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Mulheres no Agronegócio: elas se profissionalizam, inovam e se destacam no setor

- 28 de março de 2018
Nos últimos quatro anos a participação feminina nos cargos de gestão e comando do agronegócio triplicou, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA).

Crédito imagem: Unsplash

 

O agronegócio é um dos setores mais importantes da economia brasileira, tido como responsável pelo crescimento do PIB brasileiro em 2017. É também uma área tradicionalmente masculina, mas isso parece estar com os dias contados. Em apenas quatro anos a participação feminina nos cargos de gestão e comando do agronegócio triplicou, indo de 10% em 2013 e a 31% em 2017 (chegando a 42% considerando apenas as grandes propriedades), segundo pesquisa da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA).

Para Kellen Severo, jornalista especializada no segmento e apresentadora do Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, uma característica comum ao grupo é a busca constante pela inovação e pelo aperfeiçoamento. “O agro ainda é um segmento muito masculino, mais de 65% da população ocupada no setor é formada por homens. As mulheres já entenderam que para fazer a diferença num segmento onde ainda são minoria precisam estar bem preparadas. É isso que nós mulheres estamos fazendo: nos profissionalizando cada vez mais”, explica ela, que acrescenta: “as mulheres de sucesso são pioneiras, atrevidas, buscam aquilo que ainda não foi feito”.

Essa percepção foi confirmada pela pesquisa “Todas as Mulheres do Agronegócio”, realizada em 2017 pela ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio). Entrevistando profissionais de todas as regiões do Brasil, a pesquisa aponta que 55,5% das mulheres se sentem totalmente preparadas para o trabalho que realizam, o que é visto pela ABAG como positivo, pois é um sinal da constante busca por melhores métodos e resultados.

É o caso de Carmen Perez, que há 17 anos comanda uma fazenda de 4 mil hectares em Barra do Garça (MT). Ela, assim como muitas mulheres do agronegócio, começou no campo porque a propriedade era da família – no caso, de seu avô. Apaixonada pela natureza, pediu a chance de tocar a fazenda quando o avô ficou doente e a família pensou em vender a propriedade. “Quando cheguei lá, tive certeza que era o que eu queria para minha vida”, conta Carmen.

Por não ter formação acadêmica, ela enfrentou grandes desafios. “Eu saía todo dia a cavalo e explorava cada pedaço da terra. Contratei ótimos profissionais até o negócio tomar forma”, relembra ela, que também é presidente do Núcleo Feminino do Agronegócio, grupo formado em 2009. Quando Carmen começou, a fazenda era de pecuária extensiva (isto é, de gado solto, sem grandes investimentos). Já hoje são 2.890 animais criados com técnicas de ponta e vendidos após o desmame. Em 2011 a gestora também resolveu investir na seringueira e plantou quase 150 mil pés da cultura, que ainda não atingiu a idade para a produção de látex. O objetivo é aquecer o mercado interno, já que o Brasil majoritariamente importa o produto de países asiáticos.

Em sua fazenda, a pecuarista fez parcerias com especialistas brasileiros e internacionais para implementar técnicas de bem-estar animal, que garantem melhor qualidade de vida e consequentemente valoriza o animal criado ali. Junto a uma empresa francesa, por exemplo, ela aboliu a marcação a fogo no gado, substituindo-a por um brinco eletrônico. “Além disso, introduzi modelos de gestão e percebi que era necessário olhar para as pessoas que moram nessas fazendas”, garante. “Há muito preconceito em relação às pessoas do campo, como se fossem ignorantes e sem informação, mas as coisas mudaram muito. Nós oferecemos treinamentos aos funcionários e a toda sua família, porque entendemos que ao contratar um profissional no campo, na verdade contratamos toda uma família”.

Quem são as mulheres do agro

E casos como os de Carmen são cada vez mais comuns. Da mostra da pesquisa “Todas as mulheres do agronegócio”, 59,1% das mulheres são proprietárias de uma propriedade rural e cerca de 54% moram na cidade. Em sua maioria, elas também se preocupam com a família e esperam que os filhos deem continuidade aos negócios no campo.

Em relação às atividades realizadas, a participação das mulheres cresceu em toda a cadeia produtiva, mas funções como manusear máquinas agrícolas, capinar e dirigir caminhões ainda são entendidas por elas como atividades mais masculinas. O que as mulheres querem é administrar.

Na opinião de Carmen Perez, a mulher tem um olhar mais global sobre o negócio, talvez por essa constante vontade de melhorar e entender o todo. “Assim como os homens, a mulher quer resultados, mas acho que olhamos para isso de uma maneira diferente. Nos preocupamos com os bichos, com as pessoas, pensamos em 360 graus”, acredita ela.

Kellen Severo concorda. Para ela, o detalhamento e o trabalho intelectual são diferenciais das mulheres no campo, até para se provar em um meio ainda muito masculino. “As mulheres acabam se esforçando mais para provar o valor que têm e assegurar as posições que buscam ou que já conquistaram. Muitas vezes ela é olhada com desconfiança e precisa quebrar essa primeira barreira”. Mas uma coisa é fato: a inserção feminina no agronegócio só tem um caminho: para frente. “Somos tendência em todos os segmentos de agro porque as mulheres eram uma demanda reprimida. Hoje nos colocamos mais e entendemos o papel que temos. Queremos fazer a diferença”, completa.

 

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