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Fiz a famosa Master Class da Hyper Island. E saí de lá com o queixo caído

- 2 de outubro de 2014
Guest Pitchu
Carlos Pitchu, da Agência Salve, num rápido intervalo para o café, durante a Master Class da Hyper Island, em São Paulo

 

Por Carlos Pitchu

 

Em matéria de cursos e palestras, me transformei num sujeito que habita a fronteira entre o cético e o chato. É sempre o mesmo roteiro: fico sabendo de um evento por um amigo empolgado, me animo, pago o preço (quase sempre caríssimo), vou até lá e, pronto, acho no máximo “legalzinho”.

Nos últimos anos tive o privilégio de participar de eventos famosos, dentro e fora do Brasil. Alguns frustrantes e outros “até que mais ou menos”. A culpa disso costumo atribuir à quantidade e à velocidade de informações que já consumimos normalmente em nosso dia-a-dia. Para um curso ou palestra se destacar, ele tem que ser muito bom.

Em média, dou uma passada de olho em cerca de 20 artigos, posts, filmes online ou coisa do tipo, todo santo dia. Desses 20 conteúdos, pelo menos dois ou três acabo lendo/vendo na íntegra. E em geral um deles me interessa mais profundamente e me leva a uma investigação mais detalhada. De toda esta informação, uma delas, toda semana, me faz comprar um livro ou ler um paper ou baixar um free sample no Kindle.

Nesse ritmo – que não dever ser muito diferente do seu – fica difícil encontrar uma palestra que traga algum pensamento realmente original. No final do dia, o consolo sempre fica por conta de exclamações como: “pelo menos o networking foi bom” ou “valeu pela festa” (o que não deixa de ser importante também).

Há um mês, recebemos aqui na agência um executivo da Hyper Island. Ele me explicou que o segredo do sucesso dessa aclamada escola sueca é também o sistema e não somente o conteúdo.

Me senti desafiado e comecei a consultar algumas pessoas que fizeram a tal Master Class em Nova York e na Europa. Captei no ar uma espécie de clima de “clube da luta”, algo do tipo, “não posso contar, tem que fazer”

Me senti desafiado e comecei a consultar algumas pessoas que fizeram a tal Master Class em Nova York e na Europa. Captei no ar uma espécie de clima de “clube da luta”, algo do tipo, “não posso contar, tem que fazer”. E para terminar de me fisgar, fiquei sabendo que o curso de estreia em São Paulo contaria com a exclusiva presença do próprio Jonathan Briggs, co-fundador da Hyper Island em Estocolmo.

Foi fatal para minha curiosidade. Encarei a paulada da inscrição – 4 mil dólares – e detonei o limite do cartão de crédito dizendo pra mim mesmo: “já sei como isso vai terminar, espero que o networking seja muito bom e que sirvam cerveja belga bem gelada em algum momento”.

Me organizei, travei minha agenda por três dias seguidos e mergulhei no espaço de coworking da FIAP, onde aconteceria a Master Class. Chegando lá, encontrei um espaço por si só inspirador. Havia a figura de “facilitadoras” americanas, dinamarquesas e brasileiras. As atrações principais do curso seriam Jonathan Briggs, Per Hakansson, um sueco superempreendedor do Vale do Silício e Heather Le Freve, head de estratégia da agência americana CP+B. Minha primeira impressão foi de que estava em boas mãos e de que treinaria absurdamente meu inglês.

Éramos 37 pessoas de agências, veículos e áreas de motivação e inovação de grandes empresas, prestes a ficar juntos das 9h às 17h, com breves pausas para café e almoço. Ganhamos cadernetas moleskine chiques, montanhas de post-its e canetas Sharpie. Começa o tal curso imersivo revolucionário, com todo mundo em volta de mesas redondas. O meu queixo cai em vinte minutos.

Hyper Island

Assim é a mesa de de trabalho da Master Class

Não vou detalhar o que vi – até porque não posso. Não porque seja proibido, mas porque não sou capaz de reproduzir com fidelidade. Foi qualquer coisa extrassensorial, sei lá. Juro.

Eles definitivamente criaram um bicho novo com a Hyper Island. Uma espécie de mistura de palestra com mão na massa, com imersão motivacional, com ciência, com tecnologia, com choque de realidade

O que tenho condições de descrever aqui é que, de fato, mais uma vez uma iniciativa sueca pega todo mundo de surpresa. Eles definitivamente criaram um bicho novo com a Hyper Island. Uma espécie de mistura de palestra com mão na massa, com imersão motivacional, com ciência, com tecnologia, com choque de realidade. Sobretudo, resgatando a essência do que deveria ser por definição um mestrado – um mestre de ofício se reunindo com aprendizes, não com alunos.

Com maestria, os três dias foram divididos em desconstruir as pessoas que ali estavam. (Só tinha fera. De bobo, só eu.) Com todos desarmados, de guarda baixa, aplicou-se um banho de realidade, redefinindo o mundo em que vivemos com uma ótica cristalina e nova, distante da perspectiva industrial de 200 anos atrás que ainda usamos para entender as coisas. E presenciamos um show de metodologia, provocando todos a produzir ali mesmo algo que ninguém se considerava capaz até então: “disruption”, de verdade, na prática, de forma concreta.

Vimos pra crer. E eu cri. Paguei pra ver. E vi.

Algo impressionante saiu das nossas mentes, ali mesmo, em algumas horas. Bastou configurar o jeito de pensar, o jeito de digerir informação, e, com o apoio adequado, nos servindo de técnicas atuais, passamos a gerar um output realmente diferenciado.

Voltei para casa de alma lavada, sem ter visto nenhum conteúdo original e sem ter tomado nenhuma cerveja belga. (Ah, sim, o networking foi sensacional.) Simplesmente me expus a um método novo de ensinar, aprender e colaborar. Um método de transformação de negócios e de pessoas – e não apenas de planejamento de comunicação ou marketing. Definitivamente, esses suecos definiram para mim como deve ser uma escola de negócios na era digital, nesse novo contexto social em que vivemos.

Finalmente, posso dizer que um curso valeu (muito) a pena. Fiquei impressionado não só com o que ouvi, mas com o que consegui fazer. E, por isso, recomendo.

 

Carlos Pitchu é sócio e CEO da Agência Salve

@pitchu

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