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“Mostramos para nossos clientes que o robô não é um bicho de sete cabeças”

- 27 de setembro de 2018
Robôs simulando uma solda em uma peça automotiva, na Motoman Robótica do Brasil, em Diadema (SP)

Incansáveis, silenciosos e com precisão milimétrica, os robôs desempenham hoje em dia diversas funções, inclusive algumas insalubres para os seres humanos: soldam, pintam, aparafusam, empacotam, separam mercadorias, movimentam e empilham cargas de qualquer tamanho, imunes a acidentes, lesões por esforço repetitivo ou à inalação de fumaças tóxicas.

Com a ascensão da Indústria 4.0, fábricas inteligentes, totalmente conectadas e movidas à mão-de-obra robótica, devem ser uma realidade cada vez mais frequente. Longe da produção em série, porém, a fabricação de um único robô industrial pode levar um ano inteiro – e mobiliza 120 colaboradores de uma firma instalada (desde os anos 1990) em Diadema, na Grande São Paulo.

“Somos uma empresa especializada na fabricação e customização de robôs para a indústria”, diz Icaru Sakuyoshi, presidente da Motoman Robótica do Brasil, subsidiária da unidade americana da Yaskawa, companhia nascida no Japão.

Dona de 20% do mercado nacional, a Motoman Brasil produz, em média, 300 robôs por ano. Esse número revela a defasagem do país na automação, afirma o presidente, em especial entre as pequenas e médias empresas. “No mesmo período, a nossa matriz [nos Estados Unidos] fabrica 35 mil dispositivos para atender o mundo”, diz Sakuyoshi.

Fabricar robôs (sobretudo em um país com pouca intimidade com a robótica) definitivamente não significa ter um serviço de pronta-entrega. O ciclo completo de um produto customizado dura cerca de 12 meses, da sondagem sobre as necessidades do cliente à capacitação de seus funcionários para conviver com o robô (o treinamento é ministrado por instrutores da Motoman).

Numa etapa anterior à execução, o time de projetos desenha e programa o robô com uso de um software que simula os componentes e movimentos necessários para atender o pedido. Do Japão vêm o controlador (a parte eletrônica que seria o “cérebro” do robô) e uma unidade de programação pendente, que será a base para a equipe programá-lo conforme a demanda do projeto.

No Brasil, nenhum setor se compara ao automotivo quanto ao pioneirismo e ao uso intensivo da automação, adotada também por segmentos específicos, como o de implementos agrícolas. Clientes em potencial são a indústria da aeronáutica, metalmecânica, química, de alimentos, agronegócio e serviços logísticos – setores que já assimilaram a tecnologia no exterior.

“Nos países desenvolvidos, chegou-se ao entendimento de que não é mais a mão-de-obra barata que determina vantagem competitiva, mas os ganhos de produtividade”, diz Sakuyoshi. “O Brasil precisa dos robôs para se tornar competitivo na guerra global que se estabeleceu na manufatura.”

Essa é uma guerra em que, por enquanto, estamos em desvantagem. Na métrica utilizada para avaliar o grau de automação de um país, o Brasil tem 10 robôs por 10 mil trabalhadores, bem abaixo do índice mundial de 74 robôs. O lado bom é que há espaço de sobra para crescer – e expandir o mercado de trabalho para profissionais capacitados a atuar nessa área.

“Os empresários temem a falta de mão-de-obra capacitada para as linhas robóticas e a necessidade de contratar profissionais sêniores”, diz Sakuyoshi. “Mostramos para nossos clientes que o robô não é um bicho de sete cabeças e que uma instituição como o SESI/SENAI, presente em todo o país, forma técnicos e tecnólogos com total habilitação para trabalhar na Indústria 4.0.”

A Motoman Brasil busca no SENAI a maioria dos seus especialistas em mecatrônica, automação industrial, eletrônica e mecânica, revela o presidente. “O nosso diretor da engenharia começou aqui há 18 anos, depois de formado no SENAI Anchieta.”

As mulheres, sabidamente, ainda são minoria no setor, e a desproporção se repete de forma esperada na empresa: entre os 120 colaboradores (20% engenheiros, 60% técnicos e tecnólogos, 20% administrativos) há apenas 19 funcionárias, e somente quatro são técnicas. Uma delas é Raíssa Carmona, que apesar da pouca representatividade feminina define como “muito boa” a relação com o chefe e os colegas:

“Trabalhar na área técnica da Motoman é desafiador devido à rotina de atividades, assim como em qualquer empresa de engenharia, e não por questões de desigualdade de gênero ou intolerância. Falando da área em que atuo, Engenharia de Aplicação, as análises técnicas e opiniões que exponho são ouvidas por todos e levadas em consideração em grande parte dos projetos que executo.”

A desigualdade de gênero é mais uma barreira a ser vencida. No mundo todo, inovações como a robótica vão mexer de forma irreversível com o mercado, criando desafios, oportunidades e novas profissões. Cabe ao Brasil surfar nessa onda para engrenar na construção de uma indústria globalmente competitiva.

 

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