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Inspirado em modelos estrangeiros, a Cora Residencial oferece uma nova proposta de moradia para idosos

- 24 de dezembro de 2018
Miguel Zarvos é o diretor comercial da Cora e se sente desafiado em participar da implantação de um negócio no mercado da longevidade.

O Brasil tem mais de 30 milhões de idosos, segundo dados do IBGE . São pessoas com mais de 60 anos que formam o que o mercado tem chamado de Economia Prateada, um setor com alto potencial para consumo e empreendedorismo. E é de olho nesse mercado que o Pátria Investimentos fundou, em 2015, a Cora Residencial Senior, um modelo de Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) com seis unidades na cidade de São Paulo.

Segundo o diretor comercial e de marketing da Cora, Miguel Zarvos, 37, essa é a primeira vez que o Pátria começa um negócio do zero. Normalmente, o fundo faz aquisições de empresas que já operam, como aconteceu com a Faculdade Anhanguera e o Dasa Laboratórios. Ele fala:

“Existe a oportunidade de gerar uma nova proposta de valor para idosos em um momento que eles, provavelmente, iam ficar em casa parados”

E prossegue: “A gente mostra que podem acontecer várias coisas na vida deles quando estão em contato com outros idosos e com todos os serviços que existem dentro do ecossistema do residencial”.

A empresa fica sob o gerenciamento da BSL (Brasil Senior Living), que também administra os outros dois negócios do Pátria na área de envelhecimento: Assist Care (que atua na área de Home Care) e Hospital Sainte Marie (voltado a cuidados paliativos).

DE IDOSOS AUTÔNOMOS A DEPENDENTES, A CORA TEM ESPAÇO PARA TODOS

A Cora é inspirado no que já existe no Canadá e nos Estados Unidos, locais em que muitas pessoas procuram esse tipo de instituição para morar quando ainda estão com boa saúde, porque querem ter qualidade de vida, diversão, liberdade e segurança. Por aqui, a procura por um residencial ainda é feita, na maioria das vezes, no momento em que o idoso está dependente de cuidados e depois da família já ter experimentado um esquema com cuidadores em casa que muitas vezes não dá certo.

Na Cora Residencial, as unidades possuem um layout padrão, mas há muitos testes para oferecer o que os residentes preferem em cada uma delas.

A Cora recebe tanto os idosos autônomos quanto os dependentes e há liberdade para que eles entrem e saiam das unidades quando quiserem. Para sair do espaço, aqueles que são dependentes, precisam estar acompanhados e ter autorização da família, que pode visitá-los 24 horas por dia. “A pessoa não está presa lá. É só a forma como ela decidiu residir”, diz Miguel.

Quando procura a empresa, o idoso passa por uma avaliação com o corpo médico e técnico para saber quais são suas necessidades. “Atendemos os dois públicos e percebemos que, naturalmente, acontece uma concentração maior de idosos autônomos em uma unidade e idosos mais dependentes em outra. Mas a decisão final é sempre dá família”, diz Miguel, lembrando que, em uma cidade como São Paulo, a localização é fundamental para que os familiares estejam sempre por perto.

O preço de morar na Cora depende de três variáveis: localização da unidade, tipo de suíte e grau de dependência. Os valores variam de 6 a 14 mil reais mensais. O ticket médio é de 8.500 reais e já são mais de 500 residentes. Na mensalidade estão inclusas a suíte (que pode ser individual, dupla ou tripla), lavanderia 24 horas, limpeza da acomodação, seis refeições diárias, higiene pessoal, assistência 24 horas (com corpo de enfermagem e cuidadores) e duas atividades de lazer por dia. Outros serviços, como fonoaudiologia e fisioterapia, podem ser contratados à parte. “Temos médicos na nossa equipe, mas eles não estão todos os dias nas unidades. O residencial não é um hospital, então, qualquer atenção necessária do ponto de vista médico e hospitalar, entramos em contato com a família”, conta Miguel.

Há, também, a possibilidade do idoso ficar por lá durante temporadas mais curtas, como um feriado, férias da família ou mesmo durante a recuperação de cirurgias, e o Senior Day, quando os idosos passam o dia em uma das unidades e voltam pra casa.

O DESAFIO DE QUEBRAR O PRECONCEITO SOBRE CASA PARA IDOSOS

Apesar da longevidade da população ser um fato inquestionável, falar sobre moradia para idosos ainda é um tabu. Existe, dentro as famílias, vergonha de tocar nesse assunto. “A gente quer se diferenciar do conceito estigmatizado de um lugar em que o idoso vai passar o tempo. Toda nossa infraestrutura é pensada para ele ter conforto e ótimas experiências.”

