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O Shyre, que otimiza rotas de equipes em campo, faz um pouco do que seu sócio aplicou, na marra, na própria vida

- 31 de julho de 2018
O CEO Vinícius Ciccarelli conta como aprendeu a recalcular rotas superando um câncer na infância, a falência de uma startup e a reviravolta de outro negócio que resultou no atual empreendimento.

Traçar caminhos alternativos parece ser parte do destino do empreendedor Vinícius Ciccarelli, 35. Parar, pensar e recalcular os passos é uma atitude constante para ele desde os 12 anos, quando foi diagnosticado com um câncer raro. Se puberdade e adolescência já não são fáceis para qualquer garoto, pode-se dizer que, para ele, foram uma prova de fogo. Na trajetória como empreendedor, os desafios também não foram poucos.

Hoje, ele está à frente do Shyre, ferramenta de organização, gestão e logística, voltada para micro, pequenas e médias empresas que operam com trabalho de campo. Com site e aplicativo, o sistema traça roteiros e organiza visitas de equipes de acordo com prioridades, disponibilidade e proximidade, otimizando o tempo dos funcionários e permitindo que o gestor acompanhe o trajeto do time em tempo real, por geolocalização.

Desde março de 2016, data do lançamento oficial, o sistema faz upgrades e ganha funcionalidades. A plataforma gera relatórios padrões e personalizados, que permitem aos clientes acompanharem suas metas. Os dados também podem servir como subsídios para nortear a estratégia dos clientes, auxiliando na tomada de decisões e motivando o time comercial.

O Shyre fatura 120 mil reais por ano e tem quatro colaboradores fixos para atender os atuais cinco clientes, que têm entre 30 e 100 licenças contratadas (o modelo de negócios é SaaS, custando 75 reais por usuário para um mínimo de 10) para seus vendedores. Com isso, consegue pagar as contas e seguir com sua estratégia de crescimento.

AS BATALHAS DA INFÂNCIA REDUZIRAM O MEDO DOS OBSTÁCULOS

Até chegar a esse resultado, o CEO Vinícius transitou por um labirinto. Enveredou, como qualquer empreendedor, por caminhos tortos, que se mostraram, depois, parte de um processo de amadurecimento. Ele fala mais sobre a experiência:

“Mudamos várias vezes. Estar aberto a escutar o mercado e construir uma equipe alinhada aos valores que quero para a empresa foi um grande aprendizado”

Para o fundador, corrigir rotas e manter-se firme no caminho não chega a ser novidade. “Minha vida sempre foi desafiadora”, diz, referindo-se ao câncer ainda na infância. Só aos 18 anos, ele foi considerado curado. Com a ajuda da mãe, viveu todo o tratamento, que é muito agressivo no início, sem largar os estudos, o interesse por música e arte.

Com o Shyre, os gestores conseguem monitorar em tempo real a rota da equipe que trabalha em campo.

Passou em Administração de Empresas na PUC de São Paulo, cidade onde nasceu e mora. Vinícius conta que, se existe aquele momento na vida em que a janela se abre e o mundo ganha um novo colorido, foi quando teve a oportunidade de fazer um estágio em uma ONG. Lá, conheceu Simone Ramounoulou, consultora organizacional em projetos internacionais e processos de aprendizagem focados em valores humanos e em técnicas interativas.

Vinícius levaria a experiência deste trabalho com Simone para a vida, mesmo quando migrou para outra área profissional. Ainda como estagiário, trabalhou na Orbitall, que atua no processamento de meios de pagamento. “Fui da água para o vinho”, conta o empreendedor, rindo. Já formado, foi efetivado. Decidiu fazer uma pós-graduação em Marketing. “Gostava muito da área de comunicação. Queria atuar com marketing digital.”

Em 2007, surgiu a oportunidade de trabalhar na Ogilvy (gigante da publicidade), no setor de análise de métricas e redes sociais. A ideia de cruzar dados e informações retiradas das redes e usar isso de maneira estratégica era o que Vinícius queria. Chegou a ocupar o cargo de coordenador da área de Business Intelligence da agência.

AS LIÇÕES QUE VIERAM COM OS TOMBOS

Depois de uma década entre empresas e consultorias, estava na hora de ter o primeiro negócio. Em 2012, juntou-se a três sócios para criar a primeira startup, cujo produto era um CRM (Customer Relationship Management ou, em português, Gerenciamento de Relacionamento com o Cliente) para restaurantes. “Chegamos a ganhar alguns prêmios e, com muito suor, conseguimos um investidor-anjo.” Mas a proposta não se provou tão eficaz na prática.  “Inicialmente, a ideia de reunir todos os cartões de fidelidade de restaurantes no celular parecia muito boa, mas a verdade era que não se adequava à realidade dos clientes”, conta.

