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O Panda Criativo fecha a primeira cota para o Festival Path 2015, que mira triplicar de tamanho

- 15 de outubro de 2014
Fabio Seixas e Rafael Vettori, sócios em O Panda Criativo - da ideia à estreia em oito meses
Fabio Seixas e Rafael Vettori, sócios em O Panda Criativo - da ideia à estreia em oito meses

Fabio Seixas, 32, é manauara (o nome que se dá para quem nasce em Manaus), formado em produção multimídia e design pelo Art Institute de Miami, e mestre em administração pela Universidade Federal da Bahia. Morou oito anos fora do Brasil – nos Estados Unidos, na China, no México e em Taiwan.

Fabio é sócio de Rafael Vettori, 30, paulistano, advogado formado pelo PUC-SP e ator formado pela Escola Superior de Artes Célia Helena. Juntos, eles formam O Panda Criativo e acabam de ser eleitos pela revista ProXXIma, do Grupo Meio&Mensagem, dois dos “50 mais inovadores da comunicação e do marketing no Brasil” em 2014.

Eles se conheceram há três anos. Fabio era diretor de novas mídias e marcas da Conspiração Filmes – onde trabalhou por três anos e meio. O último trabalho da produtora em que esteve envolvido é o longa “Rio, eu te amo”, lançado em setembro deste ano, uma coletânea de 10 histórias de amor dirigidas por 10 realizadores diferentes e que faz parte do movimento #RioEuTeAmo.  Rafael trabalhava na Prodigo Films, depois passou um ano na BOX 1824. Eles se conheciam de mercado.

Em março de 2013, no SxSW, ou South by Southwest, um dos maiores eventos de criatividade e inovação do mundo, se reencontraram. E comentaram, tomando uma cerveja em Austin, que estava faltando um evento com aquela pegada de criatividade e inovação em São Paulo – um SxSW paulistano.

Três meses depois, em junho, se associaram. E em novembro de 2013, meros oito meses depois daquela cerveja no Texas, e só cinco meses depois de terem começado a trabalhar, já estavam colocando na rua a primeira edição do Festival Path, ainda como um projeto paralelo às carreiras de ambos. Fizeram tudo na unha – da produção do evento à prospecção e ao fechamento das parcerias.

O Festival Path, ainda sem a assinatura “Inovação que movimenta”, aconteceu em 9 e 10 de novembro de 2013, na Escola São Paulo. Foram 72 palestras, oitos bandas se apresentaram e 20 vídeos foram produzidos. O evento reuniu 300 pessoas que pagaram 150 reais pela inscrição. Tanto o faturamento quanto o custo do evento – rachado ao meio entre os dois sócios – ficaram na casa dos 300 mil reais.

Fabio Seixas, no topo do Kilimanjaro, na Tanzânia, como parte do projeto "Pineapple Panda" de escalar as maiores montanhas de cada continente

Fabio Seixas, no topo do Kilimanjaro, na Tanzânia, como parte do projeto “Pineapple Panda” de escalar as maiores montanhas de cada continente

Recém-terminado o primeiro evento, Fabio e Rafael já começaram a trabalhar na segunda edição do Festival, que aconteceu apenas seis meses depois, em 24 e 25 de maio de 2014. “Nós decidimos passar o Path, que agora é anual, para o primeiro semestre”, diz Rafael. A segunda edição aconteceu na Escola São Paulo (palestras), mas também no Museu da Imagem e do Som, MIS (festival de cinema e feirinha gastronômica), e no Bar Secreto (a festa do evento). Foram vendidos 500 ingressos, ainda ao preço de 150 reais. Cerca de 1 500 pessoas atenderam ao evento, que também tinha uma programação gratuita. Ao todo foram 92 palestras, com a apresentação de oito bandas.

