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Para acelerar a inovação e combinar tendências globais com estratégia local, a 3M criou uma incubadora de novos negócios

- 22 de agosto de 2018
Em um ano e meio à frente da iniciativa, Renata Perina já apoiou a evolução de projetos internos e estabeleceu parcerias entre a organização e startups.

Renata Perina, 34, é um exército de uma mulher só na 3M. Formada em Estatística e com trajetória de 12 anos na companhia, ela passou por várias áreas até assumir o cargo de gerente de marketing da incubadora de novos negócios da organização, onde está há um ano e meio, desde que a iniciativa foi criada. “Com tantas transformações em curso, percebemos a necessidade de trabalhar internamente projetos relacionados com inovação e disrupção. Esta é a minha missão ali”, diz. Assim, a área da qual é líder e única colaboradora fixa atua para acelerar o desenvolvimento, dar suporte e priorizar novos projetos.

Isso vale para demandas da organização, desenvolvimentos em parceria com startups e para o intraempreendedorismo – algo fortemente estimulado pela 3M com a regra de 15%, em que todo funcionário pode destinar esta fatia de tempo a projetos novos de motivação pessoal. Neste espaço, muitos profissionais podem criar novas oportunidades que, a princípio, não teriam vazão internamente. A incubadora nasceu justamente com o propósito de apresentar um caminho para estas ideias, conectá-las à estratégia da companhia sem os vieses normalmente presentes nas áreas já estabelecidas da organização.

“A incubadora precisava ser realmente apartidária, livre de intenções que não sejam apenas fomentar a inovação”

O projeto começou a ser estudado na 3M em 2014. Na época, a liderança da empresa percebeu a necessidade de criar mecanismo para dar impulso ao desenvolvimento de novas ideias. Camila Cruz Durlacher, 45, diretora de Pesquisa e Desenvolvimento da 3M do Brasil, foi uma das grandes defensoras da iniciativa. “Nossa companhia é muito diversificada, com trabalho fundamentado em plataformas tecnológicas. A ideia por trás da incubadora é ter um núcleo na 3M que olhe para outras tecnologias e mercados onde ainda não atuamos, veja espaços diferentes dos que já ocupamos”, conta. Segundo a executiva, até então muitas boas ideias se perdiam pela falta do olhar de uma pessoa de marketing capaz de estruturar a estratégia de forma mais ampla. “É essencial construir um modelo de negócio que funcione”, acrescenta.

UMA CÉLULA DE INOVAÇÃO QUE ATENDE A TODA A COMPANHIA

Ainda era 2014 quando a incubadora começou a ser formulada com o princípio de ser um terreno neutro. Não adiantaria estabelecer um departamento se as pessoas ali dentro não tivessem a mente aberta para as diversas possibilidades da iniciativa e da atuação da 3M. Assim, a empresa abriu um processo seletivo e Renata foi escolhida para ocupar o posto.

Como defende Camila, a grande meta da área não é simplesmente inovar, mas desenvolver ideias que parem de pé, que sejam sustentáveis como negócio. “Nosso foco é buscar inovação no longo prazo, encontrar projetos que tragam lucratividade e tenham potencial de grande volume.” E complementa:

“Trabalho para desenvolver ideias e projetos relacionados às megatendências globais, mas sempre conectados com a estratégia local da companhia”

O projeto começou a rodar 2016, quando Renata foi atrás dos líderes técnicos da 3M para entender o que eles tinham em desenvolvimento e em que ela poderia ajudar. A primeira demanda veio da área de consumo, que pediu o suporte da incubadora para o lançamento de um novo filtro de ar-condicionado. O item ganhou outra dimensão com o apoio da área liderada por Renata.

Estimulado por sessões de design thinking, ideação e pelos insights gerados por estes processos, o departamento lançou um filtro para ar-condicionado que melhora a qualidade do ar do ambiente onde o equipamento está instalado. A promessa é capturar mais de 80% das micropartículas nocivas sem atrapalhar a função de refrigerar do aparelho, beneficiando pessoas alérgicas, por exemplo. “O meu trabalho é plantar sementes e regar para ajudar a crescer, como uma consultoria que apoia também a execução. Ali conseguimos fazer isso.”

Segundo Renata, além de desenvolver o produto adequado, foi preciso posicioná-lo da forma certa no mercado, ao levar conhecimento para o consumidor e despertar a atenção dele para a qualidade do ar. A solução foi para as prateleiras entre o fim de 2017 e o começo deste ano e ela garante que a 3M tem registrado sucesso de vendas com a novidade. Assim, com a conclusão do projeto, a incubadora interna provou seu ponto: dá para colocar em prática iniciativas inovadoras que sejam também lucrativas.

