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“No começo eu colocava as sapatilhas no porta malas do carro e ia até minhas clientes”

- 29 de outubro de 2019
Renata precisou recorrer a uma fonte de renda extra para ajudar o marido em um momento de dificuldade financeira. E seu negócio se tornou um sucesso.

 

Fonoaudióloga de formação, Renata Marcolino dividia seus dias entre o atendimento no Ambulatório da Criança de Guarulhos, e sua clínica de aparelhos auditivos. Com dívidas acumuladas, ela precisou recorrer a uma fonte de renda extra para ajudar o marido em um momento de dificuldade financeira. Assim, para saldar a dívida da família experimentou comercializar calçados. O negócio evoluiu e nasceu a Mil e Uma Sapatilhas, que recentemente fechou uma parceria com a Disney Brasil e se tornou a primeira empresa focada na classe emergente com produtos da marca responsável pelo Mickey e Minnie e espera um faturamento de R$ 30 milhões somente com a comercialização da nova coleção.
Batemos um papo com a Renata para conhecer mais de sua história.

Como nasceu a Mil e uma Sapatilhas?

A Mil e Uma Sapatilhas surgiu da necessidade, não é uma daquelas histórias bonitas, de uma empresa nascida de um sonho de infância. Eu trabalhava como fonoaudióloga e meu marido, Arthur, trabalhava com a família dele uma loja de móveis de escritório. Em 2015, com toda a crise que o Brasil estava passando, o setor estava paralisado porque as pessoas não abriam muitos escritórios e nem trocavam os móveis, e nós tínhamos que dar um jeito de pagar as contas da casa que estavam atrasadas. Um dia comentei com o Arthur que gostava muito de sapatilhas e que era difícil encontrar opções boas e baratas no mercado. Brinquei que se nós montássemos um negócio de sapatilhas com boa qualidade e preço, iriamos ficar ricos. Com essa ideia na cabeça comprei alguns pares para revender para as amigas e pessoas próximas com a ajuda da minha sogra. No começo vendia as sapatilhas com meu carro. Colocava a mercadoria no porta malas e ia até minhas clientes. Me lembro de um episódio que meu marido foi participar de um evento de competição esportiva, aproveitei a ocasião e ofereci meus produtos para as esposas dos competidores. Notei que os calçados atraíram as consumidoras e foi um sucesso. Vendi 30 sapatilhas naquele dia.

Depois dessa experiência, foram dois meses de venda porta em porta e mais de mil calçados comercializados. Percebi que o produto era democrático e imune à crise financeira – alguns modelos custam apenas R$ 40. Logo surgiu a ideia de investir em um ponto físico, mas não desisti da revenda que estava dando um bom retorno. Foquei no negócio de sapatilhas e conciliei com a minha carreira como fonoaudióloga. Em 2015 abrimos a primeira unidade da Mil e Uma Sapatilhas em São Paulo e já contava com 13 revendedoras.

Como funciona a empresa?

A Mil e Uma Sapatilhas nasceu como uma loja de varejo e atacado de calçados populares, especialmente sapatilhas. Como atacado, oferecemos a possibilidade para que as pessoas revendam pelo preço que acharem mais justo e este modelo de negócio é importante pois cria oportunidade para quem busca uma nova renda.Outra estratégia adotada é contar com novos modelos todas as semanas.

Como é a sua atuação na empresa?

Atualmente, eu e meu marido fazemos a gestão compartilhada. Sou a responsável pela área de marketing e produto e o Arthur cuida da expansão e da área comercial.

Como foi no início? 

Começamos sem grandes ambições. A minha principal meta quando comecei com a revenda e abri a primeira loja era que o lucro que obtido fosse suficiente para pagar a prestação da minha casa. Então, o sucesso nos surpreendeu, foi muito mais do que a gente esperava. Mas o início não foi nada fácil, principalmente por causa da falta de experiência. Eu tinha um pouco de conhecimento com vendas, mas especificamente na área médica, nunca tinha trabalhado no varejo de moda e de fast fashion. Foi uma coisa muito nova e diferente. Precisei buscar ajuda em consultoria especializada e estudar muito para entender o mercado.