Rafael e Fabio contaram com a ajuda de alguns parceiros na curadoria da segunda edição do evento: enjoy.e (música), Vitrine Filmes (cinema), Buzina Food Truck (gastronomia) e Startupi (empreendedorismo). Entre as duas edições, dois sócios entraram na empreitada: Eduardo Marini, na época vice-presidente do fundo de investimentos General Atlantic, e um segundo sócio, cuja identidade eles não revelam.

A segunda edição do Festival Path também custou 300 mil reais – mas, diferentemente da primeira, deu lucro. Os dois novos sócios racharam esse investimento, Fabio e Rafael não precisaram pôr novamente a mão no bolso. Assim começava a surgir O Panda Criativo, formalizado três meses depois, em agosto de 2014, com quatro sócios, cada um com 25% da empresa – todos tendo colocado 150 mil reais no negócio.

O nome da empresa vem de “Pineapple Panda”, uma marca sem CNPJ que Fabio usava como guardachuva para seus projetos pessoais. “A gente quebrou uns pratos, descascamos o abacaxi e seguimos só com O Panda”, diz Rafael. “A escolha do nome tinha um racional global: misturar uma fruta tropical com um animal asiático. Uma marca nascida para o mundo, e um nome gostoso de falar. Mas, como o Rafa disse, pratos voaram, ninguém ficou ferido e O Panda está aí, firme e forte”, diz Fabio.

Com a segunda edição do Path, um modelo de negócios começou a se formar: 45% das receitas vieram dos patrocínios (as agências Isobar e Tudo, a Zeppelin Filmes, a incorporadora Ideia!Zarvos, a editora Trip e a loja basico.com). Outros 45% vieram das inscrições e 10%, da participação de O Panda nas vendas realizadas durante o evento por parceiros.

Rafael Vettori, coletando assinaturas em favor do Parque Minhocão

Rafael Vettori, coletando assinaturas em favor do Parque Minhocão

A terceira edição do Festival Path acontecerá em São Paulo, em abril de 2015, em dias ainda a confirmar. A ideia é realizar o evento em oito salas do Instituto Tomie Ohtake, utilizando todas as galerias do lugar. “Queremos ocupar um triângulo geográfico no bairro de Pinheiros, formado pelo Instituto Tomie Ohtake, a pracinha da Fnac e o Estúdio M”, diz Fabio. “Estamos mirando em vender 1 500 ingressos dessa vez – e ter de 4 000 a 5 000 pessoas orbitando o evento. Estamos programando 92 palestras, 12 shows, aumentando de 5 para 12 food trucks, e apresentando 15 filmes na mostra de cinema”. O preço dos ingressos ainda não está definido, mas a ideia, garantem os sócios, é que ele continue acessível – “esse é um dos diferenciais do Path”, diz Rafael.

As receitas, para a terceira edição, estão previstas para virem 60% de patrocínio – para tanto o Path está sendo homologado nas leis de incentivo federal (Rouanet) e estadual (Proac). A primeira cota de patrocínio acaba de ser vendida para uma multinacional cujo nome os sócios preferem ainda não revelar. “Queremos entrar no calendário cultural do país”, diz Rafael, que passou a se dedicar exclusivamente ao Festival Path em janeiro de 2014. Fabio saiu do emprego logo depois, em março deste ano, para focar na empresa e no evento.

Além de Fabio e Rafael, os únicos sócios que têm funções executivas, O Panda Criativo conta com dois funcionários: Daniela Somlo, produtora, e Diogo Rodriguez, gestor de conteúdo. A empresa acaba de ganhar seu primeiro endereço fixo – uma simpática sala de 30 metros quadrados na Escola São Paulo, na Rua Augusta. Da sua oficialização, em agosto de 2014, até o final de 2015, a previsão da empresa é faturar entre 1,5 milhão e 2 milhões de reais.

O Panda Criativo pretende lançar até o final de novembro o novo site do Festival Path, com todo o conteúdo dos eventos. Além disso, querem lançar concomitantemente um livro digital de aproximadamente 150 páginas, que poderá ser baixado no novo site do Path, e que será também distribuído pelo Catraca Livre e pela Trip, num oferecimento da loja basico.com. Os outros pontos de contato do Festival Path com o público são uma fan page no Facebook, com quase 27 mil fãs, um perfil no Twitter e um canal no You Tube.

“Mudei meu estilo de vida. Vivo com muito menos. Passei a cozinhar em casa, não comprei a prancha de wakeboard que eu queria, nunca mais fui a Trancoso com os amigos. Mas é muito compensador. Nós estamos plantando. Hoje eu encontro, todo dia, cinco pessoas que eu adoraria encontrar sempre. Minha vida não era assim antes. E isso não tem preço”.

Ao lado do Festival Path, O Panda Criativo, que se define como “uma plataforma para criar, promover e gerir iniciativas que usam a criatividade como ferramenta para transformar a sociedade”, tem outras três frentes de negócios:

1. CreativeMorningsSãoPaulo

O Panda Criativo é licenciado para gerir o evento no Brasil. O CreativeMornings foi lançado em setembro de 2008 em Nova York pela designer Tina Roth Eisenberg, criadora do blog e do estúdio de design Swissmiss. A ideia do CreativeMornings é juntar a comunidade criativa em eventos mensais, geralmente um café da manhã com uma ou mais palestras.

O CreativeMornings, que acontece em mais de 88 cidades ao redor do mundo, é itinerante no Brasil. Já aconteceram 18 edições em São Paulo, em lugares como a Casa do Saber e o Instituto Tomie Ohtake. Fabio, que teve a iniciativa de trazer o evento para o Brasil, já teve ajuda na organização de gente como Raphael Vasconcellos, ex VP de Criação da Isobar (quando ainda se chamava Agência Click), hoje Diretor Criativo Latam do Facebook, Bárbara Soalheiro, do Mesa & Cadeira, e Gabriel Borges, da Ampfy.

A visão de O Panda Criativo é credenciar também o CreativeMorningsSãoPaulo nas leis de incentivo federal e estadual e buscar patrocínio. “Queremos ainda produzir um documentário sobre os criativos em São Paulo em 2015”, diz Fabio.

2. Shift CineClube 

Clube de cinema com foco em documentários. “Nossa ideia é fazer chegar ao público conteúdos que normalmente não têm acesso às telas. E, assim, abrir espaço para diretores e produtores”, diz Fabio. Foram realizados quatro encontros em 2013, em lugares como o Cartel 011 e o Espaço Absolut, em São Paulo.

No momento, Fabio e Rafael estão reformatando o evento para relançá-lo em 2015.

3. Consultoria

“Nessa frente, queremos levar o conteúdo criativo para dentro das empresas, em eventos in-company – ou em espaços geridos pelas empresas, para os vários públicos da marca”, diz Rafael.

A trajetória de empreendedorismo de Fabio e Rafael oferece algumas boas dicas para quem está pensando em empreender. Da visão da oportunidade à rápida implementação do plano. Da ideia maker de fazer logo e depois ir aprimorando o produto à própria abertura do capital da empresa a novos sócios, abrindo mão de participação societária para fazer o negócio crescer.

E há lições também nos bastidores da formação de O Panda Criativo. Rafael, ao saltar do emprego para a iniciativa própria, em janeiro deste ano, abriu mão de 50% do que ganhava – a ponto de ter que voltar a morar na casa de sua mãe. E Fabio estima que vive hoje com 20% do que ganhava como diretor na Conspiração. “Mudei meu estilo de vida. Vivo com muito menos. Passei a cozinhar em casa, não comprei a prancha de wakeboard que eu queria, nunca mais fui a Trancoso com os amigos. Mas é muito compensador. Nós estamos plantando. Hoje eu encontro, todo dia, cinco pessoas que eu adoraria encontrar sempre. Minha vida não era assim antes. E isso não tem preço”.

 

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