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“Nada supera essa energia humana, essa vibração por trás dos negócios sociais!”

- 26 de abril de 2018
Adriana (em primeiro plano) coleta guardas-chuvas descartados para usar o nylon em peças da Revoada

 

A empolgação transparece de forma cristalina na fala acelerada e emotiva de Adriana Tubino. A empreendedora gaúcha é sócia-fundadora da Revoada, startup que transforma câmaras de pneu descartadas e nylon de guardas-chuvas velhos em matéria-prima para acessórios de moda e representa o Brasil na quarta edição do The Venture, o principal campeonato de empreendedorismo social do planeta.

Há seis meses morando em São Paulo (por motivos pessoais e também como parte da estratégia de expansão da empresa), Adriana vem se dedicando diariamente a aulas de conversação em inglês, uma forma de arredondar ainda mais o seu pitch para a final do The Venture, em maio, na Holanda.

Em Amsterdã, além de disputar um lugar na final e a fatia mais gorda do fundo de US$ 1 milhão do The Venture, ela reencontrará os outros 26 finalistas, com quem conviveu intensamente em março, durante a Semana de Aceleração realizada no Skoll Centre for Social Entrepreneurship, o centro de empreendedorismo social da Universidade de Oxford, na Inglaterra.

Na entrevista, abaixo, ela conta que foi um período de grande aprendizado e de formação de novas amizades. Confira!

Como foi a Semana de Aceleração em Oxford?

Foi sensacional…! Chivas preparou uma programação muito bacana, intensiva, com uma vivência entre os 27 empreendedores vencedores de cada país – o que por si só já tinha o enorme valor de você poder conhecer negócios sociais que estão resolvendo outras questões do mundo. Nós assistíamos às aulas juntos e depois tivemos sessões de coach separadamente, pensadas para cada negócio.

E a convivência com os outros empreendedores?

Acontece uma coisa fenomenal nos negócios sociais: a concorrência, se existe um pedacinho dela no ar, ela some em uma hora reunindo essas pessoas, porque a curiosidade e o brilho de querer conhecer cada um o negócio do outro são muito maiores…! No fim dos sete dias, as pessoas estavam torcendo verdadeiramente umas pelas outras: ‘quero te ver lá na final, vamos trocar ideias, como eu posso te ajudar?’ Temos um grupo de WhatsApp que não para, todo mundo conversando…

Teve algum negócio que te chamou mais atenção? Ou algum empreendedor com quem você teve mais contato?

Tive uma conversa muito boa com uma japonesa [Chizu Nakamoto, da startup Ricci Everyday] que faz acessórios de moda com o trabalho de costureiras de Uganda, ela mora seis meses na África e seis meses no Japão. Foi interessantíssimo trocar com ela porque temos negócios parecidos, os desafios em grande parte são os mesmos, e ao mesmo tempo as realidades influenciam os tipos de solução…

As soluções dela são completamente diferentes, muito mais… exatas, em um nível mais estruturado, e menos de experimentação, enquanto que as nossas são mais de testa-e-erra. Então às vezes nos falta um pouco dessa estruturação dela, e para ela talvez falte um pouco dessa ousadia que é muito brasileira, a gente é curioso pra caramba, o japonês já não tem tanto esse espírito, é mais cauteloso… Foi muito interessantes para nós duas, ficamos muito felizes de trocar experiências.

Conversei muito com uma portuguesa [Diana Nunes, da Code for All] que empodera desempregados para trabalhar como programadores. Fiquei muito amiga de um sul-africano [Clement Mokoenene, da Vehicle Energy Harvesting System] que desenvolveu um sistema que fica instalado sob o asfalto e gera energia quando os carros passam. Ele é um dos que me dizem: “Adriana, quero te ver no palco entre os cinco finalistas.” E ele é meu concorrente! Esse é o espírito do The Venture.

Fiz amigos, sem sombra de dúvida. Amigos com quem vou poder trocar ao longo dessa jornada de empreendedorismo. [ela se emociona, os olhos marejados].

Das aulas a que vocês assistiram em Oxford, qual foi a mais marcante?

Todas marcaram bastante, realmente fizeram diferença. Mas uma aula para qual eu tinha bastante expectativa, e que se confirmou, era sobre medição de impacto. Na Revoada, usamos Fluxonomia 4d, uma métrica de impacto que nasceu no Brasil. E foi muito interessante chegar lá e ver outras métricas, algumas que já conhecia também, como a Teoria da Mudança, e outras tantas que nunca tinha escutado…

Basicamente mudou a minha perspectiva sobre medição de impacto. Foi ‘só isso’ que aconteceu. Porque eu estava partindo de um ponto e eles levantaram um outro ângulo de visão, que começa no “porquê” de estar medindo esse impacto, e não no “como” você vai medir esse impacto. E se a gente começa a entender pelo porquê, podemos chegar muito mais facilmente nas próximas respostas.

Todos os professores entendiam muito do que estavam falando. A aula de finanças foi maravilhosa, a aula de redes sociais, com uma pessoa do próprio time de redes de Chivas, foi ótima… Quando olhamos para as nossas redes é muito diferente do olhar de alguém que estuda profundamente o tema e vê outras potencialidades, outros usos que a gente nem está percebendo…

A jornada finalizou com o coaching, com consultores que vinham nos acompanhando por e-mail. Tivemos três sessões de uma hora: coaching executivo, de due diligence e uma sessão para aprimorar o pitch, para a final em Amsterdã. O consultor era um verdadeiro showman, daqueles que elevam o teu pitch prum nível acima, ensinam a engajar a plateia, transmitir uma ideia única. Foi superrico pra mim!

Para você, qual foi o grande legado ou epifania dessa semana em Oxford?

Tem uma coisa que realmente me impressiona, sempre: sentir a rede colaborativa acontecendo dentro dos negócios sociais. É algo que me emociona muito, é real, não é teórico.

Conhecer 26 pessoas de 26 países diferentes do meu e ver que existe um interesse genuíno de troca, de ajuda, de criação de rede, onde cada um diz, verdadeiramente: “me procura se eu puder te ajudar, me procura quando estiver no meu país, vamos fazer alguma coisa juntos?”

E perceber que essas portas realmente ficaram abertas: 26 portas de 26 países, pessoas para quem eu abri também essa porta no Brasil, para que elas viessem para cá, para que interagissem com a Revoada…

Eu trouxe esse feedback para Chivas, da preciosidade que isso tem, e acho que Chivas entende cada vez mais a importância desse momento. Isso vai muito além de investir em um, dois ou três empreendedores… Chivas está investindo na rede do empreendedorismo de impacto mundial, e isso não tem preço!

E para mim, era uma realidade ainda brasileira. Eu não tinha interagido com a rede mundial a não ser virtualmente. Poder acessar essa rede mundial pessoalmente foi muito forte. Acho que nada supera essa energia humana, de poder sentir a vibração das pessoas, a humanidade das pessoas que está por trás dos negócios sociais!

 

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