Dois anos sem dinheiro, atritos em série e uma sociedade desfeita. Os sócios desistiram. Segundo Vinícius, foi possível extrair lições valiosas do fracasso inicial. A primeira delas:

“Não adianta pensar em uma ferramenta tecnológica sem alinhar a operação ao fator humano”

A segunda, diz ele, é que se deve validar a ideia com protótipos antes de realizar um grande investimento. “O segredo é muita escuta e desapego à ideia inicial.” E a terceira: “A equipe é o principal ativo. Bons relacionamentos, em que você se identifique com a conduta e os valores são essenciais para sucesso de qualquer negócio”.

O RESULTADO DO INTRAEMPREENDEDORISMO

Com base nesses aprendizados e em acordo com o sócio-investidor, que permaneceu com ele na empreitada, foi desenvolvida uma nova estratégia. A startup tornou-se uma empresa de desenvolvimento de tecnologia, a Mobi Provider (“mãe” do Shyre, segundo ele), prestando serviço de construção de sistemas mobile.

Hoje, o Shyre tem quatro colaboradores e ainda divide o espaço físico com a empresa da qual “nasceu”.

Por uma questão estratégica, foi incubada na Kanamobi, empresa de tecnologia criativa com foco em mobilidade, que atende indústrias do mercado de alimentos, autopeças e insumos médicos.

Para criar novos produtos, a Kanamobi apostou no intraempreendedorismo, criando o projeto Kanalab, um laboratório de inovação para testar novas tecnologias, criar protótipos, lançar produtos e plataformas.

O Shyre, que teve investimento de 440 mil reais da incubadora e dos próprios sócios, é o primeiro resultado dessa experiência. Por quatro anos, Vinícius foi diretor operacional da Kanamobi. Nesse tempo, criou o Shyre, nome da ferramenta que rebatizou a Mobi Provider. Hoje, ainda divide espaço físico, compartilha ideias e aprendizados com a Kanamobi, mas a empresa de Vinícius tem vida e CNPJ próprios.

O CEO resume o reposicionamento de seu produto: “Para usar expressões da Indústria 4.0, o Shyre é uma ferramenta de business intelligence para área de vendas, que também pode ser aplicada para marketing, logística e outras áreas”. Dentro da plataforma, o Shyre oferece ainda customizações de acordo com demandas de cada empresa, além de suporte e treinamento. Para Vinícius, este é um ponto essencial: “Fazemos tantos treinamentos quanto forem necessários, com os times de gestão e de campo”.

O LADO HUMANO: UM PROPÓSITO PESSOAL E PROFISSIONAL

Para Vinícius, a tecnologia por si só está longe de promover milagres em qualquer negócio. É preciso fazer com que as pessoas se adaptem às inovações e estejam alinhadas com os valores da empresa:

“O Shyre foi desenvolvido através da colaboração de quem usa e do conhecimento de quem trabalha com isso há anos. Assim, vai sendo moldado e evolui a cada dia”

Tal aprendizado, no entanto, não foi fruto apenas da experiência profissional. Ao longo de sua trajetória, Vinícius sentiu a necessidade de procurar formação para desenvolver seu propósito pessoal: contribuir para um mundo melhor. Foi estudar Ciências Holísticas e Economias para Transição na Schumacher College.

Passou, então, a atuar também como educador, ministrando cursos de Teoria U, metodologia de mudanças e inovações organizacionais para empresas, grupos e pessoas que aceitam quebrar paradigmas para chegar “a um lugar mais consciente” no mundo. Ele afirma: “Busco unir conhecimentos da nova economia, colaborativa e compartilhada, à tecnologia que desenvolvemos para os clientes. A ideia é promover equilíbrio entre lucro e propósito, trazendo uma ferramenta positiva para as pessoas e para o mundo”. Ou seja, não basta tecnologia sem saber onde se quer chegar.

DRAFT CARD

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  • Projeto: Shyre
  • O que faz: Roteiriza e otimiza percursos para equipes que trabalham em campo
  • Sócio(s): Vinícius Ciccarelli
  • Funcionários: 4
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2016
  • Investimento inicial: R$ 440.000
  • Faturamento: R$ 120.000 por ano, em média
  • Contato: contato@shyre.com.br.
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