Qual foi a sua maior conquista até aqui?

Depois de quatro anos no mercado, conseguimos um importante título no segmento do varejo: somos a única representante com foco na classe emergente da Disney Brasil. Jamais imaginei que a minha atitude de vender sapatilhas de porta em porta para contribuir com as despesas financeiras pudesse tomar uma proporção tão grande. Ser a primeira do segmento de sapatilhas populares a conseguir uma parceria com a Disney e poder oferecer para as nossas clientes uma opção de calçado mais em conta e com a temática dos personagens da marca é motivo de muita alegria.

Outra conquista muito importante para nós é que através da nossa empresa conseguimos contribuir com a geração de empregos. São mais de 300 funcionários diretos, isso sem contar nos indiretos, que ajudam a movimentar a região de Jaú, além dos colaboradores das lojas que estão espalhadas pelo Brasil e das mais de 25 mil revendedoras cadastradas.

Qual é o seu sonho?

“É conquistar, avançar mais, levar a Mil e Uma Sapatilhas para outros países e ser reconhecida em todo o mundo. Mas mais do que isso é permitir que as pessoas sejam impactadas positivamente com o nosso negócio e que não cresçamos sozinhos. Nossa empresa foi criada com esse intuito, de todos avançarem juntos”

Se pudesse voltar no tempo e refazer uma decisão, corrigir algum momento de sua trajetória, o que seria?

Todos os momentos e todas as decisões, boas ou ruins, fizeram a gente chegar até aqui. Não tem um momento que eu gostaria de apagar da nossa história. Eu entendo que por pior que o momento tenha sido, ele me ensinou a evoluir, a me tornar melhor. Todo mundo sabe que a vida vai ficando mais complexa, eu acredito que para conquistar o mundo, precisamos ter uma base sólida, todas as dificuldades que atravessamos nos preparam para crescer.

Se pudesse dar apenas uma dica para quem está querendo empreender, qual seria?

Muitas pessoas acham que para empreender é necessário mudar radicalmente a vida e começar um negócio do zero. Não necessariamente, eu não fiz isso. Continuei trabalhando como fonoaudióloga durante muito tempo, em paralelo à revenda de sapatilhas e depois com a loja. Fui conquistando, me especializando e aprendendo. Quem quer empreender tem que ter coragem, não adianta esperar as coisas caírem do céu, é preciso lutar. O processo de empreender é uma longa batalha e envolve nosso engajamento. É preciso trabalhar duro e correr atrás todos os dias, além de abrir mão de muitas coisas em prol do seu negócio. Não é tão simples, mas vale a pena. Resumindo, quem quer ser empreender tem que ter coragem e garra para buscar o que quer. Mas é possível fazer isso aos poucos e tudo no seu tempo.

Quais seus planos para o futuro?  

Planejamos comercializar mais de 1 milhão de calçados da coleção até o final do ano e lançar periodicamente novos modelos até o começo de 2020. A longo prazo queremos consolidar a marca como referência em sapatilhas no Brasil e na América Latina. Hoje temos mais de 150 unidades, e começamos nosso plano de internacionalização. Já abrimos nossa primeira loja na Colômbia e a meta é inaugurar mais 10 lojas fora do país em até dois anos.

 

Para saber mais:

Mil e uma Sapatilhas (site): www.mileumasapatilhas.com.br

O que faz: Rede de franquias especializada na comercialização de sapatilhas populares

Sócios: Renata Marcolino e Arthur Marcolino

Funcionários: 800 funcionários entre lojas e fábrica.

Sede: Rua Icem 27- Tatuapé – São Paulo – SP

Início das atividades: 2015

Contato: [email protected]

Esta matéria  pode ser encontrada no Itaú Mulher Empreendedora, uma plataforma feita para mulheres que acreditam nos seus sonhos. Não deixe de conferir (e se inspirar)!

 

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