"Não quero ser só uma empresa que aluga bikes elétricas. Quero ser uma empresa que faça o bem" | Sebrae | Projeto Draft


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“Não quero ser só uma empresa que aluga bikes elétricas. Quero ser uma empresa que faça o bem”

- 19 de julho de 2018
Gabriel Arcon, da E-moving: de seis bicicletas, a startup chegou a uma frota de 400 - e hoje produz modelos para venda

Tudo começou com um problema de deslocamento. Quatro anos atrás, o administrador de empresas Gabriel Arcon, 35 anos, percorria os cinco quilômetros entre sua casa e o escritório em 50 minutos. Não raro, porém, ele demorava até 90 minutos no trajeto. “Puxado”, como diz a gíria paulistana.

A percepção de perder todo esse tempo no trânsito incomodava bastante. Tanto que Gabriel decidiu “ressuscitar” uma velha bicicleta e começou a fazer o percurso (agora em apenas 25 minutos!) pedalando. O problema passou a ser o estado em que chegava no trabalho: encharcado de suor.

“Certo dia, eu fiz um test drive em uma bike elétrica e percebi que ela poderia resolver meu problema. Então, comprei uma. O pessoal do escritório a testou e também se apaixonou. Eu pensei que aquilo era o futuro e chamei um amigo para desenhar o plano de negócio da E-moving.”

Gabriel falou sobre sua empresa e trajetória em entrevista ao Sebraecast conduzida por Adriano Silva, publisher do Projeto Draft. O amigo era o hoje sócio Kléber Piedade. E o raciocínio que embasou a gênese do negócio partia de um retrato triste da mobilidade urbana no Brasil.

Em média, os brasileiros que moram nas capitais passam duas horas e meia por dia no trânsito. Em São Paulo, que abriga a sede da E-moving, os percursos costumam ser de aproximadamente 7,8 km de distância. “Com uma bike elétrica você faz 7 quilômetros em 20 minutos”, afirma Gabriel.

O CEO da E-moving fez o arco clássico do empreendimento: identificou um problema que afetava a vida de outras pessoas e projetou uma solução. No caso, um serviço de aluguel de bicicletas elétricas para quem precisa fazer diariamente o trajeto de ida-e-volta para o escritório ou a faculdade, com valores que “cabem no bolso” (e, segundo Gabriel, ficam abaixo do gasto que o cliente teria com estacionamento e gasolina).

O impacto de devolver tempo para o cliente é algo tão poderoso na E-moving, que ajuda os sócios até na contratação do time. “Tenho diversos funcionários que estão comigo por compartilhar esse sonho e por acreditarem que a gente vai ter um longo caminho pela frente.”

Entretanto, a parceria no sonho não tira do CEO o dilema de todo empreendedor: delegar ou não delegar, eis a questão.

“Claro que nem sempre a pessoa que atende o telefone na loja o faz como eu. Por isso, estou presente e dou coaching e feedbacks constantes para quem está com a gente”, diz Gabriel. “Muitas vezes, é difícil dar feedback negativo, mas é preciso. Para o empreendedor fazer com que o negócio cresça é preciso haver um choque de realidade.”

A empresa começou com seis bicicletas. Os sócios injetaram capital próprio e elevaram o número para trinta. Ganharam tração, decidiram captar uma primeira rodada de investimento-anjo e cresceram a frota para 120 bikes. Munidos de indicadores de que o negócio poderia evoluir muito bem, eles fizeram nova rodada de captação e chegaram a 400 bicicletas.

Ainda assim, havia clientes que preferiam comprar sua própria bike elétrica. É por isso que hoje, além do serviço de aluguel, a E-moving produz modelos para venda e atende o varejo com uma loja física. Gabriel crê que se tivesse feito esse movimento antes, sua empresa estaria em um patamar de maturidade ainda mais alto.

No início, o esforço de aculturamento necessário para convencer e cativar os clientes (como é comum em negócios inovadores) quase fez Gabriel desistir. O que o impediu? A persistência de acreditar no sonho, a certeza de que o vento eventualmente sopraria a favor – e o fato de sua família ter “comprado” a ideia.

“Eu digo para diversas pessoas que estão começando: ‘Você é casado? Sua esposa está comprando essa ideia? Ela é sua sócia nesse negócio. Você vai ficar um tempão sem botar dinheiro na mesa de casa. Você tem uma reserva para conseguir sobreviver durante alguns anos?”

A E-moving mira hoje o mercado corporativo. Gabriel explica que as empresas começaram a se preocupar em reduzir copos plásticos, uso de papel e emissões o de gases na atmosfera. Logo, a tendência é que se conscientizem também sobre o problema da mobilidade urbana:

“Se o colaborador mora a oito quilômetros do trabalho e tem disposição, por que a empresa não dá o subsídio para uma bike elétrica, em vez de vaga no estacionamento?”

A ebulição do mercado (que, segundo Gabriel, poderia absorver 30 mil unidades) e a vontade de tornar o sonho ainda maior faz com que todo dia seja encarado na E-moving como se fosse o primeiro.

“Não quero ser uma empresa que apenas aluga bicicleta elétrica. Quero ser uma empresa que faça o bem, efetivamente, para as pessoas. Que impacte a vida delas”, diz, entusiasmado.

A paixão do empreendedor por seu negócio transpareceu de forma ainda mais clara em dois momentos da gravação para o Sebraecast. No início, ao notar o tamanho do estúdio de TV onde a entrevista foi realizada, Gabriel sugeriu de entrar guiando sua bicicleta.

Perto do fim do bate-papo, ao ser abordado sobre as dificuldades de se botar uma empresa para rodar, ele não conseguiu definir qual seria o pior momento de sua rotina de empreendedor, provocando o comentário espantado do entrevistador (e a gargalhada da equipe técnica): “O cara não tem um minuto de infelicidade no dia, isso é inacreditável!”

A resposta de Gabriel traduz a serenidade de quem sabe que está no caminho certo: Quando a gente faz o que acredita de fato, não tem mesmo…”

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Sebraecast apresenta uma série de entrevistas com empreendedores sobre startups, negócios criativos, negócios sociais, inovação corporativa e lifehacking. Confira a websérie em youtube.com/sebrae e o podcast em soundcloud.com/sebrae!

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