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O hub de Ipanema: o Oito quer impulsionar o ecossistema carioca (e nacional) de inovação

- 10 de outubro de 2018
O ambiente do Oito, no endereço de uma antiga central telefônica: 78 posições de trabalho e design propício à troca de informações (crédito: divulgação)

Ipanema deve sua fama global à canção de Tom e Vinicius, aquela sobre a garota do “doce balanço a caminho do mar”. Para muito além da bossa nova, o bairro foi um caldeirão vanguardista ao longo de quase todo o século 20, fabricando modas e microrrevoluções culturais reverberadas Brasil e mundo afora. Hoje, algo daquela verve pulsante pode ser canalizado para a Nova Economia: desde finzinho de 2017, Ipanema abriga o Oito, um hub de inovação e empreendedorismo instalado no início da Rua Visconde de Pirajá, a poucos passos do Arpoador.

A Oi está à frente do espaço, fundado com apoio de parceiros. A fachada branca, tombada, esconde um ambiente interno rústico-clean, renovado numa reforma-relâmpago que ressignificou o endereço onde um dia funcionou uma central telefônica. Com projeto da Crama e design integrado, propício ao intercâmbio de informações entre os ocupantes, o Oito tem 78 posições de trabalho para receber startups residentes – a mensalidade custa R$ 490 por assento – e as hoje seis incubadas de Rio, São Paulo e Paraná, escolhidas por meio de um edital para uma aceleração de 12 meses.

A parceria com o Oi Futuro, o instituto de inovação e criatividade da Oi, fornece um impulso extra ao Oito. Os negócios sociais acelerados pelo Labora (laboratório de Inovação Social do Oi Futuro) também têm posições de trabalho no hub, interagindo com as startups e engrossando ainda mais o “caldo” da inovação. A programação cultural é incrementada pelo laboratório de experimentação sonora do instituto, o LabSonica, incumbido de fomentar a circulação de gente e ideias criativas no Oito.

No time das seis startups incubadas pelo Oito, a carioca Energy2Go se define como a “primeira empresa de energia móvel do Brasil” e investe no aluguel de power banks (baterias portáteis) para recarga de celulares – um aplicativo permite localizar o terminal de autoatendimento mais próximo de você. Outra acelerada é a curitibana Everywhere Analytics, dona de uma solução para contagem de tráfego de pessoas via Wi-Fi, com foco na geração de relatórios de business intelligence.

Ao aplicar Big Data às informações coletadas, a Everywhere (no páreo para receber até R$ 1 milhão da Finep) pode turbinar a publicidade digital – mas não só. “A Everywhere Analytics nasceu como uma ferramenta para digital advertising, mas tem utilidade também para o varejo, sistema bancário, o trânsito, a segurança pública…”, entusiasma-se Pedro Abreu, diretor do Oito. “O uso para a sociedade pode ter impactos relevantíssimos – preservando a identidade de todo mundo, no caso dessa solução.”

Tudo muito bom, mas cabe uma perguntinha: o que a Oi quer com o Oito? “A Oi quer ser inovadora – de fato, não só na teoria”, diz Abreu. “Temos que reinventar o business todos os dias. Não queremos ser só um ‘tubo’, um fornecedor apenas de infraestrutura de comunicação. Queremos ser um fornecedor de soluções para a sociedade. E para isso você tem que inovar, criar novas soluções, para fazer a diferença na vida dos clientes e na vida da própria Oi.”

Internet de alta velocidade e um espaço aberto 24/7 para as incubadas são só a ponta do iceberg do pacote oferecido pelo Oito. Idem para o aporte de até R$ 150 mil para cada startup. Mais valiosas, financeiramente inclusive, são as licenças para uso da nuvem da Amazon e do Watson, a plataforma de inteligência artificial da IBM. Ambas as empresas são parceiras do hub, assim como o Instituto Gênesis, da PUC do Rio, responsável pelos conteúdos e pela metodologia da aceleração.

Há ainda, óbvio, o valor incomensurável das possibilidades atreladas a uma empresa do porte da Oi, desde um time extenso de mentores em potencial (são pelo menos mil executivos na companhia de 54 mil colaboradores) até todo o desdobramento de oportunidades que pode advir de uma base de quase 60 milhões de clientes:

“Quando você tem, como a Oi, mais de 38 milhões de clientes móveis, 5 milhões de clientes de banda larga, um milhão e meio de clientes de TV, 12 milhões de clientes de telefonia fixa, um milhão de clientes corporativos, mais de 4.500 prefeituras como clientes em todos os estados da Federação… Você vai acumulando conhecimento daquilo que o mercado quer e de como atender essas necessidades – seja com recursos internos, seja com empreendedorismo e coinovação”, diz Abreu.

Não que o aporte financeiro não seja extremamente relevante, ainda mais nessa fase inicial de operações, como lembra Thiago Correia, um dos sócios da Top2You, outra acelerada pelo Oito. O empreendedor elogia ainda o espaço físico: “Esse ambiente de coworking viabiliza estar conectado com mais gente e traz um espírito de colaboração muito bacana entre as startups e as equipes da Oi e do Oito.”

O sexteto de incubadas responsável por essa atmosfera efervescente engloba ainda mais duas empresas do Rio e uma paulista. As cariocas são a Genesis Training, sistema de gestão (de performance, inclusive) para franquias de escolas de esportes; e a Holmes, que lança mão de inteligência artificial para oferecer soluções de saúde. Natural de Campinas, a NEARBEE permite aos usuários formar redes de segurança colaborativa, acionadas por geolocalização em caso de emergência.

Fundada em 2017 (no Rio), a Top2You é uma plataforma para democratização do acesso a mentorias à distância; com foco no B2B, a startup já tem como clientes a Vale e a própria Oi. “Nos posicionamos como um grande ‘acelerador de gente'”, diz Thiago. “Acreditamos que conversas encurtam distâncias, principalmente quando essa conversa é com alguém que já trilhou um caminho e teve sucesso, ‘chegou lá’.”

Multidisciplinar até a medula, a rede de mentores da Top2You inclui expoentes das áreas mais variadas, desde um pesquisador de neurociência até esportistas de alta performance, abrangendo ainda CEOs cascudos e jovens brilhantes como Barbara Minuzzi, da Babel Ventures, fundo de investimento em negócios de impacto baseado no Vale do Silício, e Rafael Duton, sócio da Movile e fundador da 21212 – além de consultor do Instituto Gênesis na coordenação do Oito.

Empolgado, Thiago resume a experiência de pilotar uma startup incubada no hub de Ipanema:

“A nossa sensação é a de estar dentro de um foguete que é a Oi, essa empresa gigantesca com 60 milhões de consumidores e algumas das maiores companhias do país no portfólio. E o nosso desafio é saber acionar o botão de ignição para esse negócio ganhar uma escala proporcional. Acho que é um aprendizado para os dois lados, o lado das startups e o lado do próprio Oito: descobrir como vamos ‘plugar’ de forma cada vez melhor, mais rápida e eficiente esse motor propulsor.”

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