lisonjeiro, aliás, segundo Fernando).

“Caos não é necessariamente desorganização. O conceito de caos é um sistema em que qualquer alteração mínima em uma variável pode alterar todo o percurso. Sabe aquele pensamento: se eu ficar um minuto a mais na fila do banco, todo o meu destino pode mudar? É isso. Hoje, um tuíte do Trump muda todo o mercado.”

E foi aí que Fernando teve o ímpeto, de tirar do papel a sua grande epifania: aplicar as “equações caóticas” da matemática (que enxergam ordem onde só vemos acaso) a soluções cognitivas e de big data para ajudar empresas a reduzir a incerteza e aprimorar decisões. Um conceito que ele batizou de Shiva – deus hindu do caos, destruição e regeneração.

“Os modelos estatísticos de hoje já não conseguem mais reproduzir a complexidade do mundo real, incerto, volátil. Não computam os outliers de forma tão assertiva. A realidade muitas vezes não cabe nos relatórios”, diz Fernando.  

Antecipar essa realidade tão volátil com ajuda da inteligência artificial é a sua ousada ambição:

“O Shiva, como tecnologia, é basicamente um analytics, uma plataforma em nuvem que se conecta a base de dados do cliente para detectar pequenas mudanças em variáveis analisadas e construir cenários, através do aprendizado de máquina, alertando quando as consequências do efeito dominó causadas por pequenas mudanças nos indicadores analisados, se revelarem críticas para esse cliente ou apresentarem um nova oportunidade.”

Por ora, o software que dará forma à ideia está em fase de desenvolvimento. Entre aquela virada-de-chave epifânica e a chegada da Krhatos ao iDEXO foram poucas semanas. Empolgado, Fernando descreve o período de residência no instituto:

“Estou vivendo um sonho no iDEXO. Tenho todo o suporte que preciso em networking, recursos tecnológicos, business, gestão, orientação… A estrutura física conta muito, às vezes fico aqui até meia-noite, nem dá vontade de voltar pra casa. O iDEXO realmente entendeu o que a gente está fazendo e nos deu suporte para consolidar o produto. Isso não tem preço.”

Atualmente, o empreendedor-matemático encontra-se concluindo seus primeiros cases e está em negociação com grandes corporações das áreas de Construção Civil, Petrolíferas, Varejo, Auditoria, Marketing e Mercado Financeiro. Hoje, a Krhatos tem três cases em andamento com empresas de menor porte, uma delas da construção civil (o desafio é tangibilizar para a construtora os números-limite de apartamentos que podem ser erguidos em cada bairro a fim de se preservar altas chances de venda).

A homologação final do MVP deve coincidir com a conclusão da primeira turma do iDEXO, agora em maio. Fernando, porém, ressalva que o foco de sua plataforma ainda pode mudar:

“Hoje, a missão do Shiva é transformar dados em conhecimento que aprimorem ações comerciais estratégicas. Entretanto, estamos fazendo testes e existe a possibilidade de pivotarmos para algo diferente, uma solução de gerenciamento de risco de extrema performance!”

Ideias exponenciais são assim: velozes, fora da curva, em constante mutação.

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