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Fiat 147 chega aos 42 anos: “passione” à brasileira

- 17 de julho de 2018

“Paixão”, você há de concordar, assim como “amor”, são termos difíceis de explicar. Os dois, que caminham de mãos dadas, só são conhecidos pela experiência, e costumam ser intensos demais para serem definidos em palavras, não é mesmo? Pessoas amam e se apaixonam por pessoas, lugares, comidas, seriados, livros, filmes e… carros. Isso mesmo: o que para alguns é um meio de transporte, para outros é um elemento que faz parte da sua história, um refúgio, um estilo de vida, um tesouro digno de coleção.

Tanto que adoradores de ícones do universo quatro rodas se unem em clubes, promovem encontros, compartilham experiências, planos e sonhos. Em plena comemoração dos 42 anos da chegada da Fiat ao Brasil, não dá para não falar do Fiat 147, o primeiro modelo lançado pela marca em terras brasileiras, em 1976, que rapidamente conquistou lares e corações. O “carrão pequeno”, como era chamado na época, que revolucionou o próprio conceito de carro por se apresentar tão eficiente quanto compacto, coleciona admiradores e entusiastas. E não é somente porque o veículo foi o primeiro brasileiro com motor transversal dianteiro ou o primeiro movido a etanol fabricado em série no mundo. Mais do que tudo isso, o Fiat 147 fez história pelas aventuras e afetos que reuniu e ainda reúne tantas pessoas. Passione à brasileira.

Para entender um pouco dessa relação de amor, é só conhecer a trajetória de pessoas como Ildebrando do Carmo Dias, o Dedé, que começou a trabalhar na Fiat como traçador de carroceria em 1976, quando a fábrica se instalou em Betim, Minas Gerais. Tornando-se em pouco tempo instrutor técnico, Ildebrando somou cerca de 37 anos de serviço na FCA e, hoje, faz parte do Fiat 147 Car Club BH MG. O grupo reúne entusiastas do modelo e suas versões, com encontros periódicos. “Eu cheguei na fábrica no início de tudo e vi nascer o Fiat 147. Vi as primeiras chapas entrando nas prensas, vi esses carros seguindo para a montagem”, lembra Dedé. “O primeiro carro que tive na vida foi um Fiat 147, que consegui comprar em 1978” conta, feliz, sobre a aquisição de um sonho há 40 anos, fruto do seu trabalho. Hoje, ele é o diretor técnico do clube e tem três relíquias na garagem: um modelo de 1978 e dois de 1985, sendo um deles uma simpática picape. Como não amar o que você ajudou a criar?

 

A enfermeira Luciana Ferreira aprendeu a dirigir em um 147 e há quatro anos frequenta os encontros de apaixonados pelo carro.

 

Quem também tem história com o 147 é a enfermeira Luciana Cristina Franco Ferreira, que participa de encontros de clubes de carros de Fiat há quatro anos e ostenta, orgulhosa, seu modelo lançado em 1979, na cor que ficou popularmente conhecida como “azul-calcinha”. Assim como Ildebrando, Luciana tem uma relação afetiva forte com o modelo porque foi seu primeiro carro. “Aprendi a dirigir em um Fiat 147 branco, depois tive uma versão Spazio 83 e sempre quis ter um de novo. Há uns oito anos, meu marido me deu esse de presente, porque sabia o quanto gosto”, revela. Ela diz que já investiu em reformas para mantê-lo “tinindo” apesar da idade — ou melhor, apesar das muitas histórias acumuladas em cada centímetro de metal. Luciana tenta explicar sua paixão: “É um carro muito bacaninha, chama atenção por onde passa e corre bastante na estrada!”, comenta sobre o pequeno notável. Confira no vídeo abaixo alguns testemunhos desses apaixonados:

Se Luciana está fazendo melhorias mas mantendo a aparência “vintage” do seu exemplar, Márcio Vinícius Silva, supervisor de garantia, fez várias mudanças para deixar o seu 147 “a cara do dono”. Ele, que ajudou a fundar o Fiat 147 Car Club BH MG, comprou sua versão picape City 1987 em 2011 e mexeu nas rodas, suspensão, motor e até mesmo rebaixou seu companheiro de estrada, além de caprichar nos adesivos. “Eu me expresso nele”, explica Márcio, que se apaixonou pelo modelo ainda criança, por influência do pai, Élcio Eustáquio da Silva, que trabalhou no Polo Automotivo Fiat por 21 anos na Montagem Final. “Meu pai teve um GLS 79, tirou zero lá na fábrica. Eu comecei a gostar de andar naquele carro ainda pequeno, no dia a dia, viajando todo final de semana. Eu e meus três irmãos crescemos dentro dele”, conta Márcio. O Fiat 147, para ele, tem esse gostinho de infância. Mais do que isso, é sinônimo de família.