A principal ideia por trás da Cora é que seja um ambiente de convivência com liberdade, segurança e propósito. Miguel diz que o negócio é disruptivo porque não trabalha com a ideia de um idoso ficar parado esperando o fim da vida. Ele afirma:

“Nossa principal atenção está na experiência do residente. Não é só a estadia, o idoso tem que viver o presente dele”

Essa experiência acontece no compartilhamento da moradia com os outros idosos e, também, nas atividades que o residencial oferece, como as atividades de yoga, dança de salão, pilates, estímulos cognitivos e workshops de tecnologia. Há uma variação a cada unidade, dependendo do interesse dos moradores, e algumas são adaptadas para que os idosos com diversos graus de dependência possam participar. Então, uma aula de teatro, por exemplo, vira uma aula de contação de história para quem tem restrição de mobilidade.

Eventos como bailes e jantares fazem parte das atividades de convivência oferecidas a quem vive na Cora.

Aos poucos, a empresa tem incluído atividades externas, como caminhadas no parque, e eventos como jantares, festas e ações sociais. No inverno, as mulheres tricotaram kits que foram entregues para uma instituição que atende crianças carentes e algumas delas participaram da entrega, tendo a chance de interagir com os pequenos. “São ações que geram propósito e a gente percebe que isso impacta o dia a dia deles”, diz Miguel.

O trabalho, agora, é levar para a sociedade a proposta de valor de uma vida bem vivida na maturidade, dentro das suas possibilidades e mesmo com as sua limitações. Eles não divulgam a meta de expansão, mas dizem que a ideia é estar em todo o país. “Nossos desafios é sermos conhecidos, entenderem a nossa proposta da valor. A partir daí, vamos conseguir vencer a barreira cultural. É um processo que ainda vai amadurecer ao longo do tempo”.

ELES APRENDERAM COM OS ERROS E OS FEEDBACKS DOS RESIDENTES

O fundo Pátria investiu 150 milhões de dólares na Cora. Antes de entrar no mercado, foi feita uma pesquisa com mais de 250 famílias para entender as necessidades delas, além da visita de mais de 100 instituições no Brasil e no mundo. Mesmo assim, isso não foi garantia para um negócio sem erros. A proposta deles é funcionar no modelo das startups, fazendo rapidamente os ajustes necessários quando um problema aparece. Na primeira unidade inaugurada, por exemplo, foi construído um espaço gourmet para que as famílias pudessem cozinhar juntas no fim de semana, no estilo “almoço de domingo na casa da vovó”, mas não houve interesse porque os idosos não queriam cozinhar.

Já na unidade do bairro Campo Belo, eles testam um modelo de acomodação com uma suíte individual, mas com banheiro compartilhado, o que faz o custo ser menor ao mesmo tempo em que se mantém a privacidade. Miguel diz:

“A empresa tem esse DNA de startup e a gente aprende muito dia após dia”

Os próprios residentes têm sido fonte de informação para o negócio. Miguel conta que fez recentemente uma reunião de duas horas com alguns moradores para ouvir o feedback deles sobre as atividades. “Nesse momento, queremos estruturar um canal de comunicação para ouvir os idosos e os familiares porque, no final do dia, cada um tem uma necessidade. A gente não pode garantir que vai atender 100% das necessidades, mas conseguimos capturar bastante informação para tornar o nosso serviço melhor.”

A caminhada no parque é uma das atividades externas oferecidas pelo residencial aos moradores.

Pessoalmente, o diretor comercial diz que trabalhar com essa área de saúde tem sido um desafio e um aprendizado. Ele atuou por mais de dez anos na área comercial de empresas voltadas para a educação, tanto em negócios do Pátria como de outro banco de investimentos, e diz que se sente motivado nessa jornada no setor da longevidade.

“A saúde no Brasil é um dos temas mais relevantes, com necessidade de profissionalização urgente. A proposta de construir uma nova categoria dentro do mercado da terceira idade me chamou muita atenção. Na Cora, tenho os desafios de uma startup e de construção de um novo business e, por outro lado, tem muita oportunidade de aprender e aprimorar essa proposta de valor que, não tenho dúvida, vai fazer a diferença na sociedade”. Afinal, são 30 milhões de pessoas com mais de 60 anos que querem, e merecem, viver bem!

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  • Projeto: Cora Residencial Senior
  • O que faz: Moradia de longa permanência para idosos acima dos 60 anos
  • Sócio(s): Não tem
  • Funcionários: 451
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2015
  • Investimento inicial: US$ 150 milhões
  • Faturamento: 500 residentes
  • Contato: cora@coraresidencial.com.br
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