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Noocity: uma startup que facilita a vida de quem quer ter uma horta na cidade mas não sabe como começar

- 26 de outubro de 2015
José Ruivo, um dos sócios da Noocity, confere a produção numa Growbed (como são chamadas as jardineiras) da empresa.

Rafael Loschiavo, 31, é arquiteto, mas o seu dia a dia é bem parecido com o de um agrônomo ou agricultor, já que termos como cultivo, regas, adubos e fertilizantes são tão comuns em seu vocabulário. Não é para menos: ele é um dos sócios da Noocity, uma startup que desenvolve e vende equipamentos para hortas urbanas como forma de contribuir para uma sociedade mais consciente e autônoma no que se refere à produção de alimentos. O radical “Noos” vem da palavra em grego para “razão” ou “consciência” e também o conceito de “noosfera”, termo cunhado nos anos 1970 e que remete ao poder do homem mudar a biosfera.

A empresa está no Brasil desde fevereiro de 2015, tendo sido lançada em Portugal meses antes, em setembro de 2014. Mas a aproximação de Rafael com o tema vem ainda antes do surgimento da Noocity. Formado pela Faap (Fundação Armando Álvares Penteado), em São Paulo, ele foi para Barcelona fazer mestrado em arquitetura bioclimática e, lá, começou a participar de projetos ligados à sustentabilidade e a estudar temas como automação e placas solares.

De volta ao Brasil, conheceu e morou um tempo na ecovila Tibá, no Rio de Janeiro, onde continuou sua imersão em elementos ligados a uma arquitetura mais integrada à natureza. Com essa bagagem, sentiu que precisava disseminar o que estava absorvendo e criou o portal Ecoeficientes, um misto de escritório, loja online e plataforma de conteúdo relacionado à arquitetura sustentável.

Rafael Loschiavo, sócio da Noocity, desenvolveu um portal de arquitetura e sustentabilidade antes de empreender na startup.

Rafael Loschiavo, sócio da Noocity, apresenta a startup no evento Demand Solutions, em Washington, nos EUA.

Nessa época, as primeiras ideias de produtos voltados à agricultura já rondavam o pensamento dele de seu amigo e sócio Pedro Monteiro, 29. Os dois levaram cerca de quatro anos de planejamento e criação do que hoje se tornou a Growbed, principal produto comercializado pela Noocity, que é semelhante à tradicional jardineira, tão comum em jardins e hortas caseiras, mas com detalhes tecnológicos que fazem a terra precisar de menos água.

Rafael conta que Pedro também morou no Tibá e, lá, os dois começaram a pensar em como trazer para a cidade o que tinham aprendido sobre Permacultura. “Durante esse tempo, o Pedro acabou indo morar em Portugal e lá, junto com nosso outro sócio, o José Ruivo (39), além do Samuel Rodrigues, passaram a desenvolver e a comercializar as Growbeds. Aqui do Brasil, eu já estava tocando o Ecoeficientes e continuamos mantendo contato”, diz Rafael.

No Brasil, a sede Noocity fica em um escritório na Vila Madalena, em São Paulo. Num terreno pequeno, o espaço que lembra mais o quintal de uma casa, cercado de jardineiras e peças de equipamentos da empresa. Há um pequeno escritório com janelas grandes, no meio do terreno, com vista para o quintal e uma árvore grande, sob cuja sombra fica uma mesa grande e com cadeiras. O espaço serve como escritório e showroom da Noocity e só se tornou possível graças a uma campanha de crowdfunding na plataforma Indiegogo, realizada em fevereiro, e que arrecadou mais de 200% do valor desejado. A Noocity Brasil conseguiu cerca de 70 mil euros, que deram aos sócios a oportunidade de alavancar a produção e permitir que aos produtos fossem exportados para 20 países.

UMA HORTA QUE NÃO PRECISA SER REGADA TODO DIA

O “segredo” do equipamento desenvolvido pela Noocity está na praticidade (tudo é leve e fácil de montar) e também na economia: com a Growbed é possível produzir até 50% mais alimentos, consumindo 80% menos água do que em uma horta convencional. Isso porque cada peça conta com um tubo de alimentação que permite que a água seja escoada aos poucos através de tubos de capilaridade – o que faz com que não seja necessário regar a horta todos os dias. O equipamento também conta com um espaço para a oxigenação das raízes e um reservatório para recolher a água da chuva. Neste vídeo é possível ver como a tecnologia criada pela Noocity funciona.

O restaurante Pedro Lemos, em Lisboa, tem uma horta inteira montada com produtos da Noocity.

O restaurante Pedro Lemos, no Porto, tem uma horta inteira montada com produtos da Noocity.