ABRIR CAMINHOS PARA COOPERAR COM STARTUPS

A área também trabalha em outro projeto ambicioso: o lançamento de um aplicativo de realidade virtual para o centro técnico da organização, que deve ser lançado ainda em 2018. A ideia é que as pessoas possam visitar o espaço on-line, sem precisar se deslocar para Sumaré, em São Paulo, onde fica a estrutura. O projeto é fruto de parceria com a startup Loox Studios, de Curitiba (PR). A cooperação com o ecossistema empreendedor é, inclusive, outra frente em que a incubadora de novos negócios atua. “A inovação aberta é um meio para chegar à disrupção, não um fim. De qualquer forma, precisa estar dentro da nossa estratégia”, avalia.

A aproximação da jovem empresa aconteceu por meio do Programa Nacional Conexão Startup Indústria, projeto da ABDI, Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial. A 3M é uma das companhias participantes da iniciativa, que busca promover a integração digital e fomentar negócios entre grandes organizações e o ecossistema empreendedor. Pelo programa, além da Loox Studios, que trabalha na solução de realidade virtual, a organização desenvolveu parceria com outra startup, a Trackage, com quem a 3M está desenvolvendo uma solução de supply chain, que também deve começar a rodar antes do fim do ano. “É um sistema para otimizar processos internos na logística, aumentar a produtividade e melhorar a experiência do consumidor”, conta Renata.

Segundo ela, estabelecer cooperação com o ambiente empreendedor era uma necessidade da 3M, mas não foi um processo simples. “Startups são empresas que nem sempre têm toda a documentação e estrutura que normalmente exigimos de um fornecedor. Por isso, enquanto os projetos surgiam, fomos atrás de desenvolver processos internos e criar um novo padrão, que agora pode ser replicado em outras parcerias com empresas em crescimento”, diz. O plano é justamente este, garante, aproveitar que o caminho está aberto e trilhar ele muitas outras vezes.

A companhia tem a intenção de participar de mais uma rodada do programa da ABDI. Outra iniciativa de cooperação com startups acontece em parceria com a Weme, aceleradora estabelecida em Campinas. “Nós patrocinamos algumas ações deles, oferecemos pessoas e materiais e, assim, nos mantemos próximos deste ecossistema”, diz.

COM DESAFIOS SUPERADOS, META AGORA É AMPLIAR A ATUAÇÃO

Renata admite que há sempre alguma resistência ao novo, mesmo nas empresas mais inovadoras. Ela conta, no entanto, que esta é uma barreira que começa a se dissipar. “Na 3M todo mundo é estimulado a desenvolver o espírito empreendedor. Ainda assim, sempre existem os céticos”, diz. E prossegue:

“Sinto que a melhor forma de colocar todo mundo no mesmo barco para inovar é mostrar os bons resultados, provar que funciona. Ter o total apoio da liderança da companhia também é essencial”

Em um ano meio de atuação, a executiva diz ter encontrado poucas barreiras, mas muitos desafios para a incubadora, como o fato de a 3M ser uma empresa grande, com muitos processos internos e etapas. “Isso faz com que qualquer execução seja diferente do desenho, dá outra proporção”, diz. Longe de ter todas as respostas, Renata diz que tem aprendido muito ao conduzir a atuação da incubadora. “Converso com a liderança das áreas, trabalho para priorizar, entender a quais projetos dar suporte”, conta. Segundo ela, é essencial enxergar a companhia como um todo, perceber as nuances: “Preciso atender às demandas de cada área e ter empatia com a jornada dos consumidores. É um aprendizado constante”.

Camila Cruz Durlacher, que lutou para que a ideia se transformasse em realidade, conta que estes são só os primeiros passos de uma jornada importante para a 3M do Brasil. “A nossa incubadora é muito menor do que as iniciativas que uma série de outras empresas já têm. É uma primeira tentativa, a semente do que queremos ter um dia”. Renata complementa: “Depois dos primeiros resultados vamos começar a replicar este trabalho internamente”. A ideia é recalcular a rota e fazer ajustes conforme as coisas se desenvolvem, conta. Existe também o plano de expandir a atuação da incubadora para toda a América Latina. Se esta é apenas a semente, dá para imaginar a força que terá a iniciativa quando as raízes se desenvolverem.

 

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