E a tradição está sendo passada para a próxima geração. Márcio perdeu o pai, mas a paixão que ele viveu nos primeiros anos de vida hoje é experimentada pela sua filha, Estela Silva Fauez, de quatro anos. “Ela adora andar de Fiat 147”, diz Márcio, tão apaixonado pelo lendário carro que contagiou a esposa com sua empolgação, a secretária Karoliny Nicoly Fauez Coutinho, com quem está há seis anos. “É raro eu andar com o meu 147, uso mais em eventos. Mas ela anda com o dela, um 147 C de 1986, pela cidade todos os dias, vai para o trabalho, leva nossa filha para a escola. Criou amor”, conta.

 

Jorge Pinho, o criador do do Dia do Fiat 147: holandeses, italianos, portugueses, espanhóis e egípcios na comemoração.

Se a esta altura você não se comoveu com o amor envolvendo os “carrões pequenos”, conheça a história de Jorge Pinho, curitibano referência no Brasil sobre o assunto. “O 147, para mim, é vida, é uma relação de amor”, diz. “Meu avô veio de Portugal para o Brasil e teve outros automóveis. Mas eu e meu pai – ou seja, toda a geração brasileira da família Pinho – só tivemos 147”, conta ele, que fundou o primeiro clube do Brasil dedicado ao modelo, o Clube Fiat 147, em 2002.

Jorge se emociona ao contar fatos do carro, pois isso significa relembrar a sua própria história. “Quando eu tinha nove para dez anos, fiz bagunça tentando pegar biscoito em cima do armário e acabei caindo, abrindo o supercílio. Minha mãe me levou ao Pronto Atendimento e já fiquei imaginando o quanto meu pai ia ficar bravo. Ele tinha saído para comprar um carro, e apareceu para me buscar no hospital de 147, de 1981”, lembra ele, garantindo que o modelo o salvou daquela briga. Ali, nascia o afeto pelo “Casquinha de Ovo”, como o carro era carinhosamente chamado pela família Pinho por ser bege.

Anos mais tarde, um acidente só fez esse afeto aumentar, assim como a sensação de gratidão. Os pais de Jorge Pinho se envolveram em uma colisão grave, mas sobreviveram:

“O carro dobrou inteiro, mas meus pais foram poupados. Ele salvou meus pais, foi guerreiro”, conta, emocionado. “Aquele Fiat 147 morreu no acidente, e isso foi de uma tristeza muito grande para minha família”, rememora.

Alguns anos mais tarde, seu avô presenteou seu pai com outro 147, e um Jorge de 16 anos se viu novamente apaixonado, querendo lavar, polir e cuidar de seu novo parceiro de aventuras. Já dono de um 147, Jorge, anos mais tarde, recebeu uma proposta de um comprador que estava disposto a pagar quatro vezes o que ele havia desembolsado, e seu pai insistiu para que ele vendesse. Insistiu tanto que Jorge brigou com o pai e deixou a casa da família, mesmo sem ter onde ficar. Consegue adivinhar onde ele dormiu? Sim, ele passou três meses praticamente vivendo em um Fiat 147.

Precisamente em 2015, Jorge foi um dos criadores do Dia do Fiat 147, 14 de julho, ou seja, 14/7, em alusão aos números que tanto fazem parte de sua vida. A ideia surgiu de uma conversa despretensiosa com sua então esposa, e tomou uma proporção que ele não imaginava. “No primeiro encontro, reunimos seis carros para rodar em um frio de 4ºC em Curitiba. A notícia se espalhou, divulguei no YouTube e, no ano seguinte, gente da Argentina, do Chile e da Colômbia entrou em contato comigo perguntando se poderia usar a data”, relata. A edição de 2017 contou com adesões da Holanda, Itália, Portugal, Espanha, e agora, em 2018, até mesmo lovers do Egito fazem parte da comemoração. Ou seja: a ideia, que começou miúda, se transformou no Dia Mundial do Fiat 147.

O policial Percival Fernandes só roda com seu “xodó” durante os finais de semana e nos encontros: “Nos outros dias, uso meu Palio”. 

Quem também já viveu momentos inesquecíveis com seu Fiat 147 é Percival Alexandre Assunção Fernandes, policial civil e presidente do Fiat 147 Car Club BH MG, aquele que o Márcio ajudou a fundar em 2014 e do qual Dedé é diretor técnico. Proprietário de um modelo de 1986 há 19 anos, Percival conquistou a desejada placa preta de colecionador em janeiro de 2016, quando o carro completou 30 anos — outra exigência para alcançar esse status é que o veículo preserve ao menos 80% de sua originalidade. “Esse é meu xodó, rodo com ele apenas nos finais de semana e nos encontros. No dia a dia, uso um Fiat Palio”, confessa. Percival conta que o clube belo-horizontino se encontra ao menos uma vez por mês, no bairro Caiçara, e também promove outras atividades. São verdadeiras reuniões de família, com várias pessoas com propósitos em comum e a paixão compartilhada pelo Fiat 147.

Se tanta gente ama o 147, não há como negar: há algo de especial no compacto para conquistar. Lançados em anos diferentes, de modelos e cores distintas, os carros desses amantes da marca são relíquias. Cada amante do Fiat 147 segue reinventando, a seu próprio modo, a história do carro e sua própria história, em que o coração bate no mesmo compasso do ronco do motor. Feliz 42 anos, Fiat 147!

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