“O equilíbrio derruba barreiras e estimula conexões”

- 1 de setembro de 2017
Denise Hills: "A pessoa equilibrada é mais plena, vive melhor e tem mais consciência do seu real potencial."
Denise Hills: "A pessoa equilibrada é mais plena, vive melhor e tem mais consciência do seu real potencial."

 

Responda rapidamente: quantas mulheres você conhece que se impõem obrigações e expectativas de assumir mil e uma responsabilidades e dar conta de inúmeras tarefas, profissionais, domésticas e familiares. Conhecido como “Complexo de mulher-maravilha”, esse comportamento é decorrente de questões históricas, culturais e tantos outros fatores, que levam ao esgotamento físico e mental. A boa notícia, no entanto, é que a tripla jornada realizada pelas mulheres está sendo colocada em pauta cada vez mais por toda a da sociedade, reforçando a importância dos papeis e responsabilidades serem compartilhadas de forma igualitária.

Confira o bate-papo com Denise Hills, Superintendente de Sustentabilidade do Itaú, e reflita sobre os caminhos para virarmos esse jogo, fortalecermos a autoconfiança e encontrarmos uma vida mais equilibrada.

Por que costumamos nos impor este papel de “mulher-maravilha”?

Denise: A expectativa de que a mulher assuma muitos papeis é influenciada por questões históricas de gênero que nos são transmitidas desde a infância, quando nos indicam que as realizações femininas passam pela maternidade e pelo cuidado com os outros. E quando nos tornamos adultas e encaramos os desafios e as novas conquistas, como sair de casa, trabalhar fora e estudar, nos acomodamos com o acúmulo de funções e demoramos para avaliar o que podemos ou não assumir. Grande parte das mulheres acaba realmente conseguindo fazer muitas coisas, mas isso não significa que esse seja o melhor caminho. É importante se questionar: será que é o melhor pra mim? Ou é o melhor pra ensinar para os meus filhos? Esse comportamento é bom para minhas relações? É importante refletir sobre esse papel pré-estabelecido. Sim, nós damos conta de assumir diversas responsabilidades, mas podemos ser mais eficientes do que ser uma equilibradora de pratos esgotada ao final do dia.

Esse comportamento está mudando, não é?

Denise: A sociedade vem se transformando muito, e rapidamente. Estamos revendo os papeis da mãe, da mulher e do pai, por exemplo, porque esse modelo antigo já não faz mais sentido para o mundo de hoje. Agregado a isso há a discussão do fenômeno da internet, que permite o acesso a tudo, em segundos. Hoje em dia nossa maior riqueza é o tempo, agora fazemos muito mais coisas do que fazíamos antes. Diante disso, começamos a compreender que dispor de tempo para a gente é um valor. Questionamentos e reflexões como: “O que eu posso fazer para ter mais qualidade no meu dia a dia?”, ou “O que estou fazendo com minha vida?” são mais comuns e levam a uma reorganização das funções. Os mais jovens já vivem numa realidade onde o desempenho de papeis pré-estabelecidos não faz nenhum sentido. O que era muito natural para a nossa geração, papel de mãe, papel de executiva, e tal, não faz parte da realidade das gerações. Estamos mudando para melhor.

Mas falar não nem sempre é fácil. Como vencer essa dificuldade?

Denise: Livrando-se da culpa. Experimente substituir culpa por responsabilidade. Se funcionar, vá em frente. Mas se não for possível a substituição, é porque não é sua função. E vale tentar mentalmente, fazer um exercício, mesmo. Se na primeira vez você sentiu que deveria ter dito não para uma pessoa, mas não conseguiu, calma. O primeiro passo é reconhecer internamente que deveria ter recusado. Depois, quando puder, imagine a situação novamente e faça mentalmente o exercício para ajustar os fluxos de trabalho: “Vamos tentar mudar essa situação, eu proponho tal saída”. Se não consegue fazer isso naturalmente, treine. Assim você programa sua cabeça, conversa consigo mesma e aos poucos deixa de ser refém de culpa. A culpa raramente é boa conselheira. Pense bem: a gente não tem como se sentir culpada por algo que é humanamente impossível de se fazer. E hoje isso não é nem bom, afinal, todo mundo trabalha, todo mundo estuda ou faz algo em uma família. Então as atividades da casa são de todos também. Além disso, se eu não acho que nenhuma pessoa seja capaz de fazer tudo, por que eu devo cobrar essa postura de mim mesma? De novo é importante lembrar que a regra que vale para os outros deve valer pra gente, também.

Mas como podemos fazer para mudar de atitude e ter uma vida mais equilibrada?

Denise: Tentando, sempre. Mil escolhas boas são melhores que cem escolhas boas, mas todas elas envolvem em três passos: primeiro, escolher, segundo, errar, terceiro, fazer de novo ate acertar, criar um novo modelo. Adote este hábito: ao se deparar com uma situação, ao invés de reagir, é importante agir. Esta mudança de mentalidade faz com que deixe de ser refém para se tornar protagonista das suas escolhas, e seja mais consciente e feliz com a vida que tem. Um erro comum é sobrevalorizar tudo, o bom e o ruim. Não é saudável, nem eficiente. Diante de uma situação difícil, o melhor é respirar fundo e pensar. Se não conseguir reagir dessa forma e não estiver diante de uma decisão urgente, deixe para amanhã. Você estará mais equilibrada para decidir.

Por que o equilíbrio é tão importante?

Denise: Porque quando vivemos em equilíbrio, conseguimos interagir com as pessoas da melhor forma, temos a tranquilidade para enxergar e escutar o outro. E a qualidade dos relacionamentos, seja no trabalho ou em outros setores, melhora incrivelmente. O equilíbrio derruba barreiras, abre espaços e estimula conexões. A pessoa equilibrada se relaciona melhor, troca ideias e adquire melhores experiências. É mais plena, vive melhor e tem mais consciência do seu real potencial. E, assim, se realiza muito mais.

No bate-papo, Denise ainda conta que o comportamento workaholic, tão valorizado há alguns anos, passou a ser considerado um estilo de vida insustentável. “Hoje em dia, há outras formas de ser reconhecida por uma boa liderança”. Para saber quais são elas e muito mais, confira a entrevista completa no Itaú Mulher Empreendedora, uma plataforma feita para mulheres que acreditam nos seus sonhos. Não deixe de conferir (e se inspirar)!

 

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