Rafael e os três sócios participaram ativamente do desenvolvimento dos produtos, uma mistura do que eles trouxeram da universidade com o que aprenderam nas ecovilas. Além disso, desde o começo houve uma preocupação em oferecer algo competitivo para o mercado, como Rafael conta:

“Queríamos fazer o melhor produto. Pensamos em algo durável, capaz de ser produzido em escala industrial e que rompesse as principais barreiras que existem na agricultura urbana: tempo, espaço e conhecimento”

Ele conta que os produtos foram pensados para solucionar problemas comuns de quem até gostaria de ter uma horta em casa ou no condomínio, mas não o faz por uma série de motivos. “Partimos do princípio que as pessoas não têm tempo para se dedicar às suas hortas, não possuem muito espaço nos apartamentos e geralmente não sabem o quanto precisam jogar de água em cada planta. E trabalhamos para solucionar esses problemas”, diz Rafael.

No site são vendidas Growbeds de diferentes tamanhos, com preços que variam de 75 (a chamada Growpocket, uma jardineira que é fixada na parede) a 780 reais (a Growbed grande, com 1,25 metro de largura). Os clientes recebem o equipamento em uma caixa de papelão, com todas as peças e instruções de montagem. Até o momento, todo o faturamento das vendas é reinvestido na empresa.

Para quem quer adquirir as Growbeds mas não tem conhecimento sobre o que e como plantar, o site da Noocity tem algumas dicas de cultivo. No canal, é possível encontrar fichas técnicas de alguns alimentos e pôsteres que mostram informações básicas de cultivo e dicas sobre quais hortaliças podem (ou não) ser plantadas no mesmo recipiente. Leonor Babo, 31, outra sócia da empresa, é a responsável por criar a identidade visual dessas fichas, que incluem dados como aspectos nutritivos, épocas mais aconselháveis para o plantio e qual o ciclo de determinado alimento, entre outros. Como forma de incentivar a agricultura orgânica, ainda há informações sobre controle biológico, como o papel dos insetos e produção de fertilizantes naturais.

No site da Noocity há fichas, como esta, da Cebola, com dicas sobre o cultivo de alguns alimentos.

No site da Noocity há fichas, como esta, da Cebola, com dicas sobre o cultivo de alguns alimentos.

Nesses primeiros meses de operação, cerca de 1 000 Growbeds já foram vendidas no mundo, não apenas no Brasil mas também na Holanda, Canadá e Itália. Os principais clientes da empresa são hotéis, escolas (no site há um espaço dedicado a parcerias com escolas para que desenvolvam hortas pedagógicas, para ensinar os alunos sobre cultivo de alimentos), shoppings e, principalmente, restaurantes, como o Sal e o Brado, em São Paulo. Um dos orgulhos dos sócios é que o restaurante Pedro Lemos, do chef de mesmo nome e que fica na cidade do Porto, em Portugal, está no Guia Michelin e tem Growbeds da Noocity na sua laje.

RECONHECIMENTO INTERNACIONAL E O DESAFIO DO CRESCIMENTO

O trabalho dos quatro sócios que sonharam em tornar as hortas urbanas algo mais acessível graças à tecnologia tem alcançado reconhecimento. Recentemente, o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) reconheceu a Noocity como um das 15 startups mais ativas na atuação pela melhoria das cidades. Rafael esteve em Washington representando a empresa no início de outubro, no evento Demand Solutions – Ideas for Improving Lives, organizado pelo BID. Lá, participou de palestras e reuniões com empreendedores e governantes do mundo todo.

Agora, o momento é de buscar investidores para estruturar os próximos passos da empresa. “Queremos aumentar a nossa produção e a nossa equipe, e também temos a intenção de firmar parcerias com o governo, para desenvolvermos hortas comunitárias”, conta Rafael. Os planos para o futuro ainda incluem a criação e venda de uma composteira (para a qual será iniciada em breve uma nova campanha de financiamento), de um secador de alimentos e de equipamentos para armazenar água. Esses novos equipamentos ajudariam a cumprir o que Rafael diz ser o objetivo da empresa: fornecer um kit completo de agricultura urbana. É plantar para colher.

DRAFT CARD

Draft Card Logo
  • Projeto: Noocity Ecologia Urbana
  • O que faz: Equipamentos para estimular a produção de alimentos nas cidades
  • Sócio(s): Rafael Loschiavo Miranda, Pedro Monteiro, Leonor Babo e José Ruivo.
  • Funcionários: 5
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: setembro de 2014 em Portugal e janeiro de 2015 no Brasil
  • Investimento inicial: 70.000 euros (arrecadados por crowdfunding)
  • Faturamento: NI
  • Contato: noocitybrasil@gmail.com
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