SPONSORS:

O Brasil não vai acabar

- 21 de maio de 2015
Vinicius Apoena: "não somos diferentes dos outros povos e das outras sociedades pelos problemas que temos – mas sim pelo modo como os encaramos e superamos."
Vinicius Apoena: "não somos diferentes dos outros povos e das outras sociedades pelos problemas que temos – mas sim pelo modo como os encaramos e superamos."

 

Por Vinicius Apoena

 

Chegamos ao fundo do poço.

Vivemos uma corrupção institucionalizada, em proporções alarmantes.

O aparelhamento político do Estado brasileiro é uma realidade torpe.

Nossos políticos e gestores públicos estão entre os piores do mundo.

A inflação já estourou a meta.

O custo de vida está tornando a vida inviável nas grandes cidades brasileiras.

A dívida pública é a maior em muitos anos.

O mercado financeiro prevê retração da economia esse ano.

Os juros estão altíssimos.

O desemprego está aumentando.

A confiança dos empresários para investir e dos consumidores para comprar está baixíssima.

Não tem água.

Não tem infraestrutura.

Não tem segurança.

Não tem médicos.

Não há otimismo.

Não há saída.

O Brasil acabou.

Os pessimistas usam tudo isso que está descrito aí em cima, e que está longe de constituir uma inverdade, para achincalhar o país. Virou moda odiar o Brasil. Voltou à moda atirar lama na própria cara.

Ao seu redor, e ao meu, o coro ecoa um discurso único. E ele vem de gente que enche a boca para afirmar que vivemos num país de merda, que nunca superaremos o Terceiro Mundo, que o pior do Brasil é o brasileiro e que para essa terra não há saída que não seja o aeroporto internacional mais próximo.

Como publicitário e empresário, discordo frontalmente dessa abordagem.

A crise econômica no Brasil é um fato. Assim como é a crise política. Mas crise é oportunidade. Em momentos de crise, cresce quem tem visão. Quem cria saídas ao invés de inventar desculpas. Quem tira de onde não tem e coloca onde não cabe. Quem identifica as lacunas e as preenche.

O problema é o primeiro passo para solução. Foi o frio que inventou o fogo e foi a distância que inventou a roda. Nós temos a oportunidade de criar o futuro – na economia e até mesmo na política – a partir dos nós que (de)formam o tempo presente.

O dinheiro nunca some, ele está por aqui, circulando. O dinheiro apenas troca de mãos. E geralmente migra para quem entregar mais valor ao mercado em que atua.

Precisamos de líderes para conduzir o momento em que vivemos. Menos chefia, mais liderança. Os clientes precisam de soluções inovadoras, de baixo custo e de alto valor agregado. Quantos de nós estamos nos mexendo de verdade para liderar esse processo e para gerar essas soluções?

Em momentos desafiadores, como esse que atravessamos no Brasil, devemos ler biografias de grandes homens, que inspiram e que nos conduzem, através das suas próprias histórias, pelo caminho da vitória. Nossos desafios não são diferentes dos deles. Todos nós temos dilemas, dúvidas e medos. O medo, inclusive, faz parte da evolução – e ele é parceiro do risco, assim como a coragem de enfrentar os medos é parceira do sucesso. Não há sucesso sem risco. Assim como não há êxito sem trabalho.

O mundo nunca foi perfeito. Outros países também viveram, e enfrentaram, desafios enormes, ainda que de outra natureza. Não somos diferentes dos outros povos e das outras sociedades pelos problemas que temos – mas sim pelo modo como os encaramos e superamos.

Por último: deixemos os egos de lado. Tratemos de servir aos nossos clientes com todo nosso talento. E de colocá-los, mais do que nunca, como o foco do nosso trabalho.

É hora de descer do púlpito e encarar nossos colaboradores, nosso time, dentro do ambiente onde labutamos, como parte essencial do nosso ecossistema – e de quem somos profissionalmente.

Deixemos a vaidade para o mercado da beleza – é só lá que ela renderá algum resultado positivo. Encaremos a gestão desses dias complicados com o pé no chão e com as mãos na massa.

Nesse momento, para esse duro ano que já chega quase à metade, seja exemplo para os que lhe acompanham, para os que lhe ouvem, para os que estão lhe olhando à espera de um sinal.

Mantenha-se positivo, mesmo nos dias mais negativos.

No final, tudo é passageiro. Inclusive o choro, que para os pessimistas, é grátis – como todas as coisas que não guardam muito valor.

 

Vinicius Apoena, 25, é publicitário e CEO da MK Digital.

Veja também:

“Política é tudo, está em tudo. Acredito na microrrevolução e saio do Brasil sem abandoná-lo”

- 1 de fevereiro de 2019