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O que um grupo de gringos aprendeu ao desenvolver trabalho voluntário no Brasil

- 31 de julho de 2018
Em junho, 12 estrangeiros desembarcaram no país para participar do 3M Impact, programa global criado em apoiar iniciativas de impacto positivo. Spoiler: eles voltaram para casa com muito mais do que uma boa experiência profissional na bagagem.

Um grupo de 12 gringos desembarcou no Brasil no começo de junho, vindo de 10 territórios tão diversos quanto Suécia e África do Sul. Todos colaboradores da 3M. No lugar da típica bagagem para viagens de trabalho recheada de roupas para ir de reunião a reunião, eles carregavam peças para colocar a mão na massa de forma voluntária longe do ambiente corporativo, em organizações sem fins lucrativos na região de Campinas, cidade próxima de Sumaré, onde está instalada a sede da companhia no Brasil.

O time, improvável na maioria das organizações, integrava o 3M Impact, programa global criado este ano para estimular funcionários a desenvolverem atividades pro bono capazes de contribuir para o desenvolvimento de diversas iniciativas e comunidades em países emergentes. O projeto parte do princípio de que criatividade, colaboração e senso de propósito compartilhado é capaz de estimular grupos a encontrar solução para os problemas mais desafiadores.

Pelo 3M Impact, os colaboradores da empresa passam 15 dias imersivos em instituições sem fins lucrativos ou entidades governamentais. O tempo, aparentemente curto, é o suficiente para que os profissionais mergulhem em um desafio social, econômico ou ambiental enfrentado na região e ajudem a traçar uma rota para solucioná-lo. Antes mesmo de chegar ao destino da viagem, os times já começam a estudar os desafios e construir rotas de ação para gerar soluções duradouras para cada instituição.

TROCA E COLABORAÇÃO PARA DESENHAR SOLUÇÕES DE IMPACTO SOCIAL

Todo o processo demanda as habilidades e experiência de cada profissional. Além de contribuir ao oferecer o próprio conhecimento, os colaboradores que participam do 3M Impact são provocados a desenvolver habilidades de liderança, de geração de ideias e a afiar o pensamento inovador, sempre trabalhando de forma colaborativa, a quatro mãos com os profissionais de outras culturas também presentes no programa e com os membros das instituições de cada país. A alemã Christin Schack, 47, que hoje atua na operação sueca da 3M, fala do que a imersão no Brasil representou para ela:

“A experiência foi muito apaixonante e me colocou em posição de humildade, de trabalhar pelas pessoas”

Ela foi uma das 12 profissionais de diversas áreas a participar do 3M Impact no Brasil, incluindo vendas, marketing, jurídica, engenharia, entre outras. Christin integrou o time que desenvolveu projeto no Serviço Social Nova Jerusalém, instituição de Campinas que presta assistência social a 520 crianças e adolescentes. Ali o grupo colaborou para a construção de um plano estratégico de comunicação e marketing capaz de modernizar a presença da instituição, valorizar seu papel na sociedade e o resultado dos projetos, atraindo novos apoiadores.

O grupo de estrangeiros do 3M Impact também atuou na Associação Cornélia, entidade que desenvolve reabilitação psicossocial a 300 pessoas com transtornos mentais e dependência química. Ali um dos times contribuiu para a criação de plano comercial e de design de produtos. A ideia era melhorar o resultado de vendas dos artesanatos feitos na entidade. A terceira organização a receber um grupo da 3M foi a Fundação Eufraten, desenvolvedora de importante trabalho de educação para 600 crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. De forma colaborativa, o grupo desenhou planejamento estratégico, identificando oportunidades para fortalecer e garantir a sustentabilidade da atuação da instituição.

A PRINCIPAL LIÇÃO: HUMILDADE

A alemã Christin já conhecia o Brasil. Dessa vez, diz ter tido a chance de aprender mais de si própria do que sobre o país.

Deixar qualquer presunção de lado e exercitar a humildade foi um dos aprendizados mais valiosos para os estrangeiros que se juntaram no 3M Impact, dizem. “Trabalhar com colegas da 3M de vários países e estágios da carreira foi um aprendizado incrível. Também foi impressionante ver como a instituição em que estive desenvolve seu trabalho de forma tão bem-sucedida mesmo com recursos limitados”, conta Kim O´Neill, 36, que trocou por 15 dias a posição de gerente de produto da área automotiva da 3M na Austrália para desenvolver trabalho voluntário na Nova Jerusalém. “Espero conseguir trazer um pouco da positividade e do otimismo que vi lá para o meu dia a dia”, diz.

Christin concorda que, além de ter levado mudança para a instituição, a experiência também provocou transformação interna. “Terei lembranças boas por muito tempo”, diz, mostrando que o fato de ter 23 anos de atuação na 3M, não a impede de ter experiências novas. Ela já tinha visitado o Brasil algumas vezes anos antes por causa do trabalho, quando teve a chance de conhecer mais pontos turísticos do país do que muitos residentes, passando por Foz do Iguaçu, Amazônia e Rio de Janeiro. Desta vez, apesar de ter aprendido menos sobre a vasta natureza do brasileiro, ela garante que teve a chance de descobrir coisas importantes sobre si própria.

 “Já trabalhei como voluntária na Alemanha, com crianças refugiadas, mas até vir para o Brasil não era claro para mim que poderia usar as minhas habilidades profissionais para atuar pro bono

Segundo ela, o time da 3M aplicou na entidade processos e ferramentas usadas internamente na companhia. “Foi incrível ter o desafio de compartilhar a nossa forma de trabalho de uma maneira que fosse compreensível a todo mundo, sair do ambiente corporativo que estamos acostumados e pensar em soluções para uma ONG. Entendemos a necessidade de ir direto ao ponto, focar no que é essencial”, conta.

Tanto Christin quanto Kim reconhecem que o fato de não falarem português foi um desafio. “Tínhamos uma excelente tradutora, mas foi uma pena não conseguir me aproximar mais das crianças da Nova Jerusalém por causa desta barreira”, diz. Kim acrescenta ainda que foi preciso empenho para se familiarizar minimamente com a legislação brasileira, estrutura de impostos e de governo para desenhar soluções de impacto para a entidade no curto período do programa. “Ainda assim, acredito que conseguimos me inteirar o suficiente para contribuir para a construção de um plano duradouro para a organização.”

Além do aprendizado, tanto Kim quanto Christin dizem ter levado do Brasil as boas lembranças do carinho e mente aberta das pessoas com quem trabalharam aqui. “Recomendo demais a experiência do 3M Impact para os colaboradores da companhia”, diz Christin. Questionada sobre a possibilidade de visitar o Brasil outras vezes, ela respondeu um sonoro “sim”, confirmando o interesse tanto para outros projetos profissionais quanto para um período de férias. O importante é sempre voltar de viagem com a bagagem recheada de boas descobertas.

 

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