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O VOA Educação ajuda escolas a mapear e promover as habilidades socioemocionais dos alunos

- 15 de maio de 2019
Tiago Neves, um dos sócios fundadores do VOA Educação, e a versão "física" do Zeca, assistente virtual do app: previsão de estar em vinte escolas até o fim de 2019.

 

Durante a infância em Petrópolis, na serra fluminense, o empreendedor Tiago Neves, 27, cansou de ver a mãe, professora (hoje aposentada) de Português e Inglês, cumprir dupla jornada para corrigir as provas em casa depois de voltar estressada do colégio porque a classe, naquele dia, estava muito bagunceira. “Às vezes, ela não conseguia lidar com a quantidade de estresse de sua rotina com estudantes descontrolados”, lembra.

O filho cresceu e decidiu empreender para transformar a educação com foco no domínio da inteligência emocional. Tiago é CEO do VOA Educação, projeto criado em 2017, no Rio de Janeiro, que busca fomentar o desenvolvimento integral das turmas de alunos por meio de um aplicativo que ajuda professores a analisarem as habilidades socioemocionais (como empatia, confiança e autoconhecimento) de cada estudante.

“Queremos preparar o aluno para a vida. Não ser só essa educação voltada a passar no vestibular, mas para você construir um profissional de sucesso na família, na saúde, no trabalho — em tudo”, diz.

Tiago já trilhava uma carreira de desenvolvedor de softwares quando resolveu largar o curso de Sistemas da Informação, da UNIRIO, no último período. Iniciou-se no universo das startups e trabalhou por um tempo como terceirizado para a Petrobras. Em seu último emprego, na VTex, mergulhou no mundo do e-commerce. Lá, conheceu melhor as instituições de ensino e se interessou em criar soluções para a área.

“Eu tocava uma startup dentro da empresa. Cresci muito rápido e quis fazer algo com propósito. Acredito que a Educação é a área que proporciona um impacto maior”

Nessa busca por propósito, ele começou a visitar escolas por conta própria. Foi assim que deparou com o tema das habilidades socioemocionais, o conjunto de competências que cada indivíduo tem para lidar, no dia a dia, com as próprias emoções. A falta de domínio dessas habilidades muitas vezes acabava sabotando carreiras: “Às vezes, via uma pessoa supertécnica, mas que não sabia colaborar e não tinha capacidade de se comunicar”, diz Tiago.

Atacar o problema pela raiz seria voltar o foco para as escolas. Inspirado pela experiência da mãe, Tiago pediu demissão em maio de 2017 para se dedicar ao projeto e logo descobriu que os professores contavam com ferramentas muito antiquadas para ajudá-los a planejar as aulas. Post-it e planilhas ultrapassadas eram as mais comuns.

“Encontrei uma realidade muito diferente da minha, vindo de uma empresa de tecnologia”, diz. Com aqueles sistemas, descobriu, era impossível fazer uma avaliação concreta do aluno e ser capaz de entendê-lo. “Tinha muito programa para o financeiro ou de gestão e nenhuma boa solução para área pedagógica.”

O programador havia juntando economias. Determinado a empreender, apertou o orçamento, trocou o apê de 100 metros quadrados na Urca pelo quartinho de um amigo em Botafogo, adotou um guarda-roupa mais minimalista e investiu R$ 10 mil do próprio bolso para dar o pontapé inicial — a maior parte da grana foi gasta na compra de um computador para desenvolver uma solução.

Tiago se impôs um prazo de quatro meses para prototipar o produto e conseguir um cliente disposto a testá-lo. Para embarcar com ele nessa empreitada, convocou os amigos Pedro Jardim, seu ex-colega de faculdade, Henrique Souza, que cuidaria da área de vendas, e o designer Marcelo Alt, professor do Instituto Europeo di Design (IED Rio), que descolou um espaço gratuito na sede para servir de escritório.

Os sócios foram à luta, conquistaram uma capacitação do Founder Institute, aceleradora do Vale do Silício com representação no Rio, e conseguiram apoio de um escritório de advocacia de uma amiga, que viabilizou o primeiro contrato: um projeto piloto no Mopi, colégio de classe média alta com cerca de 1 800 alunos e unidades nos bairros da Tijuca e do Itanhangá.

“Expliquei que tínhamos um produto cheio de problema, mas queríamos testar com os professores e eles deram para gente uma turma de nono ano”, conta o empreendedor.

O piloto teve início em outubro de 2017, cinco meses depois de Tiago pedir demissão do antigo emprego. Enquanto implementavam a primeira versão da ferramenta na escola, os sócios da edtech conversaram com os coordenadores, participaram dos conselhos de classe e coletavam feedbacks.

“A gente precisava construir uma solução muito boa para os professores, porque eles gastam muito tempo com isso, muitas vezes trabalham em três escolas diferentes, são profissionais muito sobrecarregados.”

Após algumas adaptações, a ferramenta do VOA Educação tomou a forma de um aplicativo de chatbot, em que um assistente virtual, o macaquinho Zeca, “conversa” com o professor e ensina como registrar suas avaliações de cada aluno.

Funciona assim: primeiro, o professor insere suas observações — por exemplo, registrando se um aluno colaborou com o colega ou se destacou em uma apresentação. Sistema inteligente, Zeca interage estimulando com perguntas, como: quais alunos prestaram mais atenção? Os dados são processados e analisados, gerando um painel digital de cada indivíduo. Assim, é possível entender se a comunicação dos alunos está melhorando ou se a agressividade da turma aumentou.

“Normalmente, os professores olham para o aluno pensando nas quatro últimas semanas. O nosso sistema consegue passar uma série histórica e ver como os alunos se desenvolveram nos últimos seis meses, até comparar com dois anos atrás”

A ferramenta também pode ser usada para viabilizar uma maior frequência dos conselhos de classe (em que a evolução dos estudantes é discutida); com apoio da ferramenta, essa reunião pode ser feita até remotamente. E, de forma colaborativa, toda a equipe do colégio consegue ter uma visão sobre a classe. As informações coletadas servem de insumo para a criação de estratégias que ajudam a melhorar a vida e o aprendizado dos alunos.

Em janeiro de 2019, o VOA Educação trocou o espaço no IED por uma incubação no Instituto Gênesis, centro de inovação de empreendedorismo da PUC-Rio. No mesmo mês, a empresa foi escolhida pela MSW Capital para compor o portfólio do Fundo BR, idealizado pela Microsoft (o que facilita o networking com escolas que já usam os programas da empresa). Durante os nove meses do processo de seleção, os sócios se viram obrigados a aprimorar o produto e constituir um conselho científico formado por pedagogos.

A edtech recebeu 800 mil reais do Fundo BR para crescer — o que já está acontecendo. Além do Mopi, o sistema agora está presente agora em dois outros colégios de prestígio no Rio, o israelita Liessin e a Escola Americana. Há negociações em andamento para expandir a solução a outras partes do país (há até uma proposta circulando em Londres, com um representante de vendas). A previsão, diz Tiago, é ter vinte colégios fechados até o fim de 2019.

Passado o piloto, o VOA Educação cobra uma mensalidade de cada escola, ao custo de 5 reais mensais por aluno. Implantar o sistema leva 15 dias e não exige investimento em infraestrutura — basta que os professores baixem o aplicativo em seus celulares. O empreendedor crê que o projeto deverá crescer com a adoção da Base Nacional Comum Curricular, que passa a vigorar a partir de 2020 e obriga as escolas brasileiras a incluir as diretrizes da educação socioemocional.

O momento político turbulento, os cortes que o país enfrenta na educação e seu impacto no futuro dos jovens preocupam o empreendedor:

“A educação é a chave para resolver a maioria dos problemas brasileiros. Precisamos investir mais — e investir com mais qualidade. Existem muitos profissionais com propósito de fazer o bem e com vontade de melhorar o país. Precisamos unir nossas forças para diminuir a polarização ideológica e lutar para o bem comum. Pela educação de qualidade. Pelo protagonismo dos jovens que podem levar o país para um patamar de liderança global.”

Por ora, enquanto a edtech dá seus primeiros passos antes de decolar de vez, Tiago já pode se gabar das críticas positivas que recebeu de uma professora em especial. “Minha mãe está superorgulhosa, conversa bastante comigo e é muito otimista em relação ao VOA Educação.”

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  • Projeto: VOA Educação
  • O que faz: Edtech que ajuda professores na análise socioemocional dos alunos
  • Sócio(s): Tiago Neves, Pedro Jardim, Henrique Souza e Marcelo Alt
  • Funcionários: 16
  • Sede: Rio de Janeiro (RJ)
  • Início das atividades: 2017
  • Investimento inicial: R$ 10.000
  • Faturamento: Previsão de 20 escolas até o fim do ano
  • Contato: [email protected]
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