Pegada de carbono é uma expressão que descreve a quantidade de gases de efeito estufa (GEE) emitida, direta ou indiretamente, por alguma atividade, produto, indivíduo, comunidade ou instituição.
Embora leve a palavra “carbono” no nome, o termo não se refere somente ao dióxido de carbono (CO2). Outros gases que intensificam o aquecimento global, como o metano e óxido nitroso, também entram na conta.
Para uniformizar o cálculo, as pegadas de carbono são medidas em toneladas de carbono equivalente (CO2e). Ou seja, se uma atividade emite duas toneladas de metano – cujo potencial de aquecimento global é 21 vezes maior do que o do dióxido de carbono–, a pegada de carbono é de 21 t de CO2e.
De acordo com uma reportagem da revista do The New York Times, o embrião da pegada de carbono começou a se desenvolver no início dos anos 1990. À época, o ecologista William Rees, da Universidade de British Columbia (Canadá), ficou maravilhado com o espaço que ganhou em sua mesa de trabalho ao receber um computador cuja torre de processamento ficava em pé em vez de deitada.
Conversando com seu aluno de doutorado Mathis Wackernagel, Rees comentou ter gostado da mesa mais livre, com menos rastros, “pegadas”. A figura de linguagem que surgiu de improviso parecia perfeita para um artigo que ele estava escrevendo sobre “cápsulas regionais”.
Logo, substitui todas as “cápsulas regionais” no paper pela expressão “pegada ecológica”, no sentido de medir nosso impacto ao consumir (e desperdiçar) recursos naturais – comparando com a capacidade do ecossistema de fornecer estes recursos e reprocessar nossos descartes.
Não demorou para a “pegada” pegar – embora haja registros de uso do termo “pegada ambiental” pelo Senado americano antes disso, em 1979 – e ser usada em outros contextos.
Em 2000, com o aquecimento global tornando-se um tema, também e enfim, global, um porta-voz do setor energético do estado do Texas (EUA) declarou ao jornal Seattle Times:
“É essencial reduzir nossa pegada ambiental e, neste ponto da história mundial, reduzir nossa pegada de carbono.”
Embora tenham sido propagadores do conceito de pegada ecológica desde o início dos anos 2000, com vários artigos publicados sobre o tema – Wackernagel, inclusive, fundou a Global Footprint Network, em 2004 – os pesquisadores atribuem a popularização do conceito de pegada de carbono a, vejam só, uma das maiores petroleiras do mundo…
Em 2005, a British Petroleum (BP) lançou uma campanha institucional explicando o conceito de pegada de carbono e calculando o impacto que atividades cotidianas têm na emissão de GEE. A pegada da campanha era tão popular que um dos slogans era “é hora de começar uma dieta de baixo carbono”.
A campanha foi tão bem-sucedida – inclusive em melhorar a imagem de uma empresa com pegada de carbono gigante pela própria natureza – que o conceito pegou, mesmo com a responsabilização do público-alvo.
Tanto que, atualmente, há inúmeras empresas e ONGs, como a Vivo e a S.O.S Mata Atlântica, que disponibilizam calculadoras de pegada de carbono online, para as pessoas medirem e avaliarem seu próprio impacto no aquecimento global e nas consequentes mudanças climáticas.
Organizações como o Greenhouse Gas Protocol e o Carbon Trust estabelecem sólidas metodologias e oferecem consultoria, ferramentas e treinamentos para instituições públicas e privadas calcularem as suas pegadas de carbono e, a partir daí, elaborar metas e políticas rumo à um futuro Net Zero.
Luiz Gustavo Rosa foi sócio de diversos negócios, até pegar gosto pelo empreendedorismo de impacto. Ele está à frente da Tairú, que cria tênis, roupas e acessórios com matéria-prima vegana e práticas sustentáveis.
No doutorado, o oceanógrafo Bruno Libardoni se viu questionando a falta de alcance das pesquisas acadêmicas. Ele empreendeu então a Infinito Mare, que monitora a poluição aquática enquanto oferece uma solução de marketing ESG para empresas.
Tradição culinária e sustentabilidade nem sempre combinam. Fundada por Flávio Cardozo e Carolina Heleno, a ÓiaFia! reaproveita o azeite de dendê usado no acarajé para produzir sabonetes artesanais que celebram a cultura baiana.