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Nascido na Artemisia, o Movimento Choice lucra ao formar jovens dispostos a mudar o mundo

- 30 de julho de 2018
Da esquerda para a direita, os embaixadores Choice que toparam criar uma nova versão do movimento: Rômulo Vieira, Bebeto Zscaber, Patricia Siqueira Santos, Lucas Bernar e Welson Alves Barbosa.

No Movimento Choice saber a hora de se distanciar da causa para passá-la adiante tornou-se praticamente a causa em si do negócio. É que o projeto, criado em 2011 pela Artemisia (uma das principais aceleradoras de negócios sociais do país), passou por muitas transformações nos últimos anos até virar, no ano passado, uma organização independente, com fins lucrativos. Tudo para continuar como um programas de formação educacional de jovens engajados na disseminação do conceito de que, entre ganhar dinheiro e mudar o mundo, é possível “ficar com os dois”.

Embora possa parecer, o Choice não funciona como uma incubadora ou aceleradora com o propósito de criar empresas. Efetivamente, ele é uma organização que incentiva o desenvolvimento pessoal e profissional de jovens em programas de liderança. No modelo original da Artemisia, selecionava embaixadores voluntários dentro das universidades para uma imersão de três meses, nos quais eles eram os responsáveis por organizar um conteúdo educacional que disseminasse a ideia central de impacto social.

Ao longo de cinco anos, mais de 800 jovens em 23 estados brasileiros foram embaixadores do Choice e mobilizaram quase 100 mil pessoas em palestras e workshops sobre liderança dentro de universidades. Em 2016, porém, a Artemisia achou que era a hora de “passar a bola”, e propôs à rede de embaixadores que criasse um novo Choice — que passaria a ter fins lucrativos. Patricia Siqueira Santos, Rômulo Vieira, Lucas Bernar, Bebeto Zscaber e Welson Alves Barbosa toparam o desafio e com o investimento de 100 mil reais da aceleradora iniciaram uma nova jornada.

Durante um ano, trabalharam no desenvolvimento da spin off com o acompanhamento da Artemisia, que fez dois pedidos importantes ao grupo: que mantivesse o programa original de embaixadores e honrasse o legado do movimento. “Sempre tive uma inquietação ligada à vontade de empreender e de resolver problemas da desigualdade social”, conta a jornalista Patricia, embaixadora do programa em 2014, quando estudava na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). “Com o Choice, foi como se tivesse encontrado minha tribo, outras 40 pessoas ‘malucas’ que também queriam mudar o mundo.”

UMA NOVA VERSÃO DO PROGRAMA: MAIS AMPLA E COM LUCRO ENVOLVIDO

O resultado foi a criação do que eles chamaram de Choice 2.0, um programa repensado com o objetivo de reunir jovens para criar projetos que trouxessem soluções para desafios globais (fome zero e agricultura sustentável, saúde e bem-estar, educação de qualidade, igualdade de gênero, saneamento, energia limpa, trabalho decente e comunidades sustentáveis).

Na primeira etapa do programa de embaixadores Choice 2.0, os participantes fizeram uma imersão para entender melhor seus propósitos e os princípios do empreendedorismo social.

Primeiro, ampliaram o perfil dos participantes, que não precisam mais ser estudantes universitários, basta ter entre 18 e 30 anos. Também mudaram o modelo do programa. Agora, ele dura seis semanas, durante os quais os jovens passam por um processo de imersão para entender seu propósito e formar times para trabalhar em um desafio e entender a missão a fundo (inclusive indo a campo quando necessário) e, no fim, apresentam a solução à uma banca de especialistas em projetos de impacto social.

É uma experiência mais “mão na massa”, embora não signifique necessariamente que eles vão, depois, colocar o projeto em prática. O objetivo principal continua sendo guiá-los no processo de desenvolvimento para construir uma carreira na área. Por último, a mudança talvez mais ousada: passaram a cobrar uma taxa de inscrição de 300 reais para arcar com os custos das etapas presenciais do programa, como materiais, coffee break e local de realização dos encontros. O pagamento dos sócios vem de patrocínios e parcerias com outras instituições.

A decisão não foi fácil e passou por um processo que eles gostam de chamar de “idealismo pragmático”. Patrícia fala mais a respeito: “Tivemos que aprender a como de fato unir lucro e propósito, principalmente trabalhando com educação, que vem com o desafio muito grande da precificação”. E continua, questionando-se:

“Sabemos que entregamos algo com valor. As pessoas dizem: ‘Isso mudou minha vida’. Mas como cobrar por algo que queremos tornar acessível a todos?”

Com o idealismo pragmático, eles partiram do pressuposto de que é importante sonhar grande, mas precisam fazer acontecer, então, contam que tiveram que “sair do coração” e tomar a decisão de precificar o próprio trabalho.

 

Além do programa de embaixadores, o Choice criou a experiência ChangeMaker, um “intensivão” de dois dias para possibilitar uma vivência de inovação social na prática.

Para isso, passaram por outro desafio, o de se conhecer e de entender que existem necessidades que só conseguem ser atendidas por políticas públicas ou ONGs. Já outras, sim, podem ser supridas por negócios do setor privado. “Passamos por dois processos, o de nos entendermos em um ‘casamento’ esquizofrênico de seis pessoas de estados e contextos de vida completamente diferentes e o de criar esse novo Choice”, conta Welson. Parte disso foi compreender a importância de colocar em prática aquilo que disseminam. Ele completa:

“Nós temos muito cuidado com o que falamos, porque o empreendedorismo social não é um ‘larga tudo e vai empreender, o mundo é belo’, tem muita batalha no meio”

Além do programa 2.0, que formou mais 200 embaixadores até o momento, o Choice criou novas frentes de mercado, apostando em outras experiências como o ChangeMaker. O “intensivão” de dois dias foi pensado para possibilitar uma vivência de empreendedorismo social na prática, estimulando o inovador social que existe dentro de cada um e dando a ele as ferramentas necessárias para trazê-lo à tona. A primeira edição foi em junho e a próxima será no fim de semana de 18 de agosto, em São Paulo.

QUANDO É PRECISO REPENSAR A PRÓPRIA TRAJETÓRIA

Mas, depois de dois anos de novo Choice, chegou a hora de repensar o modelo. Recentemente, Patricia, Rômulo e Bebeto, que não ficavam baseados em São Paulo, decidiram sair de cena para centralizar o movimento e melhorar o fluxo de trabalho. “Nós sentimos que encerramos um ciclo bem-sucedido, fizemos todas as entregas a que nos propomos, mas é hora de ter menos vozes querendo coisas diferentes para fazer o movimento continuar”, diz Patricia.

Tudo isso numa boa: agora, os três ficam em stand by em suas regiões para colaborar em projetos locais no futuro. Enquanto isso, os sócios que continuam na jornada pensam em novos rumos para o Choice, como fala Welson, que também chegou a se questionar se deveria sair:

“Acho errada a visão de que tudo tem que ser perene e durar para sempre. Às vezes, as coisas precisam morrer para outras surgirem”

Mas ele e Lucas acreditam que ainda “há muita lenha para queimar no Choice”. Eles pensam em duas possibilidades. Uma é transformar o negócio em um laboratório que apoie jovens a desenvolverem suas ideias e também abrir o movimento para outras plataformas e hubs conectarem seus projetos. A outra é que se, para mantê-lo vivo, tiverem que abrir mão do projeto ou mesmo voltar a transformá-lo em uma associação ou em uma ONG, tudo bem. “Nós sabemos que somos só soldadinhos de uma causa maior que a nossa e o Choice vai continuar independente de nós”, diz Welson. E talvez, justamente por ser um movimento, a renovação e a transformação sejam a alma do negócio!

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  • Projeto: Movimento Choice
  • O que faz: Programas de educação empreendedora voltados à inovação social.
  • Sócio(s): Welson Alves e Lucas Bernar
  • Funcionários: 2 (os sócios)
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2011 (como programa da Artemisia) e 2017 (como organização independente)
  • Investimento inicial: R$ 100.000
  • Faturamento: 200 embaixadores formados até o momento
  • Contato: choice@movimentochoice